Quem é o refém na direita?
- Walber Guimarães Junior

- 6 de set.
- 3 min de leitura
Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.
A próxima sexta feira, 12 de setembro, data que deverá ser definida a dosimetria da provável condenação de Jair Bolsonaro, marca também uma nova etapa da política nacional; o redesenho da direita, definitivamente sem a hipótese da candidatura do ex-presidente.

Neste contexto, no centro do campo, armando as jogadas, está o governador Tarcísio de Freitas, atleta com muito fôlego para seguir em frente, e com disciplina para seguir rigorosamente as instruções de seus superiores, a propósito uma verdadeira comissão técnico política que lhe sugere posicionamentos e ações que Tarcísio precisa cumprir com maestria para, no jogo que realmente vale, entrar em campo como estrela principal, com a camisa 10, ou seria a 22?
Nada indica que será uma competição fácil, o time vermelho está escalado, treinando faz muito tempo e, embora ainda não esteja jogando como a torcida deseja, tem tempo para entrar em forma, embora precise montar uma estratégia que preserve seu velho ídolo, líder do time, que joga com a 13, quase sempre muito impetuoso, algumas vezes até em jogadas desnecessárias, assim como o atleta aposentado do time amarelo, afastado da competição por indisciplina.
Sempre existe a possibilidade do campeonato começar com vários times em campo, além do amarelo, que tenta se unir ao time verde, algumas outras equipes começam a perceber que, com bastante esforço concentrado e muitas jogadas ensaiadas, pode atingir os objetivos na fase de classificação e enfrentar o atual campeão, o time vermelho na fase final.
Sim, o futebol sempre permite boas analogias com a cena política, mas, neste momento, o jogo ainda está embolado e algumas posições ainda podem reverter o conjunto de forças que entram em campo em 2026.
A maior incógnita é Jair Bolsonaro que, com o resultado negativo do julgamento, muda a relação de forças com Tarcísio de Freitas. Agora é Jair que precisa muito do bom desempenho do governador que lhe permita a vitória eleitoral e a prometida anistia, como primeiro ato, ainda que a declaração pareça muito mais um bom discurso para a torcida.
Bolsonaro sabe que não tem mais a mesma força, algo notório pelo afastamento de muitas lideranças da direita, que respeitam sua força nas urnas, mas não respondem mais aos seus comandos, em especial os demais governadores com projeto próprio. Agora não basta que Jair escolha seu favorito, o fundamental é que se alie a alguém com viabilidade eleitoral, ainda que isto signifique negar apoio a qualquer um dos filhos.
Eduardo Bolsonaro, aquele que conspira contra o Brasil, algo deplorável, e luta pela anistia de seu pai, algo muito mais razoável, sonha, e tem aliados que o estimulam, a insistir na sua candidatura. Não seria um caminho fácil porque tem um difícil caminho jurídico até para voltar para casa, sem cair nas garras de Alexandre de Moraes. A rejeição provavelmente limite suas aspirações, mas é inegável que tem largada, bancada pelo sobrenome, e potencial para dividir o time da direita, com efeitos ainda mais profundos porque desce o sarrafo para a segunda vaga em disputa e estimula outros competidores a se manterem no páreo.
Eduardo pode também, enquanto seu pai não impor limites, ser a pedra no sapato de Tarcísio que, acossado por um adversário com este sobrenome, seria muito mais razoável que optasse pela reeleição.
Sem uma sinalização definitiva a favor de Tarcísio, situação complexa para Bolsonaro que implicaria também em abdicar da liderança e do comando do processo, o quadro seguirá indefinido e apenas uma improvável articulação suprapartidária que aponte para uma coligação ampla em torno de Tarcísio, permite enxergar definições antes de maio de 2026, logo após o necessário afastamento do cargo dos diversos governadores que aspiram o Planalto.
Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite continuam no aquecimento eleitoral e avaliam suas possibilidades de fazer um bom jogo, enquanto Romeu Zema já tem uniforme para entrar em campo. É justo apontar a direita como time com maior torcida, mas dividida talvez não consiga definir o resultado com facilidade.
Já no time da situação, se a cena política ajudar, e isto implica na sequência da indefinição na direita, pode acontecer a surpresa mais inesperada; manter o camisa 13 em campo, em função auxiliar e escalar um novo centro avante.
Sim, a chapa Haddad, com Lula de vice, é uma hipótese possível porque alguns fatores podem exigir a preservação do atual presidente.
Idade e saúde não costumam se ajustar aos calendários eleitorais.














Analogia perfeita, amigo Walbinho. E ainda relacionado ao futebol, tornou mais atraente e interessante a brilhante análise em referência ao Campeonato Político 2026.