Grupo F: intrigante e imprevisível.
- Walber Guimarães Junior

- há 17 horas
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Analistas concordam que o grupo F, Holanda, Japão, Tunísia e um representante europeu da repescagem, deve ser um dos mais intrigantes e taticamente ricos da Copa. Com a Holanda como cabeça de chave, o Japão cada vez mais estável e equilibrado, a força resiliente da Tunísia e a equipe europeia que venceu o playoff, a Suécia, que eliminou Ucrânia, Polônia e Albânia, contrariando especialistas que apontavam um leve favoritismo da Polônia e Ucrânia, pelo histórico das eliminatórias.

Este é um grupo que mistura o futebol total europeu, com dois representantes, a disciplina e velocidade asiática e a força defensiva africana. Abaixo, apresento uma análise detalhada deste grupo.
Holanda; a cabeça de chave.
A "Laranja Mecânica" busca, mais uma vez, o tão sonhado e inédito título mundial. Após chegar às quartas de final em 2022, caindo nos pênaltis para a campeã Argentina e fazer uma boa Eurocopa 2024, onde foi semifinalista, a equipe de Ronald Koeman chega madura. A projeção mínima é alcançar as quartas de final.
É franca favorita para liderar o grupo, mesmo com o perigo japonês e a ameaça da segunda europeia. Tem um elenco talentoso e rico e apenas um desastre tático a tira da liderança do grupo.
Seu sistema defensivo é um dos melhores do mundo, com muta versatilidade tática e com um meio de muita pegada e criatividade. Sofre com a ausência de um matador, um centroavante nato e com uma dose de instabilidade emocional em momentos de alta pressão.
Taticamente, Ronald Koeman varia entre o 4-3-3 clássico holandês e um 3-5-2 mais pragmático. A defesa é o pilar, liderada por Virgil van Dijk e Nathan Aké. No meio-campo, Frenkie de Jong dita o ritmo, enquanto Xavi Simons e Cody Gakpo trazem a imprevisibilidade, o drible e a velocidade no terço final.
Japão: os Samurais azuis querem ir além.
Os Samurais Azuis chocaram o mundo no Catar em 2022 ao vencerem Alemanha e Espanha, mas caíram novamente nas oitavas de final, seu grande teto de vidro. O objetivo claro para 2026 é romper essa barreira e chegar às quartas. Tem time e experiência pra isto.
A seleção japonesa tem transições ofensivas fulminantes, obediência tática impecável e uma geração inteira atuando nas principais ligas europeias. Ainda tem dificuldade em propor o jogo contra equipes que se fecham, como a Tunísia e vulnerabilidade no jogo aéreo defensivo contra europeus.
Atualmente o Japão tem maturidade e talento para garantir a segunda vaga direta. O jogo chave será contra o vencedor do playoff europeu. Se vencer, praticamente sela a classificação. O técnico Hajime Moriyasu aprimorou a equipe em um 4-2-3-1 que se transforma em um 5-4-1 sem a bola. A equipe defende em bloco e ataca como um enxame. A disputa um contra um pelas pontas é a maior expectativa do japoneses que esperam um bom desempenho de Takefusa Kubo (Real Sociedad) e Kaoru Mitoma (Brighton) especialistas nisto e contam com a eficiência Wataru Endo (Liverpool), o cão de guarda no meio.
Tunísia: o azarão do grupo.
As Águias de Cartago são figurinhas carimbadas em Copas, mas carregam o peso de nunca terem passado da fase de grupos. Em 2022, venceram a França, mas não avançaram. Com o novo formato, a projeção é lutar bravamente pela classificação.
A Tunísia tem um sistema defensivo extremamente sólido, meio-campo combativo e capacidade de frustrar adversários tecnicamente superiores. Joga de maneira reativa frequentemente em um 4-5-1 ou 4-3-3 de linhas muito baixas. O foco é fechar espaços e explorar o erro adversário. Ellyes Skhiri é o motor do meio-campo, e a experiência de Youssef Msakni é a principal esperança de criatividade no ataque.
Todavia, sofre com a falta de poder de fogo no ataque. A equipe tem muita dificuldade em marcar gols e criar chances claras. Nitidamente é o azarão do grupo, embora sua solidez defensiva possa garantir empates imprevistos, passando a depender de um ótimo jogo nos demais confrontos para garantir a classificação, ainda que seja como terceira do grupo.
Suécia (Vencedor do Playoff Europeu B):
Todos sabem que o futebol europeu é forte e tem tradição, logo, independentemente de quem avançasse seria uma equipe testada sob forte pressão, cujo objetivo será brigar diretamente com o Japão pela segunda vaga.
As qualidades das equipes se equivalem, com todas apresentando muita força física, disciplina tática e forte jogo de bola parada, além de, provavelmente, chegarem com ritmo de competição por causa da repescagem que, todavia, também poderá gerar desgaste físico e mental, porém a Suécia demonstrou maturidade e capacidade de administrar o jogo, mesmo sem posse de bola, que pode ser muito útil na primeira fase da Copa.
Outro ponto relevante é que a seleção da Suécia depende muito de suas estrelas, como Isak/Gyökeres na Suécia, que significa que eles precisam estar em alta durante a competição.
A Suécia, segundo representante europeu deve entrar em uma disputa acirrada com o Japão pela segunda vaga do grupo, ainda assim com boas chances e avançar, ainda que na terceira vaga.
Nas arquibancadas, a Holanda, cujos torcedores viajam em peso, pode levar vantagem, embora a Tunísia, pela força de sua diáspora e empolgação da torcida, deve nivelar qualquer jogo porque costumam transformar estados em caldeirões. O Japão terá um bom contingente, sempre o grupo mais civilizado da Copa e quanto à quarta equipe depende muito de quem vencer a repescagem.
No grupo F, o cenário mais provável aponta a Holanda em primeiro, Japão em segundo, a Suécia a seguir e a Tunísia seguindo como a hipótese da surpresa do grupo.
















