Moldados pela Graça, Não pelo Mundo
- Christina Faggion Vinholo

- 21 de ago.
- 2 min de leitura
Christina Faggion Vinholo, teóloga
Especialista em AT e NT.
Vivemos em uma geração marcada pela exposição constante. Rolamos a tela e, quase sem perceber, nossos olhos e corações são tentados pela inveja, pela comparação e pela autopiedade. As redes sociais nos apresentam vidas “perfeitas”, cuidadosamente moldadas para parecerem impecáveis, e nossa carne deseja entrar nesse molde, ser aceito, ser visto, ser aplaudido.
Mas a Palavra de Deus nos lembra que esse não é o chamado para aqueles que estão em Cristo. Antes, éramos mortos em nossos delitos e pecados, “seguindo o curso deste mundo” (Ef 2.1-2). Mas Deus — rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou — nos deu vida juntamente com Cristo (Ef 2.4-5). Isso significa que nossa identidade não é construída pela aprovação humana, nem pelo padrão das redes, mas pelo que Deus fez em nós por pura graça.

É verdade que não há nada de errado em buscar melhorar a aparência ou a performance. Exercícios físicos, boa alimentação e cuidados pessoais são expressões de mordomia cristã: administramos o corpo que o Senhor nos deu para vivermos melhor e com saúde. Ter uma autoestima equilibrada pode até nos ajudar a servir com mais disposição. O problema começa quando transformamos isso em meta de vida, quando o culto ao corpo ou à imagem substitui o propósito para o qual fomos criados. Aí, o coração já não está em Cristo, mas no ídolo da aprovação e da performance.
Quando buscamos moldar nossa vida àquilo que vemos online, acabamos esquecendo que o Senhor já nos deu um chamado muito maior: viver para a Sua glória. O apóstolo Paulo nos exorta: “não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12.2). Isso implica rejeitar o padrão enganoso do mundo e abraçar a transformação operada pelo Espírito Santo. Essa renovação diária nos faz olhar para Cristo, e não para os aplausos passageiros, como fonte de significado e alegria. Nossa vida não é definida pelo filtro de uma foto, mas pela cruz e pela ressurreição de Cristo.
Além disso, Paulo nos lembra: “somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Em Cristo, não somos cópias de influenciadores digitais, mas obras-primas da graça. Fomos moldados não para ostentar perfeição estética, mas para refletir a bondade e a beleza do Criador por meio da nossa vida de obediência.
Por isso, precisamos aprender a dizer “não” à comparação, “não” ao controle e “não” ao molde deste mundo. Nossa vida não é definida pelo filtro de uma foto, mas pela cruz e pela ressurreição de Cristo. Ele nos resgatou, nos transformou e nos deu um novo propósito: viver para a glória de Deus. Essa é a verdadeira liberdade e a verdadeira beleza, que nenhuma vitrine virtual pode oferecer.
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