EMENDAS PARLAMENTARES: Sherlock Dino e a PF na Caça aos Bilhões Sumidos via Congresso
- Nelson Guerra

- 13 de nov.
- 3 min de leitura
O ministro Flávio Dino, agora em modo detetive full time, vestiu o sobretudo de detetive, pegou a lupa e acionou a Polícia Federal para investigar um enredo mais enrolado que novela das nove: o repasse de R$ 2,3 bilhões em emendas parlamentares para 34 ONGs e entidades do terceiro setor. O caso é sério, mas a gente explica com a leveza de um meme e a acidez de um limão galego.

Foi a Controladoria-Geral da União (CGU) que entregou o mapa da mina (e dos buracos). A CGU fez um relatório tão detalhado que parece dossiê de ex ciumento. O documento revelou que a execução desses bilhões está mais furada que peneira de isopor. Ó o que apareceu:
v ONGs “Tira-Teima”: Algumas tinham a capacidade técnica de uma criança tentando montar um quebra-cabeça de cinco mil peças sem bordas. É como dar uma Ferrari para quem só dirige Fusca.
v Plano de Trabalho “Horóscopo”: Genéricos, vagos e reciclados. Servem para qualquer um, mas não resolvem nada.
v Fiscalização “Deus Ajuda”: A CGU teve que pedir reforço aos universitários, porque a transparência estava mais opaca que vidro de banheiro.
v Contratações “Nas Coxas”: Sem critérios claros, parecendo presente de amigo secreto comprado no caminho da festa.
O saldo desse samba do gestor doido? Um prejuízo estimado de R$ 15,18 milhões aos cofres públicos. Não paga nem o cafezinho do Congresso, mas daria para construir uns bons viadutos — sem superfaturamento, claro.
Do Orçamento Secreto ao Jeitinho Secreto 2.0
Sherlock Dino percebeu que, mesmo com o fim do famigerado Orçamento Secreto — aquele mais misterioso que o paradeiro do mapa do tesouro — há parlamentar tentando ressuscitar o fantasma da falta de transparência. Só que agora com fantasia nova: as chamadas emendas coletivas, que escondem o autor da verba como quem esconde o nome no bilhete do amigo oculto.
O ministro-detetive chamou isso de “fragilidade na transparência” e deu um prazo de 60 dias para a Casa Civil fazer a limpa e alinhar os ministérios. É tipo pedir para todo mundo falar a mesma língua — e que essa língua seja a da prestação de contas.
PF entra em campo com vassoura de mãe
A Polícia Federal já calçou as chuteiras e prometeu uma investigação estilo faxina de mãe em dia de visita: vai passar o pente-fino. Tudo indica que vai ter parlamentar para lamentar. A missão inclui:
v “Pega-Ladrão” de Provas: Análise dos dados da CGU e do TCU para descobrir onde o dinheiro, que era para virar tijolo, virou pó.
v “Sessão de Terapia” no STF: Muita gente será ouvida. Quem tem culpa no cartório vai começar a suar mais que político em sabatina.
v Relatório Final e o “Beijo do MPF”: Se a PF encontrar indícios de crime, o caso vai parar no colo do Ministério Público Federal.
v Julgamento VIP no STF: Como envolve parlamentares com foro privilegiado, o processo corre direto no Supremo, sob a batuta de Dino.
A conta chegou
No final das contas, meu caro Watson, o recado é claro: quem meteu a mão pode ter que devolver o dinheiro com juros, pagar multa e, no pior dos cenários, tirar férias forçadas na colmeia (prisão). É o STF dizendo: a festa acabou, e a conta chegou. A rastreabilidade dos recursos públicos está mais em alta que pão de queijo mineiro em rodoviária.
(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública. Estuda política e economia enquanto espera o circo pegar fogo em Brasília)














Comentários