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"Ponte, helicóptero e Celepar: o que o Paraná ainda não sabe sobre o candidato de Ratinho" / "Sandro Alex e o preço da continuidade: o que dizem os processos abertos".

há 5 horas
5 min de leitura

R$ 14,8 milhões em xeque, um voo sem preço divulgado e um ex-assessor que negocia devolver salários: os três casos que cercam Sandro Alex a duas semanas da eleição


Candidato da continuidade de Ratinho Junior, o ex-secretário de Infraestrutura não é réu nem condenado por nada disso, mas o TCE-PR, o MPPR e a Justiça Eleitoral mantêm em aberto questionamentos sobre a obra símbolo do governo, sobre um helicóptero fretado e sobre um ex-funcionário de seu gabinete.


Sandro Alex
Sandro Alex

Curitiba, 21 de setembro de 2026. 


Sandro Alex (PSD, nº 55) chega à reta final da campanha ao governo do Paraná como o nome que promete manter o rumo da gestão Ratinho Junior. A candidatura foi homologada em convenção do PSD em 25 de julho. Ele é deputado federal desde 2011 e se licenciou da Câmara para comandar a Secretaria de Infraestrutura e Logística nos dois mandatos de Ratinho Junior. Na pesquisa Neokemp/OCP News de 8 e 9 de setembro, Moro tinha 48,8%, Requião Filho 23,3% e Sandro Alex 20,4%. Jurua24horasGazetadoparana


Levantamento em jornais e órgãos de controle do estado mostra três frentes de questionamento. Nenhuma resultou em condenação, denúncia criminal ou ação de improbidade contra ele.


1. A ponte de R$ 400 milhões e a auditoria do TCE


A Ponte de Guaratuba foi a vitrine da gestão. O contrato foi arrematado por R$ 386,9 milhões pelo Consórcio Nova Ponte, e a obra foi inaugurada no início de maio. Uma auditoria da 5ª Inspetoria de Controle Externo do TCE-PR identificou sete situações que teriam provocado pagamentos acima do devido nos três primeiros aditivos. Um relatório de janeiro propõe compensar R$ 14.844.711,51 pagos a mais, revisar sete aditivos e repactuar o contrato. GazetadoparanaGazetadoparana


Os maiores valores são as contenções dos acessos (R$ 4,57 milhões), o aterro estaqueado (R$ 4,47 milhões) e o "apoio náutico" (R$ 1,56 milhão). Para os auditores, esse último serviço deveria ficar a cargo da empreiteira, pela matriz de riscos do contrato. Em outro achado, o TCE afirma que o contrato previa quantidade muito superior de drones e equipamentos de tração à realmente usada. Também aponta que o desconto de 9,6% oferecido na licitação deixou de ser aplicado a serviços incluídos depois.


O DER-PR contesta. Diz que sobrepreço deve ser analisado pelo valor global do contrato, e não em itens isolados, e que os preços são compatíveis com o mercado. A equipe do TCE não acolheu as justificativas e manteve os achados como "não sanados". O DER também divulgou um estudo próprio que classifica a ponte como uma das mais baratas do país por metro quadrado entre as estaiadas avaliadas. GazetadoparanaBem Paraná


Há uma divergência sobre o estágio do processo. A Gazeta do Paraná informa que as recomendações ainda dependem da análise dos conselheiros, enquanto outros veículos escrevem que o relator já determinou a repactuação. Não foi localizado acórdão do Plenário. Gazetadoparana


Em abril, a Gazeta do Paraná divulgou uma denúncia sobre um suposto novo aditivo de R$ 88 milhões e uma viagem ao Paraguai de uma diretora do DER com um diretor da construtora. O DER confirmou a viagem, de junho de 2023, e disse que teve caráter técnico, mas não informou quem a custeou nem respondeu sobre o novo aditivo. Depois da inauguração, fornecedores disseram ter cerca de R$ 30 milhões a receber do consórcio. Ponte de Guaratuba: denúncia aponta novo aditivo de R$ 88 milhões e viagem suspeita ao Paraguai +2


O alvo formal do processo é o contrato do DER, autarquia ligada à secretaria que Sandro Alex chefiava. Nas reportagens consultadas, ele não aparece como investigado nesse caso.


2. O helicóptero, o TCE e o valor que ninguém mostrou


Em 2 de agosto, um helicóptero que levava Sandro Alex entre agendas políticas fez pouso forçado entre Rio Negro e Quitandinha. Um advogado ligado à Democracia Cristã, partido aliado de Sergio Moro, levou o caso ao TCE-PR. Ele questiona se uma aeronave pública ou um serviço custeado pelo Estado foi usado em atividade eleitoral. Gazetadoparana


A defesa nega. Segundo a Helisul Táxi Aéreo e a campanha, o voo foi contratado pelo Diretório Estadual do PSD, em aeronave privada, sem vínculo com o Governo do Estado. O relator, conselheiro Maurício Requião, determinou que seja apresentado o comprovante de pagamento dos custos do voo, e o candidato foi incluído no polo passivo da representação. GazetadoparanaGazetadoparana


Em reportagem de 5 de agosto, a Gazeta do Paraná observou que nenhum documento apresentado revelava quanto o PSD pagou pelo fretamento. O jornal também registrou que a Helisul mantém contratos com o Governo do Paraná. A própria reportagem ressalva que esses fatos não demonstram, por si, custeio pelo Estado. Ainda não há decisão do TCE. GazetadoparanaGazetadoparana


O episódio virou munição política. Moro passou a insinuar caixa 2, e a defesa de Sandro Alex protocolou representação no TRE-PR por calúnia eleitoral. Não foi localizada investigação formal por caixa 2 contra o candidato. Bem Paraná


3. O ex-assessor e a Celepar


O MPPR apura, no Inquérito Civil nº 0046.24.242937-4, se Lauro Rodrigues da Costa Neto recebeu salário sem trabalhar na Celepar. Ele foi secretário parlamentar no gabinete de Sandro Alex entre 2011 e 2012 e depois trabalhou com o irmão do candidato, Marcelo Rangel. A Promotoria registrou "frequentes ausências de registros" nas folhas de ponto e a falta de documentos que comprovassem as atividades. Gazetadoparana


O ex-assessor manifestou interesse em um Acordo de Não Persecução Cível. O CAEx calculou R$ 155.107,59 líquidos recebidos, R$ 162.100,07 com correção e R$ 186.930,94 com juros. A defesa propõe devolver o valor corrigido, sem juros, em parcelas. Gazetadoparana


A própria reportagem destaca que não há indicação de que Sandro Alex ou Marcelo Rangel sejam investigados ou tenham participado das irregularidades. O caso pesa pelo vínculo político e profissional, não por uma imputação a eles. Gazetadoparana


A guerra nos tribunais eleitorais


A Justiça Eleitoral também impôs derrotas à campanha de Sandro Alex, mas por propaganda, não por conduta administrativa. O TRE-PR mandou retirar uma inserção que atribuía a Moro omissão diante de fraudes no INSS, e a Justiça considerou que ela ultrapassava os limites da crítica política. A coligação perdeu 30 segundos de propaganda em várias emissoras. Um vídeo sobre o reajuste da Copel foi retirado por liminar em 15 de setembro. Moro também sofreu restrições, e o TRE-PR indeferiu um processo do PL e do Novo contra Sandro Alex sobre uso eleitoral de publicações da inauguração da ponte. Blog do Doc.comD'Ponta News


Quem financia e onde o dinheiro vai


Na prestação parcial, Sandro Alex declarou R$ 7,26 milhões em despesas. Quatro fornecedores respondem por 64,9% dos gastos: Bonini Guedes Advocacia, Soma Produção de Vídeo, Gerez Branding e Facebook. A Gerez também atende a campanha de Alexandre Curi, candidato ao Senado da mesma aliança, e recebeu R$ 3,58 milhões da campanha de Ratinho Junior em 2022. A reportagem ressalva que fornecedor repetido ou contrato grande não configuram irregularidade por si só, e os contratos só serão públicos na prestação final. GazetadoparanaGazetadoparana


Fontes


Perfil e contexto eleitoral


Ponte de Guaratuba

Helicóptero e TCE-PR

Ex-assessor e Celepar

Justiça Eleitoral

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