Quem vai lucrar mais com a Copa?
- Walber Guimarães Junior

- 30 de abr.
- 3 min de leitura
As três edições anteriores da Copa, Brasil, Rússia e Catar, gastaram bilhões na construção de estádios gigantescos, a maioria apenas elefantes brancos, enquanto a Copa americana encontra a infraestrutura quase toda pronta, logo com investimentos previstos bem inferiores e, até por isso, com expectativa de lucros bem maiores.

Todavia, a divisão de ativos dos pós copa é bem diferente para os três países anfitriões, inclusive com os ganhos principais respondendo por aspectos bem diferentes entre si.
Basta olhar a tabela, com 75% dos jogos nos EUA, para perceber que a parte do leão dos lucros ficará com os americanos, onde o evento será aquilo que denominam de evento de consumo massivo.
Os EUA usarão estádios da NFL, em Dallas, Los Angeles, NY e Atlanta que são os mais lucrativos e modernos do mundo, todos com custo zero de construção, com investimentos apenas na adaptação do gramado e remoção dos cantos para alargar o campo, economizando todo o dinheiro que iria para cimento para ser investido em marketing.
Além do ticket médio mais caro da história, a cultura americana dos grandes eventos esportivos, baseada em camarotes de luxo e pacotes de hospitalidade fantásticos, com benefícios muito expressivos para hotelaria de luxo, aviação interna, além de serviços de segurança privada, será a maior beneficiada com o evento, enchendo os bolsos, além de reafirmar a capacidade americana de organizar megaeventos globais, garantindo também um ganho adicional; investimentos futuros para as cidades sedes.
Se nos EUA, dinheiro responde pelo ganho mais expressivo, no México o turismo a e renovação urbana estão entre os grandes beneficiados com o evento.
O México precisou investir na modernização dos três estádios, Cidade do Méxio, Guadalajara e Monterrey, além da infraestrutura ao redor, principalmente de transportes públicos, sendo este o principal legado da Copa.
Observe que no México, os estádios estão integralmente identificados com a malha urbana das cidades, muito diferente de construir um estádio no meio do nada como em Manaus, na copa brasileira.
Além disto, o México espera um boom de turismo, com a expectativa de receber o turista de experiência que deve ter, em média, dez dias de permanência, suficientes para um bom giro nas pirâmides, praias e nos ótimos restaurantes mexicanos, gerando uma expectativa de pelo menos mais três anos, com números expressivos de turistas no país.
Embora os dólares dos turistas sejam um alento para a economia, a maior preocupação dos locais é a intensa especulação das áreas próximas aos estádios, em grande parte migradas para o Airbnb, expulsando moradores para outros locais, com forte efeito colateral econômico.
Com menor tradição no esporte, apenas no Canadá a Copa parece uma aposta mais arriscada por enfrentar o cenário econômico mais complexo e polêmico, isto porque as duas sedes, Toronto e Vancouver, tiveram que fazer reformas caras para atender aos padrões FIFA para aumento de capacidade e implantação de gramado natural. Com um importante detalhe adicional, no Canadá não há dinheiro público envolvido, com tudo bancado com recursos privados, ainda que em Vancouver, o governo local tenha imposto uma taxa temporária de hospedagem para ajudar a pagar a conta.
A grande dúvida no Canadá é se apenas dez a treze jogos, alguns menos expressivos, sejam suficientes para pagar a conta, ainda que entre os interesses do Canadá estejam se vender como um ótimo destino de verão global e polo de imigração qualificada, atraindo não apenas turistas, mas investidores em tecnologia e talento globais.
Para estabelecer a plena verdade neste tema, é importante alguns registros; a FIFA é a dona do cofre, ficando a receita grossa de direitos de TV, patrocínios, venda de ingressos VIP, além de exigir isenção fiscal dos países anfitriões e apenas o que o turista gasta é que fica efetivamente com os países (hotel, transportes, alimentação, turismo e compras).
Os analistas estimam em até US% 5 bilhões em atividades econômicas geradas pela Copa, no curto prazo, para a América do Norte, a maior parte nos EUA.
Embora para as cidades sedes sobre um enorme custo invisível, com segurança e limpeza pública, por exemplo, isto só incomodará no México e Canadá, por conta da excelente estrutura americana.
Como resumo, podemos, para fechar este capítulo sobre análise dos lucros da Copa, afirmando que;
EUA: Ganham dinheiro de verdade (volume e escala).
México: Ganha renovação de infraestrutura e turismo, mas paga o preço social da gentrificação.
Canadá: Paga uma conta alta para comprar visibilidade global (uma estratégia de marketing de país).
A Copa de 2026 será a mais lucrativa da história para a FIFA. Para os países, será um sucesso se conseguirem transformar a visita de milhões de torcedores em consumo local, sem deixar dívidas públicas de segurança para trás.
















