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Flávio afirma que Pix é do Bolsonaro apesar de ex-presidente ter dito desconhecer a medida em 2020

Na tentativa de se descolar do cerco ao Pix e do novo tarifaço anunciados pelos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem dito que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi o responsável pelo sistema de pagamentos do Banco Central que se tornou querido pelos brasileiros.


 

No dia em que o Pix iniciou o cadastro das chaves, no entanto, Bolsonaro recebeu um elogio de um apoiador pela medida e pareceu não entender do que se tratava. O ex-presidente se confundiu e respondeu a respeito de um pacote de aviação que seria lançado naquela semana.


Ao ser corrigido, disse que não tinha conhecimento e que falaria com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.


Apesar do desconhecimento do pai sobre a medida em sua estreia, Flávio tem repetido a declaração de que "o Pix é do Brasil e do Bolsonaro".


Era outubro de 2020 e o então presidente conversava com seus apoiadores no tradicional cercadinho em frente ao Palácio da Alvorada. "Parabéns pelo Pix, presidente, novo sistema do Banco Central que vai ajudar a população com pagamentos", diz um homem.


Bolsonaro responde sobre outro assunto. "Tem uma Eu não li. Temos uma do [então ministro da Infraestrutura] Tarcísio [de Freitas] nesta semana que vai praticamente desburocratizar tudo sobre aviação civil, carteira de habilitação para piloto", afirma.


O então presidente é corrigido pelo apoiador, que explica: "esse do Banco Central, para pagamentos, 24 horas, 7 dias por semana". "Não tomei conhecimento. Vou conversar essa semana com o Roberto Campos", responde Bolsonaro -que já havia mencionado o Pix em suas redes em fevereiro daquele ano.


Agora, em meio à disputa eleitoral entre o presidente Lula (PT) e Flávio, a paternidade do Pix voltou ao debate após o governo Donald Trump ter acusado o Banco Central de favorecer seu sistema de forma injusta e discriminatória em relação a outros meios de pagamento, numa referência a empresas de cartão americanas.


As conclusões constam em um documento divulgado na terça-feira (2) pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), que propôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros para lidar com práticas comerciais consideradas desleais pela gestão Trump. A decisão sobre aplicação ou não das taxas cabe ao presidente americano.


O anúncio dos EUA ocorre dias após Flávio ter se reunido com Trump na Casa Branca. O presidente americano atendeu ao pleito do senador de classificar facções criminosas como terroristas, uma vitória política do bolsonarista. Com o ataque ao Pix e o tarifaço, porém, o encontro se tornou um revés para o senador, que se defendeu dizendo ter pedido a Trump que não taxasse os produtos brasileiros.


Em resposta, Lula chamou Flávio de traidor da pátria. Durante um evento em Goiás, na terça, o presidente exibiu um cartaz com os dizeres "O Pix é do Brasil". "O tal do bolsonarista foi nos Estados Unidos [...] e pediu para o Trump intervir no Pix brasileiro. Você acha que a gente vai deixar? Não vai deixar", disse.


No dia seguinte, em Minas Gerais, Flávio levantou um cartaz afirmando que "O Pix é do Brasil e do Bolsonaro!!!". O senador atribuiu a Lula a culpa pelo novo tarifaço. "Se o presidente tivesse boa relação com os EUA, o Brasil estaria fora dessa lista. Essa tarifa é do Lula, é por causa do seu comportamento de agressão aos EUA", disse.


O Pix começou a ser desenvolvido por equipe técnica do Banco Central durante o governo de Michel Temer (MDB), em 2018, quando o presidente da autoridade monetária era Ilan Goldfajn, e foi lançado em 2020, na gestão de Bolsonaro, quando Roberto Campos estava à frente do BC.


Em 5 de outubro de 2020, o Pix entrou em funcionamento para cadastro de chaves. O sistema entrou em plena operação em 16 de novembro de 2020.Um levantamento da empresa de análise de dados Palver mostra que Flávio é apontado como culpado pelas ameaças ao Pix ou pelo novo tarifaço em 8 de cada 10 mensagens opinativas sobre o assunto trocadas em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram.


A Palver retira dessa análise mensagens consideradas neutras, como links compartilhados sem comentário e disparos automáticos de clipping, que apenas replicam notícias sobre determinado assunto.


O monitoramento se refere ao período de 27 de maio a 2 de junho e está atrelado à viagem de Flávio aos EUA e à reunião com Trump no Salão Oval da Casa Branca em 26 de maio.

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