O POLÍTICO NÃO TEM CULPA. A CULPA É DE QUEM APERTA O 13, 22, 15, 45... E DEPOIS FINGE QUE NÃO SABIA
- Marcio Nolasco

- há 1 dia
- 7 min de leitura
SIM, VOCÊ MESMO. PARE DE OLHAR PARA O GABINETE E SE OLHE NO ESPELHO. O CORRUPTO NÃO NASCEU ELEITO. ALGUÉM COLOCOU ELE LÁ.
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas
Vamos acabar com a hipocrisia.
Toda vez que aparece um escândalo, envolvendo políticos de nível nacional, estadual ou da sua cidade, começa o espetáculo.
“Político ladrão!”
“Político corrupto!”
“Essa gente não presta!”
“Tem que prender!”
“Tem que acabar com a corrupção!”
Bonito.
Revoltante.
Indignado.
E, muitas vezes, absolutamente conveniente.
Porque existe uma pergunta que quase ninguém quer responder:

QUEM COLOCOU ESSE POLÍTICO LÁ?
O Espírito Santo?
O acaso?
O destino?
Uma força sobrenatural?
Não. Foi o eleitor, você, é você mesmo...
Foi a urna.
Foi o voto.
Foi você!!
E antes que alguém saia correndo para dizer que este editorial está defendendo político corrupto, pare e leia até o fim. Você perde tanto tempo do dia com seus kkkk nas redes, então leia...
Político que rouba é ladrão.
Político que desvia dinheiro público é criminoso.
Político que frauda, corrompe, mente ou usa o Estado em benefício próprio deve responder pelos seus atos.
Sem desculpa.
Sem relativização.
Sem passar pano.
Mas existe uma segunda responsabilidade que a democracia brasileira insiste em esconder debaixo do tapete:
A RESPONSABILIDADE DE QUEM ESCOLHE.
O BRASIL É A ÚNICA EMPRESA ONDE O DONO CONTRATA SEM LER O CURRÍCULO
Imagine uma empresa chamada Brasil.
O dono é você.
Milhares de candidatos aparecem na porta.
Cada um entrega um currículo.
“Sou o candidato da mudança.”
“Vou transformar a cidade.”
“Vou cuidar da saúde.”
“Vou acabar com a corrupção.”
“Vou defender o povo.”
“Vou fazer diferente.”
“Pode confiar em mim.”
E o dono da empresa — o eleitor — olha para a propaganda, vê a fotografia bonita, escuta o discurso emocionante e diz:
“Contratado!”
Sem entrevista.
Sem investigação.
Sem referência.
Sem olhar o passado.
Sem conferir o currículo.
Sem saber quem financiou a campanha.
Sem saber se já administrou alguma coisa.
Sem saber se já respondeu a processos.
Sem saber se já esteve envolvido em escândalos.
Sem saber absolutamente nada.
Mas vota!
Depois de alguns anos, a empresa está quebrada.
O caixa desapareceu.
As obras estão atrasadas.
O serviço público está uma porcaria.
A saúde está em crise.
A educação está abandonada.
O político está cercado de privilégios.
E o dono da empresa olha para o funcionário que ele mesmo contratou e berra:
“LADRÃO!”
É.
Pode ser.
Mas uma pergunta continua esperando resposta:
POR QUE VOCÊ CONTRATOU?
E TEM QUEM DIGA, CONTRATARIA ELE(A) ETERNAMENTE!
A URNA NÃO É LAVANDERIA MORAL
Tem eleitor que parece acreditar que apertar um botão na urna produz automaticamente um certificado de inocência.
Não produz.
Votar é escolher.
Escolher é assumir responsabilidade.
E responsabilidade não termina quando a urna fecha.
Começa ali.
O sujeito não pode votar em qualquer um porque ganhou um favor e depois passar quatro anos reclamando do prefeito, deputado, governador ou presidente que ele mesmo votou...
Não pode votar porque recebeu um abraço.
Não pode votar porque ganhou uma cesta.
Não pode votar porque ganhou gasolina.
Não pode votar porque o candidato prometeu um emprego.
Não pode votar porque “ele é gente boa”.
Não pode votar porque “todo mundo conhece ele”.
Não pode votar porque “ele é amigo do meu pai”.
Não pode votar porque o vídeo dele ficou bonito.
E muito menos porque alguém mandou uma mensagem no WhatsApp dizendo:
“Confia.”
Política não é amizade.
Política não é fã-clube.
Política não é torcida organizada.
POLÍTICA É PODER. E POLITICO AMA O PODER E NÃO AMA VOCÊ ELITOR, VOCÊ É APENAS CARNE PARA O ALMOÇO DO POLÍTICO
E quem entrega poder sem pesquisar está brincando com o próprio futuro.
O ELEITOR BRASILEIRO PRECISA PARAR DE ELEGER ÍDOLOS
Esse talvez seja o maior câncer da política brasileira.
O eleitor não quer representante.
Quer salvador.
Não quer fiscalizar.
Quer acreditar.
Não quer questionar.
Quer defender.
Não quer investigar.
Quer compartilhar.
E quando seu político de estimação é acusado de alguma coisa, o raciocínio desaparece.
Não importa o documento.
Não importa a investigação.
Não importa a evidência.
A pergunta passa a ser:
“Mas e o outro?” o outro é ladrão e é pior... e por ai vai...
O outro também pode ser corrupto.
O outro também pode ser incompetente.
O outro também pode ser criminoso.
E daí?
Se o seu candidato roubou, não deixa de ser roubo porque o adversário também roubou.
Se o seu político mentiu, não deixa de ser mentira porque o outro também mente.
Se o seu grupo errou, não existe absolvição automática porque o grupo adversário também errou.
ISSO NÃO É POLÍTICA. É FANATISMO.
O POLÍTICO APRENDE RÁPIDO
E aqui está o segredo que a classe política conhece muito bem.
O político observa.
Ele percebe o que o eleitor perdoa.
Percebe o que o eleitor esquece.
Percebe o que o eleitor tolera.
Percebe quais escândalos desaparecem em quinze dias.
Percebe quais promessas ninguém cobra.
Percebe quais grupos defendem qualquer absurdo.
E então aprende.
Aprende que pode errar.
Aprende que pode prometer.
Aprende que pode não entregar.
Aprende que pode trocar de discurso.
Aprende que pode trocar de partido.
Aprende que pode trocar de aliados.
E, em alguns casos, aprende algo ainda mais perigoso:
QUE PODE SER REELEITO MESMO DEPOIS DE TUDO.
Quer prova disso? Naõ precisa ir longe, olhe para os atos do prefeito de sua cidade!!
Aí o problema deixa de ser apenas o político.
Vira um problema social.
O ELEITOR QUE PERDOA TUDO ENSINA O POLÍTICO A FAZER QUALQUER COISA
Não existe impunidade política sem tolerância política.
Não existe político eterno sem eleitor eternamente conivente.
Não existe “político que ninguém tira” sem alguém continuar colocando voto na urna.
E não existe democracia forte quando o eleitor transforma corrupção em argumento de torcida:
“Mas ele fez, só que fez pelo nosso lado.”
Não.
Roubo não tem ideologia.
Desvio não tem partido.
Fraude não tem bandeira.
Corrupção não fica honesta porque o corrupto veste a camisa do grupo que você apoia.
LADRÃO DE DIREITA CONTINUA SENDO LADRÃO.
LADRÃO DE ESQUERDA CONTINUA SENDO LADRÃO.
LADRÃO DE CENTRO CONTINUA SENDO LADRÃO.
LADRÃO DE DINHEIRO PÚBLICO CONTINUA SENDO LADRÃO.
E o dinheiro roubado continua sendo dinheiro público.
DINHEIRO SEU.
CHEGA DE CULPAR SÓ O POLÍTICO
É claro que o político precisa ser cobrado.
Mas o eleitor também.
E talvez esteja na hora de uma cobrança que ninguém gosta:
ANTES DE EXIGIR POLÍTICOS MELHORES, PRODUZA
ELEITORES MAIS RESPONSÁVEIS.
Pesquise.
Leia.
Compare.
Questione.
Fiscalize.
Desconfie.
Não entregue sua consciência junto com seu voto.
Não transforme político em santo.
Não aceite promessa como prova de competência.
Não confunda popularidade com capacidade.
Não confunda carisma com caráter.
Não confunda discurso com resultado.
E, principalmente:
NÃO ENTREGUE O COFRE PARA QUEM VOCÊ NÃO DEIXARIA CUIDAR
DA SUA CARTEIRA.
O ESPELHO ESTÁ NA SUA FRENTE
É muito confortável dizer:
“Esse país não tem jeito.”
Mais confortável ainda:
“Político nenhum presta.”
Mas talvez a pergunta correta seja outra:
Que tipo de político nós estamos escolhendo?
Porque democracia é isso.
A sociedade escolhe.
A sociedade delega.
A sociedade fiscaliza.
E depois escolhe novamente.
Se o sujeito é péssimo e você teve oportunidade de conhecer seu passado, seus atos e suas contradições — e mesmo assim apertou o botão — não coloque toda a responsabilidade no político.
Você participou da contratação.
E AGORA, NOLASCO?
Agora eu digo diretamente ao leitor do Bisbilhoteiro, é você mesmo!
Não espere que este editorial faça carinho em você.
Não é essa a função.
A função é incomodar.
Se você votou em alguém porque pesquisou, comparou propostas, analisou histórico e acompanhou a vida pública do candidato, ótimo.
Se acertou, continue fiscalizando.
Se errou, reconheça.
Mas se você vota cegamente, defende cegamente, compartilha cegamente, reelege cegamente e depois passa quatro anos dizendo que “político não presta”...
DESCULPE. O PROBLEMA NÃO ESTÁ APENAS NO PALÁCIO, OU NO
SEU MUNICÍPIO
Está também na sala de estar.
Na roda de amigos.
No grupo de WhatsApp.
Na família.
Na conversa de bar.
Na fila do mercado.
E principalmente:
NA URNA!!
O POLÍTICO NÃO CAI DO CÉU
Ele é produzido pela sociedade.
É promovido pela sociedade.
É eleito pela sociedade.
É mantido pela sociedade.
E, muitas vezes, é reeleito pela sociedade.
Por isso, talvez a pergunta mais importante desta eleição não seja:
“Em quem você vai votar?”
A pergunta deveria ser:
“POR QUE VOCÊ VAI VOTAR NELE?”
Se a resposta for “porque ele é famoso”...
Perigo.
Se for “porque todo mundo gosta dele”...
Perigo.
Se for “porque ele prometeu”...
Perigo.
Se for “porque ele é do meu partido”...
Perigo máximo !!!
Agora, se você consegue explicar o passado, as propostas, o desempenho, as alianças, os interesses e o histórico do candidato...
Aí você não está apenas apertando um botão.
Está exercendo cidadania.
A ELEIÇÃO É O DIA DA PROVA
Durante a campanha, todo candidato promete.
No dia da eleição, o eleitor responde.
Depois da eleição, a conta chega.
E quando a conta chega, não adianta rasgar o voto.
Não adianta apagar o vídeo.
Não adianta dizer que não sabia.
Não adianta culpar apenas o adversário.
Não adianta dizer que “todo político é igual”.
Porque você teve uma escolha.
E ESCOLHA TEM CONSEQUÊNCIA.
EDITORIAL BISBILHOTEIRO
Talvez o Brasil não precise apenas de uma reforma política.
Talvez precise de uma reforma na maneira como o cidadão escolhe seus representantes.
Porque enquanto continuarmos elegendo pessoas como quem escolhe participante de reality show, não podemos ficar surpresos quando o resultado for um desastre.
O político que rouba deve pagar.
O político que mente deve ser desmascarado.
O político incompetente deve ser derrotado.
Mas o eleitor também precisa assumir sua parte.
PARE DE PROCURAR O CULPADO APENAS NO GABINETE.
OLHE PARA O ESPELHO.
Porque o político pode entrar no poder com uma assinatura.
Mas só entra pela porta da frente quando milhões de pessoas decidem abrir a porta.
ELE NÃO CHEGOU LÁ SOZINHO.
ALGUÉM VOTOU.
ALGUÉM ESCOLHEU.
ALGUÉM CONTRATOU.
E, numa democracia, essa é a verdade que dói:
O POLÍTICO RESPONDE PELO QUE FAZ.
O ELEITOR RESPONDE PELO QUE ESCOLHE.
E SE VOCÊ NÃO QUER MAIS POLÍTICOS RUINS, COMECE PELO SEU
VOTO.
O ESPELHO ESTÁ NA SUA FRENTE.
TENHA CORAGEM DE OLHAR E VER VOCÊ ELEITOR LÁ... VOCÊ O CULPADO!
Marcio Nolasco
Analista de Políticas Públicas
Portal Bisbilhoteiro



.png)






Comentários