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O teatro das Convenções.

Dia 05 de agosto é uma data com significado especial no calendário eleitoral porque marca o fim das convenções partidárias, exigindo que os partidos definam sua chapa para as eleições proporcionais e definam candidatos ou parcerias para as eleições majoritárias. Fechamos este primeiro round eleitoral sem nocaute, algumas discutíveis vitórias por pontos, mas nada que implique em alterações nas projeções eleitorais.



Jogando os holofotes para Brasília, não há um notório vencedor, mas algumas candidaturas e partidos que sofreram menos danos. Podemos afirmar que o PT de Lula teve um desempenho regular, não cresceu um milímetro em relação às expectativas, mas em efeito comparativo, pode comemorar a solidão do PL, sem dúvida o maior prejudicado neste jogo preliminar.


Lula manteve a estrutura das eleições anteriores, com a mesma coligação e repetindo Geraldo Alckimin como vice. Não fez esforços notórios para ampliar as alianças partidárias, porém, talvez seja apenas feeling pessoal, deve ter pressionado as legendas mais fortes para manterem a neutralidade, deixando a definição por conta de cada unidade estadual, reduzindo as possibilidades do principal adversário avançar sobre o tempo do palanque eletrônico, limitar o caixa de campanha ao cofre do PL e, principal prejuízo, impedindo que Flávio Bolsonaro transitasse pelas alternativas preferidas para escolha da vice.


Não acredito na hipótese que corre pelos bastidores que até pressão em “coligação” informal com o Judiciário tenha sido acionada, simplesmente porque as pautas mais bombásticas não separam os alvos por polo ideológico, sendo flagrante que tanto no INSS quanto no caso do Banco Master, a lista de suspeitos percorre diversas legendas, de novo um caso de corrupção ecumênica. É mais razoável supor que os fatos mais recentes indicam que o isolamento de Flávio Bolsonaro não foi um gol do PT, mas um provável gol contra do candidato, especialista em arrumar confusão neste início de campanha.


Admitindo que o baú de erros de cada campanha seja limitado, é justo esperar que Lula se preocupe porque seu adversário já gastou quase todo o estoque de trapalhadas, podendo ser razoável esperar que, a qualquer momento, a campanha conservadora consiga administrar seus conflitos internos.



Com foco nas demais legendas, importa avaliar seus objetivos primários; garantir o melhor resultado possível nas eleições proporcionais, com repercussão direta no tamanho da mordida de cada legenda no fundão partidário e eleitoral. Participar das chapas majoritárias implica em destinar parcelas significativas do fundão para a conta da campanha e como poucos candidatos majoritários, o dinheiro jorra mais forte na conta dos deputados sócios das legendas, além de, em uma eleição com indiscutíveis dois turnos, postergar a negociação para um segundo momento onde uma pesquisa bastante confiável, a votação do primeiro turno, minimiza o risco da aposta para as legendas de centro, cuja vocação sempre foi o poder e não se envergonham em abraçar o titular do Planalto, independente de qualquer outra circunstância. Cinicamente, alguns declaram com desfaçatez; “Estamos sempre na mesma posição, na situação, o povo é que fica brincando de trocar a nossa chefia”.


Se a eleição não fosse decidida pela rejeição, o prejuízo da direita seria mais evidente. Este polo tinha os governadores Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Eduardo Leite e até Romeu Zema e Ronaldo Caiado, além de Michele Bolsonaro, um ótimo leque para compor uma chapa que, por fim, deverá ter Flávio Bolsonaro com a Senadora Damaris ou, mais provavelmente o Senador astronauta Marcos Pontes, embora nada indique que a dobradinha esteja vocacionada para ir ao espaço.


Logo que se encerre esta etapa, no próximo dia 15, a situação dual deve retornar, sem alterações substanciais na distância das pesquisas entre Lula e Flávio, talvez com um ponto negativo para o petista; nem mesmo a sucessão de erros de Flávio permitiu a criação de alguma gordura eleitoral. Sem dúvida, a limitação do tempo de Rádio e TV, no palanque eletrônico, é o grande prejuízo da oposição porque, mesmo em legendas onde a grande maioria das regionais seguirá com o PL, esta situação resultará em acréscimo de recursos ou tempo de exposição, fatores fundamentais na campanha.


Outra questão, a possibilidade de fechar a conta no primeiro turno, que, durante algumas semanas alimentou os sonhos petistas, está, na medida do razoável, descartada. Serão dois turnos, no primeiro tempo decidido pelos votos a favor e no segundo a ser decidido pela comparação dos universos que rejeitam os candidatos, triste retrato da nossa política, polarizada e cada vez mais personalista.


Outra foto em cores fortes desta etapa foi a prioridade absoluta das grandes legendas assumida pelas legendas. Tome como referência a Regional paranaense do MDB que, na semana anterior, tinha candidato a governador competitivo e candidato ao Senado favorito que, em análise pragmática, avançaria bastante sobre os recursos do partido, hoje apenas uma legenda média, que, provavelmente por falta de empenho da Executiva Nacional, aprovou uma composição, com toda a cara de rendição com o PSD paranaense que deve ter incluído um substancial patrocínio para seus principais nomes da chapa federal.


Permito-me concluir que a principal dicotomia da nossa política esteja presente nos olhares opostos de eleitores e políticos, com os primeiros preocupados em fazer a melhor escolha, mesmo quando sustentados por premissas imprecisas e os últimos fazendo as contas do melhor negócio.


Difícil ser feliz com este desenho. Mude apenas duas regras; fim das reeleições para o Executivo e voto distrital nas proporcionais que, no máximo em duas eleições, geramos uma grande renovação e, principalmente, qualificação dos quadros políticos.


Por que não acontece? Simplesmente porque as regras são produzidas para preservar a classe política e não para priorizar o interesse coletivo. Não acredita? Confere a lista de políticos que nunca perdem eleições e estão sempre nos braços do poder.

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