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HOSPITAL IRMÃ BENIGNA: 5 ANOS DE OBRA E APENAS 52% DE CONCLUSÃO?

Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP


Imagem ilustrativa não retrata a obra no estado atual - com 52% concluída passados 5 anos.
Imagem ilustrativa não retrata a obra no estado atual - com 52% concluída passados 5 anos.

"Em março de 2024 o Prefeito de Cianorte, conforme suas palavras fez uma declaração "do fundo de seu coração" e informou em vídeo para a população que conversou com a construtora e que tinha a possibilidade da obra ser concluída em 15 meses". Já se foram os 15 meses (e já se passaram outros 5, após a promessa do prefeito são mais 1.8 anos em atraso!).



A Execução da obra, iniciada no final de 2020 (a construção do aguardado Hospital Irmã Benigna), em Cianorte, deveria ser um marco na saúde para os 11 municípios da 13ª Regional de Saúde do Paraná. Mas, quase 5 anos depois, o que se tem é um esqueleto caro e uma conclusão de apenas 52% aproximadamente, pelo que se levantou no Portal da Transparência do Município.


Portal da Transparência da Prefeitura de Cianorte
Portal da Transparência da Prefeitura de Cianorte
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Este índice vergonhoso de avanço reflete a falta de planejamento e respeito do que se fazer com essa obra monumental, que se iniciou há meia década, falha esta que tem relação com o futuro da saúde. O hospital que, a princípio, era Municipal e seria destinado à FUNDHOSPAR para ser gerenciado (livrando a instituição de um aluguel milionário), passou a ser Regional e, diante dos fatos pretéritos, somados às denúncias e problemas atuais com a gerência da Fundação Hospitalar, dificilmente o caminho a se seguir será outro que não entregar a alguma rede privada filantrópica "de fora" a sua administração. O governo constrói, equipa e entrega o abacaxi, deixando de ser problema dele as falhas que se sucederem; mais uma vez, é gente de fora que vem para gerir o serviço e aquilo que é nosso.


Outra falha também existente é a sistêmica (e grave) no processo de aprazamento e execução da obra. Projetos gigantescos como este exigem um planejamento mestre que contemple, obrigatoriamente, as inevitáveis intempéries – não apenas chuva, mas revisões de projeto, problemas de solo, atrasos em licitações e flutuações orçamentárias. A incapacidade de antecipar tais fatores transformou o cronograma inicial em mera ficção, resultando em meses e mais meses de paralisação e prejuízo para a população.


Com a retomada anunciada em abril de 2024, a promessa de entrega da estrutura física foi para 18 meses (que daria em outubro de 2025). No entanto, a taxa de progresso e a vida real, longe dos flashes dos celulares e redes sociais indicam que este prazo também foi insustentável, perpetuando o ciclo de adiamentos e mostrando que a palavra de um político vale menos que uma nota de cruzado.


Um hospital vai além de tijolos e cimento; Um hospital de grande porte, com 242 leitos, UTI Adulto, UTI Neonatal, leitos psiquiátricos e centro cirúrgico não se trata apenas de um amontoado de concreto. A edificação é apenas o invólucro. O valor real reside no que a estrutura guardará em seu interior: o aparato tecnológico e a equipe, a força de trabalho que faz do imóvel um centro de atendimento em saúde.


É neste ponto que a transparência se torna urgente. É imperativo que a administração informe à população:


1. Qual o status da licitação dos equipamentos de ponta? Ressonância Magnética, Tomografia, Mamografia e Raio-X são itens caríssimos, que exigem longo prazo de entrega, muitas vezes envolvendo importação, instalação complexa e calibração por empresas especializadas (sem contar a presença de um físico acompanhando se as paredes das salas receberam a devida e eficiente baritação, para não emitirem radiação para além do espaço permitido). Estes processos não podem esperar o término da última parede: precisam acontecer desde já, o mais rápido possível.


2. A maior ameaça à saúde pública não é uma obra lenta, mas sim uma obra que termina sem planejamento operacional. A construção de um hospital regional exige que o planejamento da gestão caminhe lado a lado com sua fundação e a laje, e não depois. Do contrário, o hospital será acometido do chamado Risco da Inação Operacional. E aí, como vai essa parte?


3. O hospital será gerido por uma Organização Social (OS), ou seja, terá sua operação terceirizada, gerida por alguma entidade privada, porém de caráter filantrópico (de grande porte, não da nossa região). Qual(is) terá(ão) interesse, uma vez que atender pelo menos 80% SUS, atender psiquiátricos, UTI adulto e UTI neonatal (serviços caríssimos e com pouco valor de pagamento) são requisitos obrigatórios?


4. Um hospital não se mantém sozinho financeiramente, principalmente em nossa região, em que a saúde pública é extremamente assistencialista e primeiro abre as portas para atender (nem que seja de qualquer jeito), e só depois se preocupa com a gestão e com quem pagará a conta. De onde virá o dinheiro? Os contratos _ ou, no mínimo, os 'termos de intenção' — já estão firmados, ou são apenas promessas em eventos políticos?


5. O corpo clínico, diretivo e técnico já estão sendo planejados ou recrutados?


6. O dimensionamento do número ideal e mínimo de funcionários em todas as áreas e funções (médicos, enfermeiros, técnicos, radiologistas, administrador(a), zeladoria, maqueiro etc.) está sendo realizado em conformidade com o que preconiza a legislação dos conselhos de classe envolvidos (CRM, COREN, CRF etc.)?


7. A Rede de Regulação Estadual e a Rede de Urgência e Emergência estão sendo contactadas para realizar o mapeamento e entenderem quais pacientes, regiões e casos específicos serão atendidos neste hospital?


Estas perguntas são fundamentais porque inaugurar e abrir as portas de um hospital não se trata apenas de cortar a faixa, bater palmas, tirar foto e vermos um ou outro político chorando emocionado e pronto: lá está a saúde funcionando. Isso é lindo mas redes sociais, mas não funciona no mundo real. Diante disso, tais questões são urgentes e precisam de respostas imediatas do Poder Público. É preciso deixar claro: o custo de um prédio vazio é imensurável para a saúde da população da região. Sem equipamentos e, principalmente, sem equipe qualificada e em número suficiente, a estrutura de 12,5 mil metros quadrados se tornará um elefante branco, um monumento da má gestão e do desperdício de recursos públicos.


O planejamento operacional — que é a alma de um hospital — deve andar junto com a obra, e não depois. Mas aqui, na capital do vestuário, na cidade árvore do mundo, onde os empregos existem aos montes e tudo está sendo brilhantemente transformado, praticamente cinco anos para 52% de conclusão de uma obra dessas reflete uma execução aquém das promessas e necessidades regionais. A retomada de 2024 é uma nova chance, mas não se pode assumir o sucesso. O próximo nível, que é transformar o prédio em saúde, exige fiscalização ativa e pressão focada nos pontos críticos: a licitação dos equipamentos e o planejamento de gestão e do corpo clínico, e não apenas se preocupar com as paredes. A comunidade exige um hospital funcional, não apenas um canteiro de obras prolongado que se torne, quando abrir, um depósito de doenças e enfermidades aguardando horas ou dias por um atendimento digno e adequado.


A taxa de avanço observada é insustentável para a promessa feita durante as eleições. A realidade é que, dado o histórico de paralisações e a lentidão da obra, não devemos mais contar com a previsão de 2026 (e, para ser sincero, nem 2027 creio que isso saia do papel). O novo prazo real deverá ser reavaliado pela administração e pela construtora, mas dificilmente será antes de 2028 (no cenário mais otimista, uma vez que temos eleições e copa do mundo ano que vem e, aí, o Brasil para, como sempre). Se a execução atual for mantida em ritmo acelerado, talvez seja possível entregar a obra até o final de 2027, mas dado o tamanho faraônico do empreendimento, acelerar nem sempre resolve, pois falhas podem surgir devido à pressa (e aí, novos atrasos surgirão).


Duas coisas são certas:


1. A promessa de que o hospital seria inaugurado até o meio de 2026 não será cumprida (assim como o IML e a guarda municipal, foram apenas falas ao vento até o momento, bom até um papagaio pode ser ensinado para falar).


2. Muitos acham que gerir um hospital é fácil; pelo visto, construir também não é tarefa para qualquer um.


Aguardemos os próximos capítulos (que, a meu ver, o final dessa novela será com a presença do prefeito eleito em 2028 (até porque, antes disso, duvido muito que a estrutura, os acabamentos, os equipamentos, a tecnologia e a mão de obra necessários para fazer essa máquina hospitalar funcionar estejam a pleno vapor. Más contudo, não podemos esquecer que 2026 é ano político e essa obra será usada como trampolim para essa campanha... principalmente por candidatos forasteiros e amigos do prefeito atual.


A população espera ansiosamente por este novo hospital, esperançosos de que isso trará a solução dos problemas da nossa saúde. Doce ilusão. Hospital é gente cuidando de gente (e gente já existe cuidando dos nossos, nos hospitais da cidade, não fazem mais e melhor por falta de verba suficiente). Isso inclusive é dito até hoje por ambos os hospitais ("o dinheiro não dá"). Com a inauguração do novo, os antigos perderão serviço, deixarão de existir e os prestadores de serviços, fornecedores e funcionários amargarão com rescisões contratuais e demissões sem saldo em caixa para honrar seus pagamentos...


Mas calma caro leitor, 2028 é logo ali, e será tudo lindo e espetacular... uma maravilha!!



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