Quando a vida nos lembra que somos peregrinos
- Christina Faggion Vinholo

- há 5 horas
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Christina Faggion Vinholo, teóloga
Especialista em AT e NT.
No último sábado, uma querida amiga da igreja me deu uma notícia devastadora.
Ela me contou sobre uma jovem de apenas 27 anos, filha de amigos queridos com quem convivi durante alguns anos em Londrina. Uma família amada, serva do Senhor, que agora enfrentava uma das maiores dores que um pai e uma mãe podem experimentar.

Aquela jovem, cheia de sonhos e prestes a concluir a faculdade de Medicina, havia contraído influenza. O que parecia ser uma enfermidade comum evoluiu de forma rápida e devastadora. Vieram a internação, os melhores recursos da medicina, equipes altamente capacitadas, tratamentos intensivos e, por fim, o ECMO — um dos suportes mais avançados para pacientes em estado crítico.
Quando recebi a notícia, ela ainda estava viva.
Naquele momento, fiz aquilo que todo cristão pode fazer diante do impossível: orei. Clamei ao Senhor. Roguei por um milagre. Pedi que, se fosse da Sua vontade, preservasse aquela jovem e sustentasse aquela família tão querida.
Ao mesmo tempo, entreguei sua vida nas mãos de Deus.
Não porque isso fosse fácil, mas porque aprendi, ao longo da caminhada cristã, que as mãos de Deus são infinitamente mais seguras do que as minhas.
Sei que Deus continua sendo Deus quando responde às nossas orações da maneira que esperamos e também quando Seus caminhos permanecem insondáveis para nós. Sua soberania nunca deixa de ser amorosa, sábia e perfeita, ainda que nossos olhos estejam marejados de lágrimas.
Pouco tempo depois, veio a notícia de sua partida.
Confesso que meu coração se entristeceu profundamente.
Aquela família já havia atravessado tempos difíceis recentemente, mas perder uma filha tão jovem, às portas da realização de um grande sonho, parece tirar o chão de qualquer pai e de qualquer mãe. Uma igreja inteira chora. Amigos se calam. E nós, limitados como somos, descobrimos mais uma vez que nem todas as perguntas encontrarão respostas deste lado da eternidade.
É justamente nesses momentos que somos confrontados com uma verdade que tantas vezes tentamos esquecer.
A vida é breve.
Muito mais breve do que imaginamos.
Vivemos como se tivéssemos o controle do amanhã. Fazemos planos para os próximos meses, organizamos nossos projetos, sonhamos com a formatura, com o casamento, com os netos, com as viagens, com a aposentadoria. Falamos constantemente do futuro, como se ele nos pertencesse.
Mas a Palavra de Deus nos desperta dessa ilusão.
“Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.” (Tiago 4.14)
Que imagem extraordinária.
A neblina surge nas primeiras horas da manhã. Parece cobrir toda a paisagem. Mas basta o sol aparecer para que ela desapareça.
Assim é a nossa existência.
A Escritura não nos apresenta essa realidade para nos tornar pessimistas, mas para nos tornar sábios.
Moisés compreendeu isso quando orou:
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” (Salmo 90.12)
Observe que ele não pede ao Senhor mais dias de vida.
Ele pede sabedoria para viver os dias que Deus, em Sua graça, decidiu conceder-lhe.
Contar os dias é reconhecer que eles têm um número conhecido apenas por Deus.
Nem um a mais.
Nem um a menos.
Essa verdade pode assustar aqueles que desejam controlar tudo. Mas, para o cristão, ela também produz descanso.
Nossa vida nunca esteve entregue ao acaso.
Nunca esteve simplesmente nas mãos de um vírus.
Nunca esteve, em última instância, nas mãos da medicina, por mais extraordinária que ela seja.
Ela sempre esteve nas mãos do Deus que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder.
Isso não diminui a importância da ciência nem dos profissionais da saúde. Pelo contrário. Eles são instrumentos da graça comum de Deus e devemos agradecer por cada recurso que Ele permite ao ser humano desenvolver.
Mas também somos lembrados de que existe um limite para toda capacidade humana.
Quando a medicina chega ao seu limite, Deus não chega ao Seu.
Quando os recursos se esgotam, Seu trono permanece inabalável.
Quando não compreendemos Seus caminhos, Seu caráter continua sendo perfeitamente santo, justo, sábio e bom.
Talvez esta seja uma das maiores lições do sofrimento.
Ele nos lembra que não pertencemos definitivamente a este mundo.
Somos peregrinos.
Nossa cidadania está nos céus (Filipenses 3.20).
Aqui construímos casas, mas não raízes eternas.
Aqui amamos profundamente, mas sabendo que um dia a separação pode chegar.
Aqui choramos, porque ainda vivemos num mundo marcado pela queda.
Mas também esperamos.
Esperamos porque Cristo venceu a morte.
Esperamos porque o túmulo não é o capítulo final da história daqueles que pertencem a Jesus.
Esperamos porque haverá um dia em que Deus enxugará dos nossos olhos toda lágrima; a morte já não existirá, nem haverá luto, nem pranto, nem dor (Apocalipse 21.4).
Até esse dia, continuaremos convivendo com despedidas que ferem profundamente.
Continuaremos perguntando por que alguns partem tão cedo.
Continuaremos chorando com os que choram.
Mas faremos isso sem desespero.
Porque nossa esperança não está na duração da vida, mas no Senhor da vida.
Que histórias como esta nos façam diminuir o ritmo da autossuficiência.
Que nos levem a abraçar mais demoradamente aqueles que amamos.
A pedir perdão enquanto há tempo.
A dizer “eu amo você” com mais frequência.
A viver cada dia como um presente recebido das mãos do Pai.
E, acima de tudo, que nos ensinem a confiar incondicionalmente na soberania daquele que nunca perde o controle da história.
Mesmo quando nossos olhos estão cheios de lágrimas.
Mesmo quando nosso coração não encontra respostas.
Mesmo quando tudo parece escuro.
Porque o Deus que governa a vida também governa a morte.
E Aquele que escreve nossos dias jamais deixa cair uma única lágrima de Seus filhos sem um propósito santo, sábio e eterno.
Nele descansamos.
Hoje.
E para sempre.
VOX Radio Gospel FM
Instagram: @chrisvinholo
E-mail: chrisvinholo@gmail.com



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