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EX-HERÓIS NA BERLINDA: O Circo da Justiça e a Régua da Opinião Pública

Por Nelson Guerra


Ser ex-presidente no Brasil é como ser ex-craque da seleção: depois dos gritos de “é tetra!”, vêm os gritos de “é réu!”. Sai o paletó, entra o figurino de super-herói aposentado — com capa puída, letra desbotada no peito e processos na mochila.


Hoje, Lula e Bolsonaro não disputam votos, mas manchetes. Cada um com seu uniforme encardido e sua torcida organizada, enfrentam o maior vilão da República: o Judiciário — e o julgamento implacável da arquibancada nacional.


Imagem criada por IA – Nelson Guerra
Imagem criada por IA – Nelson Guerra

LULA: DO TRIPLEX À TRINCA DE PODERES


Lula foi parar na cadeia por causa de um apartamento onde nunca morou, reformado por uma construtora que, segundo a acusação, queria agradar o ex-presidente. Parecia enredo de novela das nove, com juiz que depois virou ministro do rival — Sergio Moro, o plot twist da Lava Jato.


O TRF-4 confirmou condenação e prisão seis meses antes das eleições, mas o STF anulou tudo, alegando que Moro jogou com cartas marcadas. O Comitê de Direitos Humanos da ONU concordou: o julgamento violou o devido processo legal e virou trampolim político.


Resultado: Após 580 dias Lula saiu da prisão direto para a campanha, como quem volta do vestiário para o segundo tempo, com a camisa suada e a torcida dividida.


LAWFARE: QUANDO O DIREITO VIRA ARMA


Juristas e estudiosos do Direito Penal apontam o caso como exemplo clássico de “Lawfare” — o uso estratégico do sistema jurídico para fins políticos. A anulação das condenações não apagou o desgaste político, mas reacendeu o debate sobre garantias constitucionais e imparcialidade judicial.


Para os tribunais, o que estava em jogo era a integridade do sistema anticorrupção. Para o povo, virou Fla-Flu ideológico: cada lado grita pênalti, mesmo sem bola rolando.


BOLSONARO: DA MITAGEM AO PIX SUSPEITO


Agora, vire o disco: Bolsonaro, o “mito” que prometia varrer a corrupção como vento no cerrado, está em prisão domiciliar cercado por acusações dignas de série de conspiração — tentativa de golpe, plano de fuga, joias escondidas, PIX suspeitos e até acesso antecipado à defesa de um general acusado de planejar assassinatos.


É como se o roteiro fosse escrito por roteirista de comédia pastelão: tem ex-primeira-dama, filhos envolvidos, e até pedido de ajuda ao Trump. Tudo isso embalado por negacionismo na pandemia, armamentismo, rachadinhas confessadas e imóveis comprados com dinheiro vivo.


O julgamento no STF está marcado para setembro, em cinco sessões, a partir da terça-feira do dia 2. Promete mais audiência que final de Copa do Mundo e mais tensão que eliminação no paredão do BBB.


OPINIÃO PÚBLICA: A TORCIDA DIVIDIDA


Manifestações recentes mostram que 40% dos brasileiros ainda veem Bolsonaro como vítima de perseguição política. Mas 61% agora enxergam Lula como melhor representante internacional do Brasil — impulsionado por sanções dos EUA ao juiz Alexandre de Moraes, vistas como interferência externa pró-Bolsonaro.


É como se o Brasil fosse o campo e os EUA o juiz de VAR, apitando de longe e mudando o rumo do jogo.


A MESMA RÉGUA PARA TODOS?


Comparar os dois é como medir feijoada com colher de chá para um e concha para outro. Lula foi solto por falhas processuais; Bolsonaro está afogado em provas. Por quê?


Lula, a esquerda que renasce como samba no carnaval. Bolsonaro, a direita que ecoa negacionismo como grito em estádio vazio. E o Brasil, no meio, tentando decidir se quer churrasco ou acarajé — mas sem esquecer que o garçom é o STF.


INDÍCIOS NÃO SÃO CRIMES, MAS...


Indícios são como nuvens escuras no céu: não são chuva, mas ignorá-los é pedir para molhar o terno. O STF precisa de imparcialidade, sem ceder a pressões gringas ou locais. Senão, sobra uma nação dividida, onde ex-heróis viram memes e a confiança nas instituições evapora como cachaça no sol.


Para o bem do Brasil, que a balança pese fatos, não ideologias — e que Lula e Bolsonaro enfrentem o veredicto com a dignidade de quem sabe que, no fim, o povo é o juiz supremo.

 

(Nelson Guerra é professor e consultor em Gestão Pública; estuda política enquanto prepara pipoca para as cinco sessões de julgamento em setembro – e torce para que o streaming não trave.)


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