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Eleições em 2026 e caos em 2027?

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.


Vamos ser objetivos; eleições em 2026 é fato, a propósito já se respira o ar eleitoral, mas crise em 2027 é apenas uma nuvem escura no horizonte, indicando a possibilidade de chuvas e trovoadas. Sendo ainda mais objetivo; nossa classe política conspira contra a nação, ao priorizar seus interesses e negócios eleitorais em detrimento de um tratamento sério às questões econômicas.


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Sem medo de cometer injustiças, a isenção dos impostos até cinco mil reais foi uma bela consequência da ação tresloucada da Câmara na PEC da Blindagem, uma afronta ao bom senso com resposta contundente da sociedade. Todavia, exceto por este momento de lucidez, resumir a ação política em dois polos é realmente muito fácil, neste momento. Situação preocupada em produzir benesses que lhes renda bônus eleitorais, sem nenhuma preocupação com a questão fiscal, exceto pela ação isolada do bem-intencionado, mas impotente, ministro Fernando Haddad e a oposição apostando no “quanto pior, melhor”, criando cenários desnecessários de impasses para desgastar o governo e gerar um bom clima pra ampliar as indulgências, geralmente embaladas na forma de emendas.


Não há dúvidas que ambos os lados sabem que apenas a continuidade das reformas estruturais, controle da inflação, além de um ambiente global favorável, podem garantir um crescimento sustentável, mas, para além disto o Brasil, sob as rédeas do governo de plantão, precisa enfrentar os desafios fiscais que inevitavelmente geram crise de confiança e instabilidades, sendo a trajetória da dívida pública o principal vetor, permitindo projetar em poucos anos um empate matemático entre PIB e dívida que, mesmo leigos, podem perceber o que isto representaria em aumento de juros e fuga de investimentos.


A questão é que este é um problema do país e não apenas do governo de plantão! Não adianta apostar no cenário de caos porque esta seria a herança do próximo governo, sujeitos as mesmas chantagens congressuais e com a mesma margem escassa de manobra. Vencer a crise e reverter o gráfico de crescimento é tarefa da nação, mas, cientes que o bolso do eleitor é o principal indutor do voto, a oposição se iguala em irresponsabilidade ao governo por razões diferentes. Ambos só pensam nas urnas e por isso suas ações são determinadas por esta prioridade.


Uma eficiente reforma tributária, uma percepção que o marco fiscal é uma exigência inegociável, o controle da inflação, para permitir recuo dos juros, um empenho prioritário para reter a escalada da dívida pública são fundamentais para gerar um potencial de crescimento elevado nos próximos anos, reestabelecendo a confiança interna e de investidores externos é o caminho consensual que todos conhecem. O problema é que o grupo político que cumprir esta missão receberá consagração nas urnas e as inevitáveis reeleições. Por que não começar esta missão eliminando a reeleição nas majoritárias para alterar a bússola das decisões políticas?


Talvez a nação tenha ainda uma missão mais complexa de rediscutir nosso modelo político porque é consenso que nosso presidencialismo está quase falido, sendo incapaz de criar cenários que permitam o enfrentamento dos desafios dos próximos anos. Todavia, uma leitura fria das alternativas, semipresidencialismo ou parlamentarismo, nos colocaria nas mãos de um congresso que, mas que um câncer, sofre de uma metástase chamada centrão.


Recorro ao jurista Miguel Reale Junior que no início deste outubro declarou “O presidencialismo sem freios e contrapesos redundou num sistema de irresponsabilidade, gerador de conflitos entre os Poderes”. Cirúrgico!


Executivo com prioridade absoluta nas questões eleitorais, Congresso focado nas chantagens que estiquem a corda das emendas abusivas e judiciário invadindo a esfera política é a relação de ingredientes desta receita caótica que explica o Brasil de 2026, fruto da polarização obtusa que cegou a nação, espalhou o ódio, nos transformou em território das narrativas, como se houvesse um magistral algoritmo no discurso de nossos líderes, com força suficiente para  reduzir a capacidade analítica até dos formadores de opinião.


A solução mais lúcida poderia vir das urnas, com o voto responsável de uma grande parcela dos eleitores, algo impensável no Brasil atual onde até mesmos mentes brilhantes se acham contaminadas pela força coerciva dos algoritmos que os fazem bradar impropérios contra o lado oposto, como se xingar os líderes das duas extremas fosse suficiente para abrir o horizonte e apontar para um caminho confiável a ser percorrido. A força das emendas, da ditadura das legendas, da concentração das verbas do fundão eleitoral é suficiente para que se projete o próximo congresso com amostragem próxima, talvez pior porque reforçada pelos bandidos que se querem excelências, sem nenhuma sinalização em direção à ética.


Resta uma missão hercúlea da parte não contaminada da sociedade, excluídos os idiotas úteis que se acham estrelas ao apontarem para o gado da ponta direita ou os burros da esquerda, com argumentos de meio palmo de profundidade, no mar imenso que carrega nossos problemas e frustrações. Sem concessão para as paixões, é justo afirmar que Lula e Bolsonaro seguiram o exemplo dos anteriores e nada fizeram para romper as amarras do governo com o centrão obsceno que suga recursos e a possibilidade de ajuste fiscal no país. Sim, além da inércia do governo de plantão, a espada afiada do impeachment se soma à irresponsabilidade, que exige ações eleitoreiras, ganham de goleada da espinhosa caminhada para a nossa necessária recuperação fiscal.


Em algum momento próximo, antes do caos irreversível, os interesses do país precisam ser mais importantes do que a anistia do Bolsonaro ou a reeleição de Lula. Sei que é difícil imaginar isto como consequência do diálogo entre as principais siglas, complicado ter que acreditar que os ruedas, valdemares, lupis e tantas outras figuras carimbadas, com papel de destaque em todos os escândalos das últimas três décadas, sejam capazes de atitudes republicanas, desprovidas de prioridades pessoais e profissionais, e colaborem para garantir um mínimo de tranquilidade para as famílias brasileiras.


A pressão social precisa impor uma agenda de reformas, tributária, administrativa, até no STF do ministro Fachin, e política para recompor a base legal e moral imprescindível para que o ungido das urnas, não seja apenas refém ou cúmplice do sistema político e tenha capacidade para reconstruir os caminhos do Brasil que precisa fugir do atraso econômico e da desgraça política que tão bem define o momento atual.


Que venha um processo político mais propositivo, com menos ódio. Sem Bolsonaro será melhor, sem Lula seria perfeito, não por eles, líderes que tem seus méritos, mas pelo que representam de retrocesso, de décadas de um presidencialismo capenga que nos condena ao atraso.


O Brasil precisa ser melhor do que suas lideranças porque os brasileiros já se cansaram de pagar por suas ambições e irresponsabilidades. Assim mesmo, sem meias palavras.

 

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