O Dilema de Ratinho Junior: O Peso do Paraná na Balança de 2026
- Marcio Nolasco

- há 6 dias
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Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
As recentes pesquisas eleitorais para a sucessão presidencial de 2026 desenham um cenário de "tira-teima" histórico. Com Lula e Flávio Bolsonaro oscilando entre 51% e 52% das intenções de voto em simulações de segundo turno, o Brasil se vê novamente rachado ao meio. Nesse tabuleiro de xadrez, uma peça move-se com cautela estratégica, mas seu peso é capaz de definir o jogo: o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD).

Após desistir de sua própria pré-candidatura ao Planalto para focar na sucessão estadual e na blindagem de seu grupo político, Ratinho Junior tornou-se o "fiel da balança". Mas, afinal, para onde penderá o apoio do governador mais bem avaliado do Sul do país?
O Fator Regional e a Força do Bolsonarismo
Não se pode ignorar a realidade dos números no Paraná. Dados da AtlasIntel de abril de 2026 mostram que, no estado, Flávio Bolsonaro ostenta confortáveis 52% contra os 33,5% de Lula. Para Ratinho Junior, ignorar esse abismo seria um suicídio político. Seu eleitorado é majoritariamente conservador, ligado ao agronegócio e refratário às pautas da esquerda.
Apoiar Lula significaria romper com sua base orgânica. Por outro lado, a aliança com Flávio Bolsonaro parece o caminho natural, mas não é isenta de espinhos.
O Xadrez com Sérgio Moro
O grande complicador de Ratinho Junior não se chama Lula, mas sim Sérgio Moro. Com o ex-juiz liderando as pesquisas para o Governo do Paraná, o governador precisa de um aliado federal que não lhe entregue "de bandeja" ao seu maior rival local. A recente aproximação entre o PL de Flávio e Moro no estado coloca Ratinho em uma saia justa: como apoiar o filho do ex-presidente se este pode dar palanque ao seu adversário direto na sucessão estadual?
O Pragmatismo de Gilberto Kassab
Ratinho Junior é um expoente do PSD, o partido que profissionalizou o pragmatismo. Sob a batuta de Gilberto Kassab, a legenda mantém um pé no ministério de Lula e outro na oposição. No entanto, para 2026, o "muro" está ficando estreito.
A tendência é que Ratinho Junior adote uma postura de "neutralidade benevolente" no primeiro turno — possivelmente apoiando um nome de centro-direita do próprio PSD, como Ronaldo Caiado — para, no segundo turno, consolidar o apoio a Flávio Bolsonaro. É uma jogada de sobrevivência:
Mantém a coerência com o eleitor paranaense.
Protege seu sucessor no Paraná contra o avanço do PT.
Garante espaço em um eventual governo de direita, posicionando-se como o herdeiro moderado do espólio bolsonarista para 2030.
Embora o governo federal tente seduzir o Paraná com obras e verbas, a ideologia e a dinâmica regional falam mais alto. Ratinho Junior sabe que, em uma eleição decidida por 1% ou 2%, o Paraná é o seu maior trunfo. No final das contas, o apoio do governador não será apenas uma escolha de nomes, mas um cálculo frio de sobrevivência: ele estará onde o seu eleitor já está. E hoje, esse lugar é bem longe do PT.
E você caro leitor, acredita que a rivalidade local com Sérgio Moro pode realmente empurrar Ratinho Junior para uma neutralidade mais longa do que o esperado?
Charge - NOLASCO














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