HAITI, A VAGA IMPROVÁVEL.
- Walber Guimarães Junior

- há 2 horas
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Mais de meio século desde a última participação, com clima político instável, não houve possibilidade de mandar os jogos em casa e ainda encarando seleções com mais tradição como Costa Rica e Honduras, um conjunto de fatores que tornavam improvável a classificação de Haiti. Mas nada disso abalou seus jogadores e, em campo, eles operaram quase um milagre.

Este é o enredo mais emocionante da fase de classificação de Copa de 2026. Ao conquistar a vaga em novembro de 2025, o Haiti interrompe uma ausência de 52 anos, após liderar o seu grupo nas eliminatórias, favorecido também pela ausência dos times do norte e pelo aumento das vagas para a Copa. Nada disto diminui o mérito da campanha heroica.
A comunidade internacional foi unânime; a classificação foi um ato de resiliência pura, principalmente porque a seleção mandou todos os seus jogos em Barbados e Curaçau, logo me campo neutro porque seu país continua enfrentando uma crise extrema, com gangues tomando conta de parte do território e com crises políticas terríveis, agravadas por desastres naturais, tornando a classificação um alento para um povo que não pode parar de lutar.
Dentro de campo, o Haiti reúne vários jogadores que desfilam por outras ligas, formando um time muito mais técnico que o time inexperiente de 1974. Os destaques são o meia da Premier Ligue Jean-Ricner Belegarde, do Wolverhampton, a maior referência técnica da equipe, o principal artilheiro da equipe, Danley NazonJean Jacques, , o homem do hat-trick no jogo mais importante contra Costa Rica, além de Duckens Nazon, atleta do Philadelphia Union, um volante moderno que conhece todos os gramados onde o Haiti vai disputar as eliminatórias e que comando o meio campo da equipe.
Fora de campo, o francês Sébastien Migné é o comandante, bastante elogiado pelos jogadores, que vive, espalhados pelo mundo, mas, ainda assim, tem um jogo coletivo disciplinado e bastante rápido nos contra-ataque.
O sorteio os colocou diante do Brasil, com quem mantem uma relação de admiração, ampliada em 2004, no Jogo da Paz, mas, mesmo amando o futebol brasileiro, acreditam em um bom jogo. Os demais adversários, Escócia e Marrocos, deixam um rastro de esperança pela primeira vitória e até pela improvável classificação.
De modo mais específico, a estreia contra a Escócia, em 19 de junho, em Foxborough, região com muitos migrantes haitianos que confiam nos primeiros pontos na história das Copas.
Os analistas, céticos em relação à classificação, apontam um índice elevado, de até 90% para marcar o primeiro gol haitiano, assim como 40% para garantir o primeiro ponto em copas, mesmo com um reduzido índice de 10% de chances de classificação.
O grande meme haitiano é a comparação da seleção com os Vingadores, por estarem espalhados pelo mundo e se unirem para salvar a honra da nação.
Acreditem; o lema L’Union fait la force (a união faz a força) nunca foi levado tão a sério no Haiti como nesta Copa.

















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