O dia em que a Câmara de Cianorte decide entre a credibilidade e o corporativismo
- Marcio Nolasco

- há 48 minutos
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A votação sobre o arquivamento do pedido de cassação do vereador Victor Hugo Davanço marcada para 25/05/26 às 16:00 horas pode marcar um divisor de águas na política de Cianorte — seja pelo descrédito institucional ou por um racha político dentro da base do governo.
A política tem momentos que passam despercebidos pela história. Outros, porém, ficam registrados como pontos de ruptura, momentos em que instituições revelam quem realmente são.
A votação que decidirá se o pedido de cassação contra o vereador Victor Hugo Davanço será arquivado ou continuará tramitando na Câmara Municipal de Cianorte é um desses momentos.
Não se trata apenas de um procedimento administrativo ou de mais uma disputa entre grupos políticos.
Trata-se de algo muito maior.
Trata-se de credibilidade institucional, ética pública e responsabilidade política.
E, acima de tudo, de uma pergunta simples: até onde vai o corporativismo político?
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP

O teste real da Câmara
Câmaras municipais, em qualquer cidade do Brasil, possuem um papel essencial dentro do sistema democrático.
São elas que fiscalizam o poder executivo, que representam a população e que funcionam como uma espécie de guardião da legalidade dentro do município.
Quando um vereador se torna alvo de um processo de cassação, o que está em jogo não é apenas o mandato de uma pessoa.
O que está em jogo é a capacidade da própria Câmara de demonstrar que possui independência, seriedade e compromisso com a sociedade.
E é justamente aí que a votação sobre o arquivamento do processo contra Victor Hugo Davanço se transforma em um verdadeiro teste institucional.
Se a maioria dos vereadores decidir pelo arquivamento do pedido de cassação, a mensagem transmitida para a população será extremamente clara.
E também extremamente perigosa.

O risco do corporativismo político
A história política brasileira está repleta de episódios em que parlamentares protegem seus próprios colegas, mesmo diante de denúncias graves ou questionamentos éticos relevantes.
Esse fenômeno tem nome.
Chama-se corporativismo político.
É quando o instinto de autoproteção do grupo fala mais alto do que o compromisso com a sociedade.
Em termos práticos, o raciocínio costuma ser simples:
Hoje cassam um colega.
Amanhã podem cassar outro.
E assim, para evitar precedentes, muitos preferem enterrar processos antes mesmo que eles sejam devidamente investigados.
Se o pedido de cassação contra Victor Hugo Davanço for arquivado sem que o processo avance para uma análise mais profunda, inevitavelmente surgirá na opinião pública uma sensação difícil de evitar.
A sensação de que os vereadores decidiram proteger um dos seus.
E isso pode custar caro.
Muito caro.
Porque instituições políticas sobrevivem de uma coisa fundamental: confiança pública.
Quando essa confiança se rompe, recuperar credibilidade é um processo longo e doloroso.
A Câmara diante de um dilema histórico
Neste momento, os vereadores de Cianorte estão diante de um dilema político real.
Arquivar o processo pode significar evitar turbulências internas, preservar alianças e manter a estabilidade da base política que sustenta o governo municipal.
Mas essa decisão pode gerar um efeito colateral devastador.
A percepção de que a ética pública foi sacrificada no altar da conveniência política.
Por outro lado, permitir que o processo de cassação continue tramitando também não será uma decisão simples.
Muito pelo contrário.

O possível terremoto político
Se a maioria dos vereadores votar pela continuidade do processo contra Victor Hugo Davanço, o cenário político local pode entrar em um território completamente novo.
Isso porque, ao permitir o avanço da investigação, alguns vereadores da base governista inevitavelmente terão que se posicionar contra um aliado político.
E é aí que o tabuleiro muda.
Uma votação favorável à continuidade do processo pode abrir um racha dentro da base política que sustenta o governo municipal.
Aliados podem se dividir.
Lideranças podem entrar em rota de colisão.
A relação entre Executivo e Legislativo pode sofrer abalos.
E o ambiente político da cidade pode se tornar muito mais turbulento.
Em outras palavras:
Se o processo continuar, o sistema político local poderá produzir muito barulho.
Muito ruído.
Muito desgaste.
O silêncio que custa caro
Mas há algo que precisa ser dito com clareza.
O silêncio institucional quase sempre cobra um preço alto.
Quando processos são arquivados de forma prematura, quando denúncias deixam de ser analisadas com profundidade ou quando decisões são tomadas apenas para preservar alianças políticas, quem perde não é apenas a transparência.
Quem perde é a própria democracia local.
Porque a população começa a perceber que as regras não são iguais para todos.
Que existe uma espécie de zona de proteção política dentro das instituições.
E essa percepção corrói lentamente a confiança da sociedade.
A decisão que marcará a história política local
Independentemente do resultado, a votação sobre o arquivamento do pedido de cassação de Victor Hugo Davanço dificilmente passará despercebida.
Ela será lembrada.
Será comentada.
Será analisada.
Porque ela representa algo maior do que um simples procedimento legislativo.
Ela representa uma escolha entre dois caminhos.
De um lado, a possibilidade de proteger um colega e preservar o equilíbrio político interno.
Do outro, a decisão de permitir que um processo siga adiante, ainda que isso provoque turbulência dentro da própria base governista.
Nenhum desses caminhos é confortável.
Mas apenas um deles preserva a ideia de que as instituições existem para servir à sociedade — e não aos interesses internos da política.
Credibilidade ou conveniência
Se o pedido de cassação for arquivado, muitos cidadãos inevitavelmente interpretarão essa decisão como um gesto de autoproteção política.
Nesse cenário, a Câmara Municipal corre o risco de sofrer algo ainda mais grave do que críticas momentâneas.
Ela pode sofrer uma erosão profunda de credibilidade.
E quando uma instituição perde credibilidade, ela perde algo essencial: autoridade moral.
Sem autoridade moral, qualquer discurso sobre ética pública passa a soar vazio.
Sem autoridade moral, qualquer promessa de fiscalização do poder público perde força.
Sem autoridade moral, a própria função institucional da Câmara fica comprometida.
Em outras palavras:
Se o processo for enterrado sem avançar, a Câmara corre o risco de enterrar junto sua própria imagem de guardiã da ética pública.

O preço da coragem política
Por outro lado, permitir que o processo continue também exige algo raro na política.
Coragem.
Coragem para contrariar aliados.
Coragem para enfrentar pressões.
Coragem para aceitar as consequências de um possível terremoto político dentro da base governista.
Mas, paradoxalmente, essa coragem pode gerar um efeito oposto ao da crise.
Ela pode fortalecer a imagem institucional da Câmara.
Pode demonstrar que as regras valem para todos.
Pode mostrar que nenhum mandato está acima da fiscalização pública.
E pode enviar uma mensagem poderosa à sociedade:
A de que as instituições ainda funcionam.
O momento da verdade
A política municipal costuma ser marcada por disputas silenciosas, negociações de bastidores e acordos que raramente chegam ao conhecimento da população.
Mas há momentos em que essas decisões deixam de ser invisíveis.
A votação sobre o arquivamento do pedido de cassação contra Victor Hugo Davanço é exatamente um desses momentos.
Ela será observada.
Avaliada.
Interpretada.
Não apenas pelos atores políticos locais, mas por toda a sociedade de Cianorte.
Porque, no fundo, a pergunta que paira sobre essa votação é simples:
A Câmara Municipal está disposta a se submeter ao escrutínio público ou prefere proteger seus próprios integrantes?
Agora a pergunta é sua
Mas a reflexão pertence à sociedade.
Se o processo for arquivado, muitos poderão interpretar que a Câmara escolheu preservar um colega em vez de preservar sua própria credibilidade.
Se o processo continuar, o sistema político local poderá enfrentar um período de turbulência, divisões e conflitos internos.
Em qualquer cenário, uma coisa é certa:
A votação marcará um capítulo importante na história política de Cianorte.
E agora a pergunta final é para você, leitor:

Na sua opinião, o que deve acontecer?
A Câmara deve arquivar o processo e encerrar o caso?
Ou deve permitir que a investigação avance, mesmo que isso provoque um racha político dentro do sistema?
Porque, no fim das contas, a democracia também é feita de escolhas.
E algumas escolhas revelam muito mais do que discursos.
Revelam valores.
Agora resta saber quais valores irão prevalecer.
E enquanto os vereadores se preparam para votar…
QUE OS JOGOS COMECEM.

















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