Estamos enfrentando a maior vergonha política da história de Cianorte?
- Marcio Nolasco

- há 2 horas
- 3 min de leitura
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
Nos últimos anos, a política de Cianorte vem sendo marcada por episódios que colocaram o Legislativo municipal em evidência negativa perante toda a região. Cassações, denúncias, investigações e disputas políticas intensas passaram a ocupar espaço constante nas rodas de conversa da população e nos debates sobre o futuro da cidade.

A pergunta que hoje ecoa entre muitos moradores é inevitável: estaremos vivendo o maior colapso de credibilidade da política cianortense?
Nos últimos cinco anos, três vereadores tiveram seus mandatos cassados: Dadá, Edvaldo e Rafael Araújo. Todos integravam setores de oposição ao Executivo municipal. Independentemente das posições políticas ou das opiniões populares sobre cada caso, o fato é que as sucessivas cassações criaram uma imagem extremamente desgastante para a Câmara Municipal de Cianorte, passando para a população a sensação de instabilidade, guerra política permanente e enfraquecimento institucional.
O episódio mais recente envolvendo o vereador Rafael Araújo gerou forte repercussão. A Câmara votou pela cassação do parlamentar por unanimidade, em uma decisão que dividiu opiniões entre apoiadores e críticos. Enquanto parte da população defendia rigor e moralidade pública, outra parcela entendia haver excesso político nas punições aplicadas.
Porém, quando muitos acreditavam que a crise política já havia atingido seu limite, um novo capítulo ainda mais impactante surgiu.
O atual presidente da Câmara, Victor Hugo Davanço, apontado como um dos principais líderes da base do prefeito no Legislativo, passou a ser alvo de enorme repercussão após os desdobramentos envolvendo a operação Big Fish. O caso trouxe pedidos de investigação e culminou em um novo pedido de processo de cassação dentro da Câmara Municipal.

A situação ganhou contornos ainda mais delicados quando a população passou a presenciar o presidente do Legislativo frequentando a Câmara utilizando tornozeleira eletrônica, fato considerado por muitos como um dos momentos mais constrangedores da história política recente da cidade.
Entretanto, o que mais causou espanto foi a movimentação interna da própria comissão processante.
O relator da comissão, vereador Coronel Elias, apresentou relatório defendendo a continuidade do processo e o avanço das investigações. Para ele, havia elementos suficientes para que novas fases fossem realizadas e os fatos fossem aprofundados.
Por outro lado, o presidente da comissão, Robson Fagundes, e a vereadora Marisa Franco, ambos considerados aliados políticos próximos de Victor Hugo dentro da Câmara, confrontaram o parecer do relator e protocolaram manifestação defendendo o arquivamento imediato do processo.
A situação levantou uma série de questionamentos entre os moradores de Cianorte.
Como a Câmara pode ter cassado recentemente um vereador de oposição e, agora, diante de denúncias envolvendo o próprio presidente da Casa, discutir o arquivamento do processo antes mesmo do aprofundamento das investigações?
Até que ponto interesses políticos e alianças partidárias estão pesando acima da imagem institucional do Legislativo?
A população também começa a questionar se existe articulação política de bastidores para evitar o avanço do processo. A base governista composta pelos vereadores Thiago Fontes, Robson Fagundes, Professora Kelly, Jorge Garcia, Marisa Franco, Rodrigo Enfermeiro e Victor Hugo Davanço estaria unida em torno do arquivamento? A oposição conseguirá reunir forças para manter a investigação em andamento?
Nos corredores políticos da cidade, cresce a expectativa sobre a união dos vereadores Beto Nabhan, Coronel Elias e Wanderlei Barbosa para defender a continuidade do processo e impedir o encerramento precoce das apurações. Tendo em vista que o Vereador Afonso Lima irá presidir a sessão sendo automaticamente impossibilitado de votar sobre a pauta.
Outra pergunta inevitável também surge no debate público:
Qual seria o posicionamento do prefeito diante de toda essa crise?
Existe alguma articulação política entre Executivo e vereadores da base para garantir o arquivamento?
Ou a administração municipal prefere manter distância institucional do caso?
Até o momento, muitas dessas perguntas seguem sem respostas definitivas.
A votação decisiva ocorrerá em sessão extraordinária marcada para o dia 25 de maio, às 16 horas. O resultado poderá definir não apenas o futuro político de Victor Hugo Davanço, mas também o rumo da credibilidade da Câmara Municipal perante a sociedade.
No fim, o sentimento que paira sobre parte da população é de preocupação profunda com o futuro da política local.
E vou lhes dizer caro leitor com todas as letras - Vereador que tenta "fazer cabeça" de outro para que vote a favor dos interesses do sistema no caso de Davanço, também comete decoro e também deveria passar por processo de cassação - pois fere os princípios de ética e moralidade que regem a administração publica - Isso é outra vergonha na política cianortense, de impor a lei do corporativismo político, quebrando as regras do processo democrático... Uma vergonha!!
Afinal, até quando a população de Cianorte continuará convivendo com episódios que colocam seu Legislativo em situação de desgaste público? Será possível recuperar a confiança nas instituições? E, principalmente, será que um dia os cianortenses voltarão a sentir orgulho pleno de seus representantes políticos? - Marcio Nolasco.

















Comentários