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Grupo J: bom teste para a Argentina

A genialidade sul-americana, representada pela Argentina, terá pela frente uma seleção europeia de muita intensidade, a Áustria, a habilidade norte-africana, em campo com a Argélia, e o entusiasmo asiático com a estreante Jordânia, em um grupo muito interessante.



Vamos, em rápidas pinceladas, apresentar um bom retrato do grupo J:


Argentina: em busca de mais um título.


Los Hermanos vivem sua melhor fase em sua história gloriosa no futebol. Atual campeã do mundo e bicampeã da Copa América (2021 e 2024), a Albiceleste, se valendo do grande momento, espera, no mínimo, chegar às semifinais, buscando defender o título.


Seu ponto mais forte é o meio-campo extremamente dinâmico, entrosamento perfeito sob o comando de Lionel Scaloni, mentalidade vencedora e, claro, a genialidade de Lionel Messi, mesmo em fase final de carreira.


Com uma estrutura tática que privilegia o equilíbrio entre posse de bolas e transições rápidas, boa capacidade de leitura e adaptação aos jogos, a Argentina deve impor o protagonismo ofensivo, todavia, com a transição geracional em algumas posições chave, como a saída de Di María e a possível dependência física de Messi em um torneio longo, podendo ser as questões críticas da equipe.


Ainda assim, o sorteio dos grupos, permitiu que a Argentina passe bem, e em primeiro lugar, neste grupo.


Áustria: o relógio de alta intensidade.


De volta à Copa depois de muitos anos, a Áustria comparece com uma equipe moderna, com o estilo gegenpressing, perder a bola e recuperá-la em menos de 5 segundos, não deixando o adversário respirar.


Sob o comando de Ralf Rangnick, a Áustria tornou-se uma das seleções mais empolgantes da Europa, fazendo uma excelente Eurocopa 2024, onde o ponto forte é o vigor físico. Caso o clima quente permita manter esta intensidade, seus adversários terão dificuldade para respirar durante os jogos. Além desta intensidade absurda, a equipe tem ótima organização coletiva.


Como limitações, falta um centroavante de elite e tem certa vulnerabilidade na defesa, principalmente quando a primeira linha é quebrada, nada que a impeça de passar de fase, talvez com a segunda vaga, especialmente se o grupo mantiver a excelente taxa de conversão de gols da eliminatória.


A Áustria tem um estilo de jogo focado na mediação eficiente da posse, com pressões e jogo por zona, aplicando um 4-2-3-1 de altíssima octanagem. A equipe defende atacando a bola. Marcel Sabitzer é o maestro criativo, enquanto Konrad Laimer oferece dinâmica e infiltração. É um time vertical, que rouba a bola e busca o gol em poucos toques, qualidades que, somadas, devem permitir que siga para as fases seguintes.


Argélia: as raposas do deserto estão de volta.


Fora da Copa desde a edição brasileira, a Argélia retorna com uma geração que mescla veteranos e novos talentos, o objetivo é brigar pela segunda vaga direta ou avançar como um dos melhores terceiros.


A equipe tem muita qualidade técnica individual, drible pelos flancos e um meio-campo combativo. Tem jogadores criativos no último terço, com capacidade de romper linhas com dribles e combinações curtas. O estilo da equipe mostra a tendência a explorar a velocidade e lances diretos. Sofre com a inconsistência tática em jogos contra adversários europeus de alta intensidade e instabilidade defensiva em bolas paradas.


Terá ainda dificuldade em manter a coesão defensiva em jogos contra seleções estruturadas, como seus adversários principais, ainda assim mantem boas chances na luta pela segunda ou terceira vaga do grupo. Seu técnico Vladimir Petkovic tenta implementar um 4-3-3 ou 4-2-3-1 mais dinâmico. A equipe depende muito da criatividade de Riyad Mahrez na direita e das infiltrações de Houssem Aouar. O lateral Rayan Aït-Nouri é uma arma ofensiva importantíssima pela esquerda.

Jordânia: a boa surpresa asiática.


Considerada a equipe menos favorita do grupo, a Jordânia ocupará papel de azarão e deverá buscar competitividade com coragem tática e organização compacta, sendo estreante absoluta em Copas do Mundo. Chega embalada pelo histórico vice-campeonato na Copa da Ásia de 2023. A projeção realista é fazer jogos dignos, tentar somar pontos e desfrutar da experiência.


Como pontos fortes, tem transições ofensivas muito rápidas, zero pressão psicológica e um ataque perigoso liderado por Mousa Al-Tamari, todavia tem limitações como a inexperiência total no maior palco do futebol, fragilidade defensiva contra seleções de elite e menor profundidade de elenco.


Espera-se uma equipe com formação mais reativa, foco em organização defensiva e tentativas de transição rápida, tentando ser a surpresa possível, podendo aproveitar momentos de imprecisão dos adversários maiores.


A Jordânia joga estruturada em um 3-4-3 ou 5-4-1. Defendem em bloco baixo e apostam tudo na velocidade de Mousa Al-Tamari (o "Messi Jordaniano") e no faro de gol de Yazan Al-Naimat. É um time letal em contra-ataques se o adversário der espaços.


Tem poucas chances, a ambição é muito mais aprender e adquirir experiência na sua estreia em copas.


Na arquibancada, a Argentina terá um apoio colossal. A torcida argentina é uma das mais apaixonadas do mundo e, com o título recente, a empolgação está no teto. Além dos viajantes, a enorme comunidade latina nos EUA garantirá que a Albiceleste jogue praticamente em casa em todas as partidas.


Em relação aos adversários, os argelinos são fanáticos e muito vocais. A diáspora norte-africana na América do Norte e Europa garantirá uma presença vibrante e barulhenta, criando um ambiente hostil para os adversários. A torcida da Áustria viajará em bom número, animada com o bom momento da equipe, mas terá um estilo de apoio mais "europeu", dificilmente superando o barulho dos argentinos ou argelinos. Por fim a Jordânia contará com o apoio de sua comunidade local e a simpatia dos torcedores neutros (o apoio ao "azarão"). A presença será menor, mas muito festiva pela estreia histórica.


Analistas apontam que o cenário provável indica que a Argentina confirma o favoritismo e passa em primeiro. A Áustria garante a segunda vaga direta pela sua superioridade tática. A Argélia avança como uma das melhores terceiras colocadas, enquanto a valente Jordânia se despede na fase de grupos, mas deixando uma boa impressão.

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