Quando Deus Conduz o Que Não Podemos Controlar
- Christina Faggion Vinholo

- há 3 horas
- 2 min de leitura
Christina Faggion Vinholo, teóloga.
Especialista em AT e NT.
Há momentos na vida em que duas experiências caminham lado a lado dentro do mesmo coração. Eu vivi isso nestes dias.

Aqui nos Estados Unidos, minha filha deu à luz seu segundo filho, Noah, no dia 20, por parto normal — algo bastante comum por aqui, onde a cesárea costuma ser reservada para situações de risco. No Brasil, minha nora havia dado à luz o pequeno Oliver, poucas semanas antes, por cesárea. Dois nascimentos. Dois caminhos. Duas culturas. E um mesmo Deus conduzindo tudo.
Confesso que, para minha surpresa, foi o parto normal que despertou mais apreensão em mim.
A cesárea, aos meus olhos, parecia mais controlada: data marcada, tempo previsível, passos definidos. Já o parto normal carregava aquilo que mais nos desafia: espera, imprevisibilidade, horas sem saber exatamente quando ou como tudo aconteceria. Era uma experiência que expunha algo profundo no coração humano: nossa necessidade de controle.
E então percebi que aquela tensão falava menos sobre o parto e mais sobre mim.
É fácil dizer que colocamos tudo nas mãos de Deus. Difícil é viver isso quando o relógio avança, quando não temos respostas imediatas, quando os processos fogem do roteiro que gostaríamos de escrever. Porque entregar de verdade significa abrir mão da falsa sensação de comando.
Gostamos de prever. Gostamos de administrar cenários. Gostamos de pensar que, se soubermos o suficiente, estaremos seguros.
Mas segurança verdadeira nunca esteve em nossas mãos.
A Escritura nos lembra:
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5.7).
Que consolo existe nessa verdade. Deus não apenas governa todas as coisas — Ele cuida em todas as coisas. Sua soberania não é distante, mecânica ou fria. É uma soberania de amor.
O mesmo Deus que formou cada detalhe de Noah e Oliver no ventre materno sustentou cada contração, cada hora de espera, cada decisão, cada respiração, até o momento em que essas novas vidas vieram ao mundo. Nada escapou ao Seu olhar. Nada saiu de Seu controle.
E quando enfim Noah nasceu, saudável, bonito e cercado de amor, senti novamente o que tantas vezes esquecemos: Deus já estava trabalhando enquanto eu apenas me preocupava.
Quantas vezes nossa ansiedade corre na frente, enquanto a providência de Deus já nos espera adiante.
Esses dias me lembraram que, não importa se o caminho é rápido ou demorado, planejado ou surpreendente, Deus continua sendo Deus. Seu governo permanece perfeito. Seu cuidado permanece presente.
Talvez o maior nascimento que também acontece nesses momentos seja outro: o de um coração que aprende, mais uma vez, a confiar.
Porque, no fim, de uma forma ou de outra, sempre foi Ele quem esteve no controle.
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