O DESAFIO DO PRIMEIRO EMPREGO: Estratégias para ingressar no mercado de trabalho
- Kaio Feroldi Motta

- 17 de nov.
- 3 min de leitura
Por: Kaio Feroldi Motta.
Administrador, Especialista e Mestre em Organizações & Empreendedorismo.
A transição da vida acadêmica e da inatividade profissional para o primeiro emprego representa um dos maiores desafios na jornada de jovens na faixa etária dos vinte e tantos anos. Cada vez mais competitivo e dinâmico, o mercado de trabalho geralmente exige experiência prévia, o que acaba frustrando candidatos com uma excelente formação, mas sem a vivência prática. Assim, a falta de um histórico profissional torna-se a principal barreira, exigindo dos candidatos estratégias que os diferenciem dos demais, e também uma reavaliação de suas expectativas a curto prazo.

Seja pelo foco integral na qualificação acadêmica ou por quaisquer outros motivos, a ausência de experiência é a barreira mais citada nos processos seletivos. Diante de um vasto leque de candidatos, os recrutadores tendem a priorizar aqueles que combinam teoria e prática, visto muitas vezes como garantia de uma adaptação mais rápida e de menor custo em termos treinamento. Para superar esse desafio, a indicação direta e o networking são fundamentais, permitindo que a confiança de um profissional já inserido compense a falta de vivência do outro no currículo. Contudo, essa via nem sempre é acessível a todos, obrigando o jovem a buscar formas mais criativas de construir e apresentar o seu valor.
Assim, inexistindo a experiência formal e a possibilidade de uma indicação forte, a solução se torna em enriquecer o currículo com elementos que demonstrem proatividade e o desenvolvimento de competências. Para isso, sugere-se elaborar um currículo que desperte a curiosidade em saber mais do recrutador. Isso pode ser alcançado através da inclusão de projetos acadêmicos relevantes, trabalhos voluntários, cursos livres e certificações que comprovem a aquisição de habilidades técnicas (hard skills) e comportamentais (soft skills). Por exemplo, a menção de dedicação ao aprimoramento de competências valorizadas pelas empresas — como comunicação, liderança e resolução de problemas — sinaliza autoconhecimento e uma postura orientada para o desenvolvimento contínuo, transformando a falta de experiência em disposição para aprender.
O mercado valoriza a proatividade e a atitude, isso é fato inegável. Assim sendo, a busca pelo primeiro emprego não pode se limitar à espera passiva por vagas ideais (o ideal raramente existe, principalmente em se tratando de inexperientes). É preciso que o candidato explore programas específicos, como o Jovem Aprendiz e Programas de Estágios, excelentes portas de entrada desenhadas para a aquisição de experiência. Além disso, a postura durante a entrevista deve refletir o entusiasmo e a vontade de contribuir, utilizando as qualificações e os exemplos de proatividade do currículo para demonstrar potencial. A pesquisa sobre a empresa, seus valores e projetos recentes também se torna um diferencial que prova o real interesse do candidato e sua capacidade de ir além do básico.
A última e talvez mais importante dica é a necessidade de flexibilizar as expectativas sobre o emprego. Muitos jovens, ao idealizarem o primeiro trabalho, acabam recusando propostas que poderiam servir como um ponto de partida crucial. Aceitar uma posição que talvez não seja o ápice do sonhado, mas que ofereça a chance de ganhar experiência, é um passo estratégico. O valor de um primeiro emprego não está apenas no cargo ou no salário, mas na oportunidade de aprender sobre a rotina corporativa, desenvolver soft skills no ambiente real e, principalmente, construir um histórico profissional que será a chave para os próximos passos da carreira.
Em suma, a conquista do primeiro emprego exige uma abordagem estratégica e realista. Superar a barreira da falta de experiência demanda que o jovem não apenas invista em formação de qualidades, mas também seja capaz de traduzir seu potencial e suas atividades extracurriculares em competências valiosas para o mercado. Ao adotar uma postura proativa na busca, aprimorar o currículo com diferenciais significativos e, fundamentalmente, ajustar as expectativas para aceitar o aprendizado como o primeiro grande passo (e grande ganho), o jovem transforma o desafio do primeiro emprego em uma etapa sólida de sua jornada profissional.














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