Lixo, abandono e dois pesos, duas medidas: quem fiscaliza a Prefeitura de Cianorte?
- Marcio Nolasco

- há 2 horas
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Após o encerramento das comemorações dos 73 anos de Cianorte, o que deveria ser motivo de orgulho para a cidade acabou revelando um problema que vai muito além da sujeira deixada no Novo Centro: a falta de coerência do poder público quando o assunto é fiscalização ambiental.
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
Durante todo o ano, a Prefeitura de Cianorte cobra dos moradores a limpeza de calçadas, terrenos e imóveis particulares. Proprietários que deixam mato alto ou acumulam lixo podem ser notificados, multados e até responsabilizados pelos danos causados ao meio ambiente e à saúde pública.
Entretanto, quando a responsabilidade pela limpeza recai sobre a própria administração municipal, a realidade parece ser diferente.

Um cenário de abandono
Dias após o encerramento do Festival de 73 anos de Cianorte, diversas áreas do Novo Centro ainda apresentavam resíduos espalhados pelo chão.
Entre os materiais encontrados estão:
Plásticos;
Garrafas e cacos de vidro;
Madeira;
Papelão;
Estruturas metálicas;
Lonas;
Tecidos;
Embalagens diversas;
Outros resíduos provenientes da estrutura do evento.
Veja imagens do local - 05/08/2026 - 16:00hrs
Além de causar poluição visual, esse material permanece exposto ao tempo, podendo ser levado pela chuva para galerias pluviais, córregos e áreas verdes.
O risco vai além da aparência
Especialistas em gestão ambiental alertam que resíduos urbanos deixados em áreas públicas podem provocar diversos impactos, como:
acidentes com pedestres por causa de vidros quebrados;
ferimentos em animais domésticos e silvestres;
proliferação de insetos e outros vetores;
contaminação do solo;
obstrução de sistemas de drenagem;
aumento do risco de enchentes em períodos chuvosos.
Quando o lixo permanece por vários dias em vias públicas, deixa de ser apenas um problema estético para se tornar uma questão de saúde pública e de preservação ambiental.
Dois pesos e duas medidas?
A situação desperta uma pergunta inevitável.
Se um morador fosse responsável por deixar esse volume de resíduos em frente à sua residência ou em um terreno particular, quanto tempo demoraria para receber uma notificação da Prefeitura?
O município exige que os cidadãos mantenham seus imóveis limpos — e essa obrigação é legítima.
Mas o princípio da administração pública também exige que o próprio poder público dê o exemplo.
Quando a Prefeitura não cumpre aquilo que exige da população, instala-se a percepção de um tratamento desigual.

Quem fiscaliza a Prefeitura?
Essa talvez seja a pergunta mais importante.
Quando um cidadão descumpre normas ambientais, existem fiscais, notificações e multas.
Mas quando a área pública permanece tomada por resíduos após um evento promovido pelo próprio município, quem deve agir?
Onde está a atuação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente?
Houve vistoria da Vigilância Sanitária?
A Defesa Civil foi comunicada sobre os riscos decorrentes da permanência desse material?
Existe prazo previsto para a retirada completa dos resíduos?
Até o momento, não há manifestação pública dos órgãos responsáveis explicando por que o lixo permaneceu espalhado por dias após o encerramento da festa.
Exemplo começa pelo poder público
Eventos de grande porte naturalmente geram resíduos. Isso não é novidade.
O que diferencia uma gestão eficiente é justamente a rapidez na desmontagem da estrutura e na limpeza completa da área utilizada.
Uma cidade limpa transmite organização, respeito aos moradores e compromisso com o patrimônio público.
Quando isso não acontece, a mensagem passada é exatamente a oposta.
Transparência e responsabilidade
O Portal Bisbilhoteiro defende que a legislação ambiental seja aplicada de forma igual para todos.
Se a Prefeitura cobra responsabilidade dos cidadãos, também deve prestar contas quando a responsabilidade é sua.
Mais do que uma questão de limpeza urbana, trata-se de coerência administrativa, respeito ao meio ambiente e compromisso com a população que diariamente contribui com seus impostos para manter a cidade organizada.
Porque, no fim das contas, a pergunta continua sem resposta:
Quem fiscaliza a Prefeitura quando ela própria deixa de cumprir aquilo que exige dos moradores?







































































































































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