O Congresso é inimigo do povo assim como as Câmaras Municipais?
- Marcio Nolasco

- há 7 horas
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A ideia de que o Congresso é o "inimigo do povo" é um sentimento comum entre muitos brasileiros, mas a realidade por trás dessa percepção é complexa e envolve fatores estruturais, políticos, sociais e até psicológicos.
Aqui estão os principais motivos que alimentam essa visão:

1. Crise de Representatividade
Muitas vezes, o cidadão sente que o parlamentar, após eleito, defende interesses próprios ou de grupos políticos específicos (como grandes empresas, sindicatos ou setores econômicos) em vez dos interesses da população geral, e geralmente é isso mesmo que nós eleitores estamos vendo acontecer. Isso cria a sensação de que o Congresso opera em uma "bolha", desconectado da realidade das ruas, mas sempre com um discurso ensaiado de trabalhar para os interesses da população e isso contamina como uma pandemia até nossas câmaras municipais que trabalham apenas para os interesses dos prefeitos e pequenos grupos de "amigos" e partidos.
2. O Sistema de Coalizão (O "Tomá Lá, Dá Cá")
Para governar, o Executivo muitas vezes precisa "comprar" o apoio do Legislativo por meio de cargos, emendas parlamentares e favores. Para quem assiste de fora, isso parece um balcão de negócios onde o bem comum é trocado por benefícios políticos, o que gera indignação e a percepção de corrupção sistêmica. Este exemplo de corrupção sai do congresso e invade nossos municípios e nossas câmaras municipais.
3. Morosidade e Burocracia
O rito legislativo é propositalmente lento para evitar decisões impulsivas. No entanto, para o povo que sofre com problemas urgentes (saúde, educação, emprego, habitação, segurança pública, economia), essa demora é vista como descaso ou ineficiência deliberada.
4. Privilégios e Custo Elevado
O contraste entre a vida do cidadão comum e os benefícios dos parlamentares (altos salários, auxílios, verbas de gabinete, foro privilegiado) é um dos maiores combustíveis para o ressentimento popular. O custo para manter o Congresso é alto, e o retorno nem sempre é visível para o contribuinte.
5. O Papel de "Contrapeso"
Estruturalmente, o Congresso serve para frear o poder do Presidente. Quando o povo apoia fortemente um líder do Executivo, qualquer resistência do Congresso é interpretada como uma tentativa de "atrapalhar o país", transformando os legisladores em vilões aos olhos de parte da opinião pública. E assim também em nossas câmaras municipais quando a proteção dada pelos nossos vereadores aos prefeitos faz com que o povo fique desiludido com seus representantes e legisladores municipais.
Por outro lado...
É importante considerar que o Congresso e as Câmaras Municipais são o reflexo direto do voto. Eles são as instituições mais plurais do Estado democrático, onde grupos com opiniões opostas precisam negociar. Sem o Congresso e sem as Câmaras Municipais o poder ficaria centralizado em uma única pessoa, o que caracteriza uma ditadura, porém em muitos municípios onde o prefeito é quem comanda a Câmara Municipal, essa ditadura é vista e sentida em muitas atitudes nos atos do executivo.
"A "tensão" entre o povo e o Congresso e o povo e as Câmaras Municipais é, de certa forma, um sinal de que a democracia está funcionando, embora precise de reformas constantes para ser mais transparente e mais barata". Marcio Nolasco.












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