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Flávio é favorito mas ainda tem jogo.

há 6 horas
4 min de leitura

Foi uma vitória muito importante, ainda que a diferença de apenas 1,87%, conquistada no primeiro round, seja pequena, significou uma virada em relação às expectativas da quase totalidade dos institutos de pesquisa, melhor ainda é que gerou quase uma euforia nos eleitores de Flávio Bolsonaro, jogando nas alturas a confiança em sua vitória no segundo turno.



É sempre difícil isolar um único fator para explicar as urnas, mas, seguramente a intensa reação popular anti STF, estimulada de última hora que decisões esdrúxulas e com viés partidário nas intervenções, a meu ver indevidas, na questão da Padroeira do Brasil e, principalmente, no caso do debate da Globo.


Resumindo de maneira bem objetiva; a população não admite mais que ministros trabalhem como cabos eleitorais, argumento que inclui os ministros “advogados” da esquerda e também os de direita. A avalanche de votos para candidatos ao Senado que se posicionaram contra a militância dos ministros é a resposta das urnas que exige que a conduta moral e ética do STF seja revista ou que se afastem os indesejados.


A primeira semana do segundo turno somou uma série de notícias boas para Flávio e a exigência de revisão urgente das diretrizes da campanha petista. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Curi aderiram pessoalmente à campanha, embora apenas o Novo de tenha formalizado posição, além de diversas siglas que aprovaram a adesão ao PL, contra nenhuma ao PT. Além disto, o balanço nos estados aponta o dobro de governadores na oposição e apenas os nordestinos nas campanha de Lula.


Por fim, as pesquisas recentes mostram um ligeiro acréscimo na vantagem do candidato do PL que de forma ambígua, não consolidam a provável vitória de Flávio, nem descartam uma hipotética e improvável virada de Lula que, aliás, só teve uma boa notícia; conseguiu equilibrar a disputa por atenção nas redes sociais, inclusive com uma ligeira vantagem.


Em resumo, a leitura do jogo político pós segundo turno, mostra um desenho favorável à Flávio, mas como apoio não obrigatoriamente implica em voto, sendo razoável supor que declarações impressionem, mas apenas empenho na campanha efetivamente somem, somadas a consistente observação de que as redes sociais foram mais efetivos na definição de votos, resta observar como candidato vai definir suas pautas em assuntos críticos que impactam o cidadão e podem interferir em suas decisões.


Não parece razoável supor que a avaliação do atual governo ou os números da economia se alterem, logo as pautas que mais impactaram o leitor devem dominar o debate no segundo turno, por exclusão o STF, as relações institucionais e a segurança pública devem dominar o debate neste segundo turno.


Quanto ao STF, a posição de Flávio é contundente, com condenação plena dos ministros alinhados à esquerda, e Lula visivelmente hesita em assumir uma postura mais firme, embora esteja sinalizando apoio para reformas substanciais. Resta saber se isto será suficiente para se alinhar ao sentimento popular.


Também em relação à segurança, a pauta da direita de endurecimento supera a aparente postura mais suave da atual gestão porque a comparação das ideias fortes da direita contrasta com a desaprovação da população com a sensação constante de insegurança, em especial em grandes centros.


Deixo em aberto a questão da jornada 6x1 por pragmatismo. É improvável que avance por exiguidade de prazos e, se isto ocorrer, estejam certos que será com o apoio de Flávio Bolsonaro para atenuar prejuízos eleitorais.


Você que acompanha o raciocínio (vantagem na recomposição de forças e nas pautas mais relevantes), deve se perguntar que fatores ainda podem comprometer a liderança do candidato do PL diante deste quadro. Talvez estejam restritas às variáveis abaixo;


A mais óbvia, e uma das apostas da esquerda, é a redução significativa da abstenção nas principais segmentações que favorecem o PT (Nordeste, mulheres e católicos) que implica também em riscos por conta dos demais segmentos (Sul e evangélicos) que favorecem a direita.


A guerra digital, onde Flávio levou nítida vantagem, é outra frente relevante da disputa, com a necessidade imperativa da esquerda de buscar o equilíbrio e potencializar a rejeição à família Bolsonaro. A tropa do Bolsonaro segue ativa, mas o Exército de Lula, sob o comando de André Janone, principal reforço de Lula, acaba de ser suspenso pelo ministro Nunes Marques, naquilo que aparenta ser mais uma ação parcial, com viés partidário, oriundo do TSE.


Existe ainda uma triste constatação; é sempre possível que o celular de Daniel Vorcaro, como fonte mais expressiva, aponte para mais pautas explosivas, fato constante da campanha, pontuada por duas candidaturas vulneráveis e devendo muitas explicações ao eleitor e elevando a potência máxima o diagnóstico de que, de novo, a vitória será do “menos ruim”.


Por fim restam os debates, com os três ainda previstos ocorrendo entre 15 e 22 de outubro, em veículos nacionais (SBT, Band e Globo), com potencial para alterar muitos votos. Ao fim da análise, parece ser este o único quesito onde o experiente Lula pode suplantar Flávio Bolsonaro, naturalmente muito mais treinado e preparado que na desastrosa presença em evento similar das eleições cariocas de 2020.


Todos sabem que o histórico de debates aponta sempre para perdedores, raramente destacando vencedores consistentes e esta precisa ser a meta de Lula. Mas que vencer por pontos, acredito que apenas um desempenho muito superior pode reverter a diferença estimada em quase quatro milhões de votos de acordo com as últimas pesquisas.


Lógico que uma eleição conturbada como esta não acaba na véspera, não dá para encomendar o terno da posse, muito menos sentar na cadeira, mas, em síntese, concluo que Lula joga todas as suas fichas nos debates porque, sem vantagem clara, Flávio Bolsonaro sobe a rampa do Planalto em janeiro.

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