MEDICINA UNIPAR: ONDE A TECNOLOGIA ENCONTRA A VIDA REAL
Em entrevista ao Portal Bisbilhoteiro, Marcio Nolasco conversa com o Dr. Fernando Maia sobre formação médica, inteligência artificial, humanização, prática profissional e os desafios de preparar médicos para a realidade da saúde
Por Marcio Nolasco – Portal Bisbilhoteiro
A Medicina está mudando — e talvez nunca tenha mudado tão rapidamente. Inteligência artificial, novas tecnologias, simulação realística, Big Data e uma crescente necessidade de profissionais capazes de unir conhecimento técnico e sensibilidade humana estão transformando a maneira como o futuro médico é preparado.
Foi justamente para discutir essas mudanças que Marcio Nolasco, do Portal Bisbilhoteiro, entrevistou o Dr. Fernando Maia, Coordenador Adjunto do Curso de Medicina da UNIPAR. A conversa colocou em pauta uma questão que interessa não apenas aos estudantes, mas também às famílias e à própria sociedade: que tipo de médico estamos formando para o futuro?

Segundo Fernando Maia, a proposta do curso busca aproximar a formação clínica de alto nível da empatia e do respeito ao ser humano. Para isso, os estudantes têm contato com simulações realísticas, atividades práticas e diferentes níveis de atenção à saúde, além de acompanhamento pedagógico e psicossocial.
Mas existe uma diferença fundamental entre decorar conteúdos para uma prova e estar preparado para cuidar de uma pessoa.
Na entrevista, o coordenador destaca que egressos do curso já estão inseridos no mercado de trabalho e em programas de residência médica em hospitais de Umuarama, da região e de outros centros, como Londrina.
DA SALA DE AULA PARA A VIDA REAL
Um dos pontos abordados por Nolasco foi o Centro de Simulação em Saúde.
Ali, segundo Maia, o estudante pode transformar conhecimento teórico em prática dentro de um ambiente controlado, desenvolvendo raciocínio clínico, tomada de decisão, habilidades procedimentais e comunicação antes de enfrentar situações reais com pacientes.
E existe uma diferença importante: errar durante o processo de aprendizagem, em um ambiente seguro, pode se transformar em uma poderosa ferramenta pedagógica.
A formação, entretanto, não se resume à tecnologia.
PODE-SE ENSINAR HUMANIDADE?
Talvez esta tenha sido uma das perguntas mais importantes da entrevista.
A Medicina pode possuir equipamentos modernos, laboratórios sofisticados e acesso às mais avançadas tecnologias. Mas, no fim das contas, existe uma pessoa diante do médico.
O curso trabalha desde os primeiros anos aspectos relacionados à Relação Médico-Paciente, incluindo discussões éticas e filosóficas e o contato dos estudantes com experiências reais de atendimento.
E essa questão ganha ainda mais importância justamente quando entra em cena uma das maiores revoluções do nosso tempo: a inteligência artificial.
A IA PODE SUBSTITUIR O MÉDICO?
Para Fernando Maia, a inteligência artificial será cada vez mais uma ferramenta de apoio à prática médica, mas existe algo que permanece essencialmente humano: acolher, ouvir e estabelecer vínculos com o paciente.
A perspectiva apresentada na entrevista é que o médico do futuro não necessariamente competirá com a IA. Ele precisará aprender a trabalhar com ela.
A tecnologia poderá assumir processos burocráticos e auxiliar determinadas atividades, permitindo que o profissional tenha mais tempo para aquilo que nenhuma máquina substitui integralmente: pensar, conversar, compreender e acolher o paciente.
MEDICINA NÃO É APENAS STATUS
Outro questionamento levantado por Marcio Nolasco foi sobre a tradicional associação da profissão médica com status, estabilidade e remuneração.
A resposta de Maia foi direta: remuneração e estabilidade são importantes, mas não podem ser o único combustível da carreira.
Na visão apresentada pelo coordenador, existe um princípio que deveria acompanhar o profissional durante toda a trajetória: gostar de gente.
Essa concepção também ajuda a explicar a importância da preparação para além do conhecimento estritamente médico.
A UNIPAR, segundo Maia, vem incorporando temas como inteligência artificial e Big Data, ao mesmo tempo em que trabalha comunicação, tutoriais e oratória desde os primeiros anos da formação.
UM MÉDICO FORMADO PARA A REGIÃO
Outro aspecto relevante para o Noroeste do Paraná é a aproximação dos estudantes com a realidade regional.
De acordo com o coordenador, o contato com os serviços de saúde começa desde o primeiro ano, permitindo ao estudante desenvolver raciocínio clínico e compreender a realidade na qual provavelmente irá atuar. Maia destaca ainda que muitos egressos permanecem na região.
Essa dimensão regional é particularmente importante.
Formar médicos não significa apenas formar profissionais. Significa também ampliar a capacidade de uma região compreender seus próprios desafios de saúde.
Na entrevista, Maia afirma que a integração entre ensino, pesquisa e extensão pode contribuir para transformar a realidade da saúde regional.
UMA BOA ESTRUTURA GARANTE UM BOM MÉDICO?
Marcio Nolasco também fez uma pergunta incômoda: uma boa estrutura, por si só, garante um bom médico?
A resposta foi: não.
Para o coordenador, a estrutura é uma parte importante, mas precisa estar acompanhada de planejamento e constância nos estudos para que exista uma formação médica adequada.
E existe uma ideia que resume boa parte da conversa:
“Por trás de cada procedimento existe uma vida.”
É justamente essa perspectiva que, segundo Maia, precisa acompanhar o estudante durante toda a carreira. Para ele, a empatia deve permanecer presente até a aposentadoria, fazendo com que o médico trate cada paciente como gostaria que ele próprio ou alguém de sua família fosse tratado.
A PERGUNTA QUE TODO FUTURO MÉDICO DEVERIA FAZER
No encerramento da entrevista, Marcio Nolasco perguntou qual seria a principal questão que um jovem deveria fazer a si mesmo antes de escolher uma faculdade de Medicina.
A resposta foi profunda:
“Eu estaria disposto a desprender da minha própria vida para cuidar de pessoas, até o final da minha vida?”
Talvez essa seja a síntese de toda a conversa.
A Medicina do futuro terá mais tecnologia, mais inteligência artificial, mais dados e ferramentas cada vez mais sofisticadas. Mas continuará existindo aquilo que está no centro de toda essa equação: o ser humano.
Para Fernando Maia, a proposta da Medicina UNIPAR pode ser resumida em três pilares: excelência técnica e preparação contínua; compromisso ético e humanístico; e imersão prática em serviço.
CIÊNCIA, TECNOLOGIA E CUIDADO
A entrevista realizada pelo Portal Bisbilhoteiro mostra que discutir a formação médica é também discutir o futuro da saúde da nossa região.
A pergunta não é mais simplesmente se a tecnologia estará presente na Medicina.
Ela já está.
A grande questão é outra: como utilizar essa tecnologia sem perder aquilo que faz da Medicina uma profissão essencialmente humana?
É nesse encontro entre conhecimento, inovação, prática e cuidado que se encontra um dos grandes desafios da formação médica contemporânea.
MEDICINA UNIPAR: onde a ciência encontra a tecnologia. Onde a tecnologia encontra o cuidado. E onde o conhecimento encontra a vida real.
Veja aqui a entrevista na íntegra:

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