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O “time” de Ratinho Junior entra em campo: quem ganha com o discurso de que o Paraná precisa voltar a ter força em Brasília?

Por Márcio Nolasco – Analista de Políticas Públicas


A eleição de 2026 começa a revelar muito mais do que nomes. Começa a revelar estratégias de poder.


Na noite da ultima terça-feira (3), durante a convenção estadual do Republicanos, na Sociedade Urca, em Curitiba, cerca de 3 mil pessoas participaram de um evento que serviu para consolidar uma mensagem política: Alexandre Curi para o Senado, Sandro Alex para o Governo e a continuidade do grupo liderado pelo governador Ratinho Junior.



O discurso foi ensaiado.


A palavra “força” apareceu.


A palavra “municipalismo” apareceu.


A palavra “continuidade” apareceu.


E apareceu também uma expressão que merece atenção: “time”.


Ratinho Junior pediu que cada liderança fosse “um pouco Sandro Alex, um pouco Alexandre Curi e um pouco Rafael Greca”.


Pode parecer apenas uma frase de palanque.


Mas, politicamente, é muito mais do que isso.


É a apresentação pública de um projeto eleitoral integrado.


E quando um grupo político começa a se apresentar como um time, o eleitor precisa fazer uma pergunta simples:


Time de quem?


O Paraná perdeu força ou estão tentando vender uma nova narrativa?


Ratinho Junior afirmou que Alexandre Curi terá a missão de “resgatar a força política do Paraná em Brasília”.


É uma declaração forte.


Mas também é uma declaração que precisa ser confrontada.


Quando exatamente o Paraná perdeu essa força?


Quem deixou de representar o Estado?


Quais interesses deixaram de ser defendidos?


Quais projetos foram prejudicados?


Quais recursos não chegaram aos municípios?


E, principalmente:


o que Alexandre Curi pretende fazer de diferente no Senado?


Porque dizer que o Paraná precisa voltar a ter protagonismo é fácil.


Difícil é explicar qual será a estratégia para recuperar esse protagonismo.


O eleitor paranaense não pode ser chamado apenas para aplaudir.


Precisa ser chamado para entender.


O “senador dos prefeitos”


Sandro Alex apresentou Alexandre Curi como o futuro “senador dos prefeitos e dos municípios”.


É uma estratégia eleitoral inteligente.


Os 399 municípios do Paraná formam uma gigantesca rede política.


Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários, lideranças comunitárias e grupos políticos possuem influência direta sobre milhares de eleitores.


Quando se fala diretamente com os prefeitos, portanto, não se está falando apenas com prefeitos.


Está-se falando com uma estrutura política espalhada pelo Estado inteiro.


E aqui surge uma questão que o Portal Bisbilhoteiro considera inevitável:


ser o senador dos prefeitos significa ser o senador dos municípios ou significa ser o senador das estruturas políticas municipais?


São coisas diferentes.


Um município precisa de recursos, mas também precisa de planejamento.


Precisa de obras, mas também precisa de fiscalização.


Precisa de emendas, mas precisa de políticas públicas permanentes.


Precisa de Brasília, mas também precisa de autonomia.


O verdadeiro municipalismo não pode ser reduzido à fotografia de um senador ao lado de prefeitos.


O gabinete em Brasília será aberto para quem?


Alexandre Curi prometeu que os prefeitos voltarão a frequentar o gabinete de um senador.


A promessa parece positiva.


Mas o problema é que existe uma diferença entre abrir a porta de um gabinete e mudar a realidade dos municípios.


O que estará sobre a mesa?


Mais emendas?


Mais articulação política?


Mais recursos?


Reforma do pacto federativo?


Mudança na distribuição das receitas?


Defesa de investimentos estruturantes?


Fiscalização dos recursos públicos?


Essas são as perguntas que precisam acompanhar o discurso.


Porque o município brasileiro não pode continuar dependente exclusivamente da capacidade de articulação política de quem ocupa um gabinete em Brasília.


O verdadeiro debate deveria ser:


por que os municípios precisam implorar por recursos que deveriam chegar de forma mais justa e previsível?


A continuidade virou a principal bandeira


Outro ponto importante está na defesa explícita da continuidade do governo Ratinho Junior.


Alexandre Curi afirmou que Sandro Alex está preparado para dar sequência ao atual ciclo de desenvolvimento do Paraná.


Aqui está uma das principais linhas da eleição de 2026.


Não se trata apenas de eleger Sandro Alex.


Trata-se de manter um grupo político no comando do Estado.


E isso precisa ser debatido sem paixão partidária.



Se a proposta é continuidade, então a pergunta é inevitável:


continuidade de quê?


Daquilo que deu certo?


Também daquilo que precisa ser corrigido?


Das políticas públicas?


Da estrutura administrativa?


Das alianças?


Do modelo de investimentos?


Da relação com os municípios?


Da forma de fazer política?


Uma eleição madura não pode ser resumida a “continuar porque está funcionando”.


É preciso mostrar onde está funcionando, quanto está funcionando e para quem está funcionando.


“Não existe projeto de poder”


Alexandre Curi afirmou:


“Aqui não existe projeto de poder. Existe um projeto de governo que coloca o Paraná em primeiro lugar.”

É uma frase que merece ser colocada sob escrutínio.


Porque toda eleição é, de alguma maneira, uma disputa pelo poder.


E não há nada de ilegítimo nisso.


O problema começa quando o poder deixa de ser instrumento para executar um projeto e passa a ser o próprio objetivo.


Por isso, a questão não é perguntar se existe um projeto de poder.


A pergunta correta é:


para que o poder será utilizado?


Quem serão os beneficiados?


Quais serão as prioridades?


Quem terá acesso?


Quem será ouvido?


E quem ficará de fora?


É isso que a sociedade precisa acompanhar.


Três nomes, uma mesma estratégia


Ratinho Junior, Sandro Alex e Alexandre Curi aparecem cada vez mais integrados em uma mesma construção política.


Um deixa o governo e prepara seu sucessor.


Outro entra na disputa pelo Palácio Iguaçu.


E o terceiro busca uma das duas cadeiras do Paraná no Senado.


Ao lado deles, Rafael Greca também é apresentado como parte do mesmo “time”.


É uma composição politicamente poderosa.


Mas também cria uma responsabilidade proporcional ao tamanho desse grupo.


Quanto maior a força política, maior precisa ser a cobrança pública.


Não existe democracia saudável quando grupos políticos acumulam força sem enfrentar fiscalização proporcional.


A máquina política está sendo montada


O evento do Republicanos mostrou uma estrutura que vai muito além de uma simples convenção partidária.


Representantes de aproximadamente 300 municípios estiveram presentes.


Prefeitos, vereadores, deputados e lideranças políticas participaram.


O recado foi dado.


A articulação está em andamento.


O grupo está se organizando.


E a campanha de 2026 começa, na prática, muito antes do horário eleitoral.


É justamente por isso que o eleitor precisa prestar atenção agora.


Porque quando a campanha oficial começar, muitas decisões já terão sido tomadas.


As alianças estarão praticamente definidas.


Os grupos estarão organizados.


As narrativas estarão prontas.


E os discursos estarão ensaiados.


Mas quem fiscaliza o “time”?


Essa talvez seja a pergunta mais importante.


Ratinho Junior pede que todos sejam um pouco Sandro Alex, Alexandre Curi e Rafael Greca.


Mas o eleitor não precisa ser “um pouco” de nenhum deles.


O eleitor precisa ser inteiro.


Inteiro para perguntar.


Inteiro para cobrar.


Inteiro para comparar.


Inteiro para discordar.


Inteiro para votar.


O Paraná pode, sim, buscar maior protagonismo em Brasília.


Pode, sim, querer representantes mais atuantes.


Pode, sim, defender uma política municipalista.


Mas protagonismo não pode significar apenas influência política.


Municipalismo não pode significar apenas proximidade com prefeitos.


E continuidade não pode significar ausência de crítica.



O Portal Bisbilhoteiro vai acompanhar essa disputa.


Vamos observar os discursos, mas também os números.


As promessas, mas também os resultados.


As alianças, mas também os interesses.


As obras, mas também os custos.


As emendas, mas também quem recebe.


E os discursos sobre “força política”, mas também quem realmente ganha essa força quando ela chega a Brasília.


Porque em 2026 o Paraná não escolherá apenas candidatos.


Escolherá quem terá poder para falar em nome do Estado.


E quando alguém pede esse poder ao eleitor, o mínimo que a democracia exige é uma coisa:


transparência sobre o que pretende fazer com ele.


Portal Bisbilhoteiro — onde o discurso termina e começam as perguntas.

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