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PARA VOCÊ QUE É PREFEITO(A), SECRETÁRIO(A) DE SAÚDE E GESTOR PÚBLICO OU UM VEREDOR(A) QUE SÓ ACREDITA NA SUA BASE POLITICA...

O colapso silencioso da saúde municipal começa quando até o básico desaparece das UBSs... E talvez isso REALMENTE esteja ocorrendo na sua cidade...


Por Marcio Nolasco - Analista de Politicas Públicas - ENAP



Existe uma mentira confortável circulando dentro da saúde pública brasileira.


A ideia de que o problema está sempre “na ponta”.


  • Que o caos nasce apenas do profissional cansado.

  • Do enfermeiro sobrecarregado.

  • Do médico esgotado.

  • Do Secretário(a) de Saúde que não responde quando questionado(a).

  • Da recepcionista que já não consegue suportar mais uma fila.

  • Da técnica de enfermagem que trabalha dobrando plantão para cobrir um sistema permanentemente quebrado.

  • Da culpa da imprensa que traz para luz os fatos que o poder público não revela e não gosta de revelar para a sociedade.

  • Ou o problema seja das redes sociais onde a população expõem o indefensável...


Mas a verdade a ideia do problema é outra.


  • O problema não começa na ponta.

  • O problema explode na ponta.


Porque antes disso ele já foi produzido silenciosamente dentro de gabinetes, decisões políticas, organogramas mal planejados e estruturas administrativas que aprenderam a sobreviver administrando crise permanente.


E quando até o básico começa a faltar nas UBSs — luvas, micropore, curativos, fita hospitalar, materiais simples de atendimento — o município já ultrapassou uma linha muito perigosa.


Porque ali não existe mais apenas dificuldade operacional.


Existe falência de planejamento.


Existe desgaste humano.


Existe um sistema inteiro funcionando no limite do improviso.


A SOBRE CARGA CHEGOU PARA TODO MUNDO. SÓ MUDA O ENDEREÇO.


A verdade que poucos têm coragem de dizer é que a sobrecarga chegou para toda a rede pública.


Ela está na UBS.

Está na UPA.

Está no hospital.

Está no SAMU.

Está nas equipes de Estratégia Saúde da Família.

Está nos setores administrativos.

Está nos profissionais que tentam sustentar um sistema inteiro enquanto a estrutura segue sendo tratada como gasto político e não como prioridade técnica.


Mas enquanto a ponta briga com a ponta, o verdadeiro problema estrutural continua intocado.


O debate não deveria ser:


“Quem deixou de fazer?”


A pergunta correta deveria ser:


“Por que o sistema inteiro continua obrigando todo mundo a trabalhar no limite da exaustão?”


Por que a rede não conversa?

Por que o prontuário ainda não integra informações básicas entre os serviços?

Por que o território cresce e as equipes não acompanham esse crescimento?

Por que educação profissional permanente ainda é vista como luxo administrativo?

Por que prevenção continua recebendo atenção secundária enquanto a emergência vive abarrotada?

Por que a gestão continua medindo produção numérica, mas ignora continuidade do cuidado?

Porque sem continuidade, não existe saúde pública... é fato!


O que existe...

... existe apenas contenção de crise.



O MUNICÍPIO QUE PENSA SAÚDE APENAS COMO NÚMERO JÁ COMEÇOU A PERDER


Existe um erro estrutural extremamente perigoso dentro de muitas administrações municipais.


A obsessão por indicadores frios - para não dizer mentirosos:


  • Quantidade de atendimentos.

  • Número de consultas.

  • Volume de procedimentos.

  • Produção mensal.

  • Planilhas.

  • Relatórios.


Mas saúde pública não é linha de montagem.


Saúde pública é território humano.


E quando a gestão abandona o conhecimento técnico e passa a funcionar apenas sob lógica política, o sistema começa lentamente a entrar em colapso invisível.


  • Primeiro faltam profissionais (exemplo - médicos especialistas).

  • Depois faltam materiais.

  • Depois falta integração.

  • Depois falta respeito com os profissionais de saúde.

  • E depois e mais crave, falta empatia e respeito como cidadão usuário da saúde pública.


E por como consequência fim falta confiança da população, é aqui o momento em que o CAOS é consumado!!


O resultado aparece diariamente:


profissionais adoecidos;

equipes divididas;

pacientes revoltados;

unidades superlotadas;

e municípios onde vemos Prefeitos, Secretários de Saúde e até Vereadores tentando apagar incêndios que já poderiam ter sido evitados anos atrás, dentro de suas gestões.


NÃO É UPA CONTRA UBS


Talvez uma das maiores tragédias silenciosas da saúde pública brasileira seja a guerra interna criada entre os próprios profissionais.


UBS contra UPA. APS contra hospital. Enfermeiro contra enfermeiro. Equipe contra equipe, reflexo da má gestão da saúde pública.


Enquanto isso, o verdadeiro centro do problema permanece protegido: a ausência histórica de planejamento estrutural sério.


Nenhum serviço se fortalece destruindo o outro. E nenhuma equipe de saúde publica trabalha em de forma organizada quando temos falta do básico do básico, repito, a falta do básico é fatal , assinatura da falência da gestão da saúde pública. Você deixa faltar gás de cozinha da sua casa? É o básico do dia a dia...


Nenhuma equipe melhora atacando outra equipe igualmente sobrecarregada.


Porque no final do dia, todos estão tentando sobreviver dentro da mesma engrenagem.


E talvez esteja aí a reflexão mais importante:


A enfermagem é hoje a maior categoria profissional da saúde no Brasil.


Uma força gigantesca.


Uma estrutura humana essencial para o funcionamento do SUS.


Mas uma categoria desse tamanho não deveria gastar energia brigando internamente enquanto o sistema inteiro segue operando no limite do colapso.


O QUE FALTA NÃO É APENAS DINHEIRO. É CORAGEM DE GESTÃO.


Dinheiro importa.

Planejamento importa.

Financiamento importa.


Mas existe algo ainda mais raro em muitos municípios brasileiros:


  • Coragem e competência técnica para enfrentar os problemas reais da saúde pública.


Porque admitir o colapso operacional exige responsabilidade.


Exige transparência.


Exige abandonar o discurso emocional de rede social e enfrentar o que realmente interessa:


  • Gestão séria.

  • Chorar diante das câmeras não compra material.

  • Discurso sentimental não integra rede.

  • Narrativa política não resolve ausência de profissionais.

  • Marketing institucional não reduz fila.

  • Falar em perseguição política não resolve o problema.

  • Culpar a imprensa que traz os fatos para luz, não resolve o problema.


A saúde pública municipal não será salva por emoção.


Ela será salva por capacidade técnica, integração, planejamento e valorização real dos profissionais.



ESTAMOS TODOS NO MESMO BARCO


A saúde pública municipal não precisa de mais disputa entre profissionais:


Precisa de consciência coletiva.

Precisa de união técnica.

Precisa de profissionais entendendo que a cobrança correta não deve descer apenas para quem está na ponta.


Ela precisa subir:


Para as estruturas.

Para os modelos de gestão.

Para os planejamentos falhos.

Para os governos que ainda tratam prevenção como detalhe e atenção básica como setor secundário.

Porque quando o básico começa a faltar numa UBS, não é apenas um problema de estoque.


É um alerta institucional.


E talvez o maior deles seja este:


O sistema inteiro está cansado. E o usuário da saúde pública mais ainda...


Compartilhe este artigo com um profissional de saúde que precisa lembrar:


A força da saúde pública municipal está no conhecimento técnico, na integração e na união dos profissionais.


Não na separação.


Não no conflito interno.


E muito menos no sentimentalismo político que transforma tragédia administrativa em espetáculo emocional.


"Gestores públicos que deixam a prioridade da saúde pública em segundo plano, são como aqueles gestores de empresas privadas que deixam a prioridade de recolher o FGTS de seus funcionários também em segundo plano - acabam abrindo espaços para o descontrole dos processos mínimos e legais de trabalho" - Marcio Nolasco.


Fonte de pesquisa para essa matéria: Créditos para Rebeca Coimbra - a seguir.


Para Saber Mais... Estude essa postagem!



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