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QUEM MANDA NA PREFEITURA DE CIANORTE?

há 3 horas
6 min de leitura

Ofício 22/2026 do Portal Bisbilhoteiro cobra respostas sobre o poder da Secretária de Administração Municipal, nomeações na Saúde, PAD e suposta influência na FUNDHOSPAR


Por Marcio Nolasco – Analista de Políticas Públicas | Portal Bisbilhoteiro


Há perguntas que não podem ser tratadas como fofoca. Há denúncias que não podem simplesmente ser ignoradas. E há situações dentro da Administração Pública que, justamente por envolverem cargos, dinheiro público, servidores e decisões administrativas, precisam ser esclarecidas com documentos.


Foi exatamente por isso que o Portal Bisbilhoteiro encaminhou o Ofício nº 22/2026 em 10/09/26 à Prefeitura de Cianorte, com cópia para a Câmara Municipal, solicitando esclarecimentos sobre uma série de informações que chegaram à redação envolvendo a Secretaria Municipal de Administração e sua titular.


E aqui está o ponto central desta reportagem:


ATÉ O FECHAMENTO DESTA MATÉRIA, A PREFEITURA DE CIANORTE NÃO HAVIA SE PRONUNCIADO SOBRE OS QUESTIONAMENTOS APRESENTADOS PELO PORTAL.


O silêncio, evidentemente, não significa confirmação de qualquer denúncia. Mas também não encerra as perguntas.


Ao contrário.


Quando uma redação apresenta questionamentos objetivos e solicita documentos oficiais, a resposta deveria ser a oportunidade para o Poder Público demonstrar que os procedimentos são regulares, transparentes e fundamentados na legislação.


AFINAL, QUEM DECIDE SOBRE OS SERVIDORES?


Uma das principais questões levantadas pelo Portal é aparentemente simples:


Qual é o tamanho do poder da Secretária Municipal de Administração sobre as demais secretarias da Prefeitura? Uma pergunta levantada pelos servidores que estão incomodados com muitas situações...


O ofício pergunta objetivamente se a secretária possui competência para determinar, sugerir, autorizar ou influenciar nomeações, exonerações, transferências, substituições e mudanças de função de servidores de outras secretarias, especialmente da Saúde.


Inclusive informações que recebemos é que nestas eleições de outubro os servidores da saúde teriam trabalhado em desfavor aos candidatos do prefeito justamente por revolta contra a Secretária de Administração... fato este que resultou em vergonhosos 1.400 votos para Marcio Nunes na cidade, uma queda catastrófica comparada com 2022.


Não se trata de uma pergunta menor.


Se a Secretaria de Administração possui essa prerrogativa, é preciso saber qual lei, decreto, portaria ou ato administrativo concede essa competência.


Se não possui, surge outra pergunta:


Quem estaria tomando essas decisões e com base em quê?


O Portal também solicitou informações sobre o número de servidores da Saúde que, entre janeiro de 2025 e setembro de 2026, teriam sido exonerados, transferidos, substituídos ou tiveram suas funções modificadas por determinação, recomendação ou solicitação da Secretaria de Administração.


Não estamos falando de opinião.


Estamos falando de atos administrativos que podem ser documentados.


Imagem meramente ilustrativa para essa matéria feita por I.A
Imagem meramente ilustrativa para essa matéria feita por I.A

O PAD E AS PERGUNTAS QUE CONTINUAM SEM RESPOSTA


Outro capítulo do ofício envolve informações recebidas pela redação sobre supostas denúncias de assédio moral e perseguição a servidores públicos envolvendo a titular da Secretaria de Administração.


O Portal não afirma que essas acusações sejam verdadeiras.


Justamente por isso perguntou.


Houve denúncias?


Houve sindicância?


Houve Processo Administrativo Disciplinar?


Qual foi a conclusão?


Houve penalidade?


Se houve arquivamento, qual foi a fundamentação?


Quem integrou a comissão?


Quem foi ouvido?


Quantas testemunhas prestaram depoimento?


E uma questão particularmente importante:


entre as testemunhas havia servidores comissionados ou ocupantes de funções gratificadas?


São perguntas que não deveriam provocar indignação.


Deveriam provocar respostas.


A Administração Pública não pode ser baseada em versões de corredor. Ela precisa ser sustentada por atos, documentos, leis e transparência.


NA SAÚDE, QUEM ESCOLHE OS COMISSIONADOS?


Outro ponto levantado pelo Portal diz respeito às nomeações para cargos comissionados na Secretaria Municipal de Saúde.


A pergunta é direta:


Quem indica? Quem escolhe? Quem valida? Quem decide?


O ofício solicita informações sobre os critérios utilizados para essas nomeações e questiona se a Secretaria de Administração participa da escolha dos nomes.


Também são mencionados casos específicos, entre eles de uma assessora, citada como secretária/assessora vinculada à Sra. Shelly (Secretária de Saúde), além de uma recente nomeação para o setor de contratos da Secretaria de Saúde.


Mais uma vez, o Portal não está decretando irregularidade.


Está pedindo que o Município explique:


Qual foi o critério?


Quem indicou?


Qual a formação profissional?


Qual a remuneração?


Qual o ato de nomeação?


Havia outros candidatos ou servidores considerados?


Em uma Administração Pública que prega eficiência, impessoalidade e transparência, essas perguntas deveriam ser facilmente respondidas por meio dos documentos oficiais.


E A FUNDHOSPAR?


Talvez uma das questões mais delicadas do ofício esteja relacionada à FUNDHOSPAR.


O próprio Executivo Municipal, segundo a informação apresentada ao Portal, sustenta que a entidade não é administrada diretamente pela Prefeitura.


Então surge uma pergunta absolutamente pertinente:


Qual é a relação entre a Prefeitura e a FUNDHOSPAR?


O Portal pediu esclarecimentos sobre a natureza jurídica da entidade, contratos, convênios, repasses, relações institucionais e eventual participação de agentes públicos municipais.


Mas foi além.


Perguntou se a Secretária Municipal de Administração possui ou já possuiu qualquer cargo, função, participação em conselho ou posição institucional na FUNDHOSPAR.


E questionou especificamente se ela possui qualquer participação ou influência formal nas contratações, exonerações, dispensas ou indicações de funcionários da entidade.


A pergunta é objetiva.


Se a resposta for não, basta explicar e, se possível, apresentar os documentos que comprovem essa ausência de participação.


A QUESTÃO DO PARENTESCO


O ofício também aborda uma informação que chegou à redação sobre a possível contratação, pela FUNDHOSPAR, de uma pessoa que seria irmã da Secretária Municipal de Administração.


Novamente, o Portal não afirma que tenha ocorrido favorecimento.


Pergunta.


Existe ou existiu essa contratação?


Qual foi o cargo?


Quando ocorreu?


Qual foi o processo de seleção?


Houve análise curricular?


Houve processo seletivo?


Quais foram os critérios?


A secretária participou direta ou indiretamente da escolha?


Essas são questões que podem ser esclarecidas documentalmente.


E existe uma diferença enorme entre uma acusação sem prova e uma pergunta jornalística acompanhada de pedido formal de documentos.


O Portal optou pela segunda alternativa.


O SILÊNCIO TAMBÉM PRECISA SER REGISTRADO


O Ofício nº 22/2026 foi elaborado justamente para permitir que a Prefeitura apresentasse sua versão.


Não há interesse jornalístico em condenar previamente ninguém.


Ao contrário: o direito de resposta e o contraditório são fundamentais para uma imprensa responsável.


Mas existe também uma responsabilidade pública.


Quando um órgão de imprensa encaminha perguntas sobre administração de pessoal, processos administrativos, nomeações, critérios de escolha e relações institucionais envolvendo entidades ligadas ao Município, a sociedade tem interesse em saber o que o Poder Público tem a dizer.


Até o fechamento desta matéria, porém, a Prefeitura de Cianorte não havia apresentado manifestação ao Portal Bisbilhoteiro sobre os questionamentos encaminhados.


E essa informação precisa constar.


Não como acusação.


Mas como registro jornalístico.


A CÂMARA TAMBÉM FOI PROVOCADA


O documento não ficou restrito ao Executivo.


A Câmara Municipal de Cianorte também foi colocada no circuito, diante de sua função constitucional de fiscalização dos atos do Executivo.


A pergunta agora também é para o Legislativo:


A Câmara vai fiscalizar?


Vai solicitar documentos?


Vai apresentar requerimento de informações?


Vai questionar formalmente o Executivo?


Vai verificar os critérios utilizados nas nomeações?


Vai investigar a relação administrativa e financeira entre Município e FUNDHOSPAR?


Ou tudo ficará restrito ao silêncio?


Porque uma coisa precisa ser compreendida:


Fiscalização não é oposição.


Fiscalização é obrigação institucional.


NÃO É SOBRE A SECRETÁRIA DE ADMINISTRAÇÃO. É SOBRE O PODER PÚBLICO.


É importante deixar isso claro.


O debate não deveria ser transformado em uma disputa pessoal contra a secretária de administração.


A questão é muito maior.


É sobre como funciona a máquina pública de Cianorte.


É sobre quem nomeia.


Quem exonera.


Quem indica.


Quem decide.


Quem fiscaliza.


Quais critérios são utilizados.


Quais relações existem entre os órgãos públicos e entidades conveniadas ou relacionadas ao Município.


E, principalmente, se os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência estão sendo efetivamente respeitados.


Se tudo estiver correto, ótimo.


Que se apresentem os documentos.


Que as dúvidas sejam esclarecidas.


Que a sociedade conheça os critérios.


Mas, se houver algo irregular, que os órgãos competentes apurem e adotem as medidas necessárias.


A CIDADE TEM DIREITO ÀS RESPOSTAS


O cidadão de Cianorte não precisa escolher entre acreditar na denúncia ou acreditar no Governo.


Ele precisa ter acesso aos fatos e aos documentos.


É isso que o Portal Bisbilhoteiro está buscando.


Não uma condenação antecipada.


Não um julgamento político.


Não uma perseguição pessoal.


Respostas.


E enquanto elas não chegam, as perguntas continuam sobre a mesa:


Quem realmente decide as nomeações na Prefeitura?


Qual é o verdadeiro alcance do poder da Secretaria de Administração?


O que aconteceu no PAD?


Quais são os critérios para os cargos comissionados da Saúde?


Qual é a relação entre Prefeitura e FUNDHOSPAR?


Temos parentes da Secretária de Administração trabalhando na FUNDHOSPAR? Qual o critério técnico e conhecimento comprovado?


Existe participação de agentes públicos municipais nas contratações da entidade?


E, finalmente, por que até o fechamento desta matéria a Prefeitura de Cianorte ainda não havia se pronunciado sobre os questionamentos formalmente encaminhados pelo Portal Bisbilhoteiro desde 10/09/26?


A imprensa pergunta.


O cidadão espera.


Agora, cabe ao poder público responder. Espaço ainda permanece aberto para manifestação oficial do poder executivo municipal.

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