Os Desigrejados: o Descontentamento que Desfigura o Corpo de Cristo
- Christina Faggion Vinholo

- 20 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Christina Faggion Vinholo, teóloga
Especialista em AT e NT. V
Vivemos em tempos em que muitos se dizem cristãos, mas poucos suportam a comunhão dos santos. Multiplicam-se os “desigrejados”: aqueles que afirmam crer em Cristo, mas rejeitam Sua noiva — a Igreja. Dizem amar o Cabeça, mas desprezam o Corpo (Efésios 1:22-23). Procuram uma fé sem vínculos, uma espiritualidade sem cruz, um Cristo sem comunidade.
É verdade que a igreja local é imperfeita. Sempre foi. Desde Corinto, com seus partidos e pecados, até Laodiceia, com sua mornidão, as Escrituras nunca esconderam as falhas do povo de Deus. Mas fugir da comunhão não é solução — é rebelião. A igreja não é um produto para consumidores espirituais insatisfeitos; é o corpo vivo de Cristo, formado por pecadores redimidos que estão sendo santificados juntos.

A teologia reformada nos lembra que Deus opera por meio de meios — e a igreja é um deles. Por meio da pregação da Palavra, dos sacramentos e da disciplina, o Espírito Santo alimenta e preserva os eleitos. Abandonar a comunhão é desprezar os meios de graça (Atos 2:42). É tentar viver de forma autônoma uma fé que, por natureza, é comunitária.
O desigrejado costuma justificar-se: “Não preciso de igreja para ter fé.” Mas a Bíblia responde diferente: “O olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti” (1 Coríntios 12:21). O isolamento espiritual é orgulho disfarçado de discernimento. Quem só vê defeitos na igreja esquece que ele mesmo é parte do problema — e da solução.
Calvino dizia que a Igreja é nossa mãe, pois dela recebemos alimento espiritual e crescimento. Rejeitá-la é como um filho que, julgando-se maduro, abandona a casa, mas logo descobre que não pode viver sem o cuidado que desprezou.
A comunhão cristã é um exercício de humildade. Servir, suportar, perdoar — eis o caminho estreito da maturidade espiritual. O desigrejado busca pureza institucional; Deus, porém, busca corações quebrantados. Ele nos chama não a uma igreja perfeita, mas a um amor perseverante por uma igreja imperfeita — a mesma pela qual Cristo derramou Seu sangue (Efésios 5:25).
Portanto, se o teu coração se tornou crítico, distante e frio, lembra-te: o mesmo Cristo que te salvou, te colocou num corpo. Volta à comunhão. Não fujas dos pecadores que Ele também está transformando. A noiva ainda tem manchas, mas o Noivo prometeu purificá-la. E até que Ele venha, é entre irmãos falhos que aprendemos o que é a graça.
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