O Brasil depois do PT.
- Walber Guimarães Junior

- há 2 horas
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Com as atenções centradas na disputa eleitoral, poucos ainda se deram conta que o país pode ser muito diferente, depois da Era PT, com a possibilidade real de vitória da direita nas eleições majoritárias. A rejeição de Jorge Messias, indicado por Lula ao STF, e a derrubada do veto à dosimetria antecipam uma visão de um Brasil revisitado e. certamente mais conservador.

Ao imaginar o novo quadro político, com o novo presidente, é possível também prever um Senado com algo entre 46 e 50 de direita, maioria confortável, e a Câmara com mais de 180 deputados conservadores, mas é provável que seja o Judiciário, especialmente no STF, que as alterações serão ainda mais profundas.
Analistas políticos acreditam que não ocorra nova indicação à vaga em aberto com a saída do ex-ministro Barroso, todavia, em 2027, com uma maioria confortável no Senado, se abre a possiblidade de impeachment de qualquer ministro, com, no mínimo, os nomes de Alexandre de Moraes e de Dias Tofoli na lista da degola e, ainda no próximo mandato, com a substituição de outros dois nomes, Luís Fux e Carmem Lucia, permitindo que até as eleições seguintes, com três ou quatro novos ministros. o STF tenha maioria conservadora.
Um redesenho completo na nossa República; presidente de direita, com a possível vitória em outubro, Senado com maioria conservadora, e STF também com perfil de direita, ainda que a Câmara, mesmo com um belo aumento de bancada, siga sob o comando de quase duzentos parlamentares com o perfil do Centrão. Consegue prever as alterações possíveis neste novo Brasil?
Com olhos para a nova oposição, com Lula derrotado e sem idade para seguir comandando a sigla, o PT precisará se reinventar e dividir espaços com outras siglas, sendo razoável prever que o PSB se torne mais relevante, inclusive por ter lideranças com ótimo perfil e trânsito mais fácil na régua política. Com a possibilidade de representar menos de 25% dos parlamentares e poucos governadores de Estado relevantes, a reconstrução será espinhosa e exigirá uma revisão de paradigmas para se reencontrar com a alma do brasileiro.
Todavia, é a direita que sai das urnas que exige muito mais preocupações com o futuro da democracia e do Brasil. Após a dosimetria, nada mais razoável que imaginar que o passo seguinte seja anistia total dos presos políticos, a nulidade de suas penas, e Jair Bolsonaro solto, e como provável eminência parda do governo, o novo gerente do Posto Brasil.
É muito razoável supor algumas transformações na condução da economia, mesmo que sem Paulo Guedes como piloto, com prioridade deslocada do social para o controle das finanças públicas, permitindo leituras distintas; dizer que será melhor para o Brasil e pior para a classe operária é simplista demais e envolve alguns preconceitos ideológicos.
Quanto às diretrizes políticas, é ainda mais complexo projetar o novo cenário. Basta imaginar que, em situações com alguma similaridade, José Sarney e FHC aprovaram a prorrogação de seus mandatos e que o 8 de janeiro é um péssimo indício para a solidez de nossas instituições.
Descrevo um cenário hipotético, tentando uma leitura da eventual vitória da direita e, embora as variáveis sejam muito amplas, algumas respostas parecem muito evidentes, como por exemplo uma inflexão das relações diplomáticas, com um profundo mergulho no guarda-chuva do Tio Sam, projetando um redesenho complexo das nossas exportações e das relações multilaterais. Mais que isto, a idolatria explícita ao presidente Trump, indica muito mais que uma generosa cessão da exploração dos minerais Terra Raras, mas também aponta para a revisão de diretrizes no Itamaraty e no planejamento do nosso desenvolvimento.
Ainda assim, é na área política que se projetam alterações mais sensíveis que, muito mais do que acenar para uma profunda reflexão do voto em outubro, a cena política aponta para uma enorme preocupação com a escolha dos novos senadores porque, parece evidente, que, muito mais que no Palácio do Planalto, é no plenário do Senado, a partir de janeiro de 2027, que vamos formatar o novo Brasil.

















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