Influencer
- Célio Juvenal Costa

- há 1 hora
- 3 min de leitura
De uns tempos para cá as pessoas famosas passaram a ser chamadas de influencers digitais. Claro, não só pessoas famosas, e nem todas as pessoas famosas se autodenominam influencer, e nem todas as pessoas que acham que se encaixam nesse rótulo conseguem, de fato, influenciar os seres humanos comuns. O fato é que ser influencer, nos dias de hoje, significa ser famoso e, com isso, conseguir uma série de benefícios direta ou indiretamente relacionados às redes sociais. Quanto mais seguidores se tem, maior o poder de influenciar e maiores os benefícios financeiros. Como fama e dinheiro normalmente vem juntos, ser influencer se tornou um dos maiores sonhos das pessoas.

Os influencers podem ser classificados pelo tamanho da audiência e pelo nicho e atuação. Pelo tamanho podem ser: nano-influenciadores (até 10 mil seguidores), micro (até 100 mil seguidores), mezo (até 500 mil), macro (até 1 milhão) e mega-influenciadores, ou celebridades (acima de 1 milhão se seguidores). Quanto ao nicho, podem ser classificados em: autoridades ou especialistas em alguma área, estilo de vida e entretenimento, ativistas de causas sociais ou políticas, trendsetters (formadores de opinião e moda) e influenciadores locais. O objetivo de cada influenciador, independente do seu nicho, é chegar a ser uma celebridade, isto é, alcançar a fama em um patamar nacional e, quem sabe, internacional. É preciso reconhecer que nem todos os influencers buscam a fama por si só, ou objetivam apenas o dinheiro; há aqueles que defendem causas sociais ou políticas, que fazem delas o objetivo maior de engajamento.
A grande maioria dos influenciadores, no entanto, tem por objetivo a fama e o dinheiro, tanto que muitos fazem questão de ostentar nas redes sociais sua riqueza recém adquirida com sua “profissão” de influenciador. Mostrar para os seguidores casas, apartamentos, carros, viagens, joias, roupas, acessórios etc, faz parte de um marketing de que aquele influencer é um vencedor e, portanto, os seus seguidores podem conseguir o sucesso também. As estratégias que a maioria dos influencers usam objetivam aumentar o engajamento e evitar o cancelamento. Vale até tomar (ou simular tomar) detergente, ou lavar frango ou o bigode com detergente, para aumentar o engajamento, no caso, de seguidores alinhados à extrema direita brasileira.
Quando eu era adolescente, pessoas da minha geração também queriam se tornar famosas e, com isso, se tornar ricas. O objetivo era se tornar ou jogador de futebol ou atriz/ator de televisão ou cantora/cantor, para sair nas revistas semanais ou nos jornais matutinos de grande circulação nacional. Nós tínhamos os nossos influencers, apesar de não usarmos tal anglicismo. A internet, com suas redes sociais, ampliou de forma exponencial as possibilidades de se tornar influenciador de comportamentos, hábitos, atitudes, desejos e sonhos. Não é necessário mais ser um jogador, uma atriz ou uma cantora famosa para ser exemplo dos desejos de fama; se conseguir emplacar vídeos de algum nicho, com milhares ou milhões de visualizações e compartilhamentos, já se torna uma pessoa famosa e, quem sabe, com o tempo, uma celebridade. Às vezes nem é necessário ser o autor do vídeo, como aquela moça que não quis dar o lugar no avião para uma criança birrenta, mas que se tornou famosa no Brasil todo.
Enfim, para ser influencer há a necessidade de seguidores, pois sem os últimos, não há os primeiros. Quem nós seguimos pode ajudar a dar fama, portanto, eu diria, mesmo na contramão do que ocorre hoje, que deveríamos ser parcimoniosos em nossas escolhas, para não elevarmos à categoria de influenciadores pessoas que deveriam ser, na verdade, influenciadas.
Meu Instagram: @costajuvenalcelio

















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