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O Ralo Invisível de Cianorte: Como Materiais Públicos de Construção Saem dos Depósitos e Param em Obras Particulares

Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP


Cianorte, PR


O roteiro é antigo, mas o prejuízo é sempre novo. Em Cianorte, o dinheiro do contribuinte parece estar sendo transformado em cimento e tijolo para erguer muros privados. Uma investigação em curso revela que o depósito central de materiais de construção da prefeitura transformou-se em um duto de desvios, abastecendo endereços aleatórios de terceiros com insumos pagos com o suor do cidadão cianortense.


O que começou como um escândalo isolado na Secretaria de Saúde agora ganha contornos de um esquema sistêmico, ramificado e profundamente enraizado na máquina pública local.



O Precedente: O Escândalo na Saúde


Não se trata de mera suspeita ou boato de corredor. Há pouco tempo, a Secretaria de Saúde foi o epicentro de uma crise moral: materiais de construção comprados para reformar ou ampliar unidades de atendimento médico foram flagrantemente desviados para as calçadas de particulares.


Na época, o prefeito Marco Franzato foi notificado sobre o esquema. Processos Administrativos Disciplinares (PADs) foram abertos e, diante da gravidade das evidências, um funcionário público chegou a ser exonerado. Parecia o fim de um caso isolado. Mas era apenas a ponta do iceberg.


O Repeteco do Crime: Novas Denúncias Apontam para um possível Esquema Sistêmico


A calmaria durou pouco. Novas denúncias, obtidas com exclusividade por nossa equipe, apontam que o mesmo modus operandi continua ativo, utilizando o mesmo depósito fornecedor. A sangria de recursos públicos mudou apenas o destino de origem, mas o destino final continua sendo o bolso e as obras de terceiros.


Desta vez, as fraudes supostamente envolvem insumos básicos e de alto giro: sacos de cimento, tijolos e lajotas. Os materiais, que legalmente deveriam ser destinados a reformas essenciais, estão desaparecendo das notas fiscais e das contagens físicas de outras quatro pastas fundamentais:


  • Secretaria de Educação: Prejudicando a manutenção de escolas e creches.

  • Cemitério Municipal: Onde a infraestrutura básica já padece.

  • Pátio Rodoviário / Serviços Públicos: Afetando a zeladoria da cidade.

  • Assistência Social: Retirando recursos de quem mais precisa.


O Posicionamento Oficial: A Redoma de Silêncio se Rompe


Nossa equipe de reportagem confrontou o núcleo duro da administração municipal. Em contato e conversa pessoal assim como por menssagens via whatsApp e com torca de áudios, tanto a Secretária de Administração quanto a Secretária de Comunicação de Cianorte não apenas admitiram o escândalo anterior na Saúde, como confirmaram a pior das hipóteses: o mesmo esquema está sendo investigado agora nas demais secretarias.



Perguntada diretamente se o prefeito Marco Franzato tinha conhecimento de que o duto de desvios continuava aberto e sangrando outras pastas, a Secretária de Administração foi categórica: Sim, o prefeito está ciente.


"A ciência da alta cúpula do Executivo transforma o caso de uma falha de fiscalização burocrática em uma crise política e moral sem precedentes para a gestão atual - como se já não basta-se os outros problemas na área de saúde e no transporte escolar."

A Ofensa Direta à Lei: Improbidade Administrativa e Corrupção


O que está acontecendo em Cianorte não é um "deslize decorrente de desorganização". É indícios de corrupção. É o patrimônio do povo sendo loteado. Onde já rendeu uma exoneração.


A conduta dos envolvidos choca-se de frente com a Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992), configurando enriquecimento ilícito e prejuízo ao erário. Além disso, o desvio de bens públicos por quem tem o dever de guardá-los ou gerenciá-los tipifica o crime de peculato, previsto no Código Penal.


O coração da Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 37, foi rasgado em Cianorte. O esquema viola simultaneamente os cinco pilares da Administração Pública:

Princípio Constitucional

Como foi quebrado no esquema de Cianorte

Legalidade

Bens públicos foram desviados à margem absoluta da lei e dos contratos administrativos.

Impessoalidade

O interesse público foi preterido para privilegiar o patrimônio de terceiros "escolhidos".

Moralidade

Afronta a ética esperada de agentes pagos pelo povo para zelar pelo bem comum.

Publicidade

O sumiço de materiais ocorre nas sombras, mascarado por trâmites obscuros de depósito.

Eficiência

O dinheiro sai dos cofres, as obras públicas atrasam ou encarecem, e o cidadão perde duas vezes.


A Hora da Verdade


Cianorte não pode aceitar o desvio de tijolos e sacos de cimento como um "custo normal" da política local.


"Cada saco de cimento desviado para uma obra particular é uma calçada a menos em uma escola, uma melhoria a menos em um posto de saúde, um direito a menos para a população carente." - Marcio Nolasco.


Aberturas de sindicâncias internas e exonerações de "bodes expiatórios" já não bastam. Diante da deníncia de que o esquema sobreviveu e se espalhou, cabe agora uma investigação profunda, independente e rigorosa do Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) e da Câmara de Vereadores.


Os fatos estão postos, e se as secretarias confirmarem a fumaça, restará expor o incêndio por completo.


Comprovados os fatos, exige-se a imediata aplicação das medidas legais cabíveis: o ressarcimento integral ao erário, a perda das funções públicas dos envolvidos e a indisponibilidade dos bens de quem ousou construir seu patrimônio privado com o cimento do povo de Cianorte. A sociedade exige respostas, punição e o fim do ralo invisível. E esse "nosso jeito de fazer gestão" prefeito, tem que ser corrigido com urgência! Ou nem sacos de cimento se consegue controlar pelos fiscais de compras e entregas?

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Charge - Nolasco

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