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Educação e segurança: escolhas que definem o futuro de Sarandi

Por Ana Lúcia Rodrigues - vereadora de Maringá


Embora este não seja um problema direto de Maringá, não podemos nos calar diante do que acontece em Sarandi. Trata-se de um tema regional, que afeta toda a territorialidade metropolitana. A história mostra isso com clareza: a Penitenciária Estadual de Maringá (PEM), inaugurada em 10 de abril de 1996, foi construída em uma área agrícola de Maringá, no limite em frente a bairros de Paiçandu. Assim, a cidade polo afastou de si a presença da unidade de segurança máxima e transferiu os impactos para a cidade vizinha e manteve os benefícios.


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Agora, a história se repete com Sarandi. A prefeitura anunciou que não renovaria a compra de vagas em creches particulares, prejudicando milhares de crianças. Foi necessária uma decisão judicial para obrigar o município a manter os contratos e garantir que essas crianças não ficassem sem atendimento.


Enquanto a educação sofre cortes e incertezas, a administração municipal avança com a desapropriação de uma área no Jardim França para a construção de um presídio. Mais grave: a população não foi ouvida. Não houve consulta pública, nem estudo de impacto de vizinhança. Moradores já protestaram, lembrando que a região precisa de escolas, postos de saúde, saneamento básico e transporte — e não de mais muros de prisão.


Brizola já nos alertava


Leonel Brizola, um dos maiores defensores da escola pública no Brasil, deixou um ensinamento que hoje se comprova na prática:


“Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios.”


Sarandi é exemplo vivo dessa profecia: o município tentou cortar vagas em creches e, ao mesmo tempo, prioriza a construção de presídios, sem sequer dialogar com a comunidade afetada.


Educação é segurança


Não há política de segurança pública eficaz sem política de educação. A criança que hoje fica fora da escola é a mesma que amanhã poderá enfrentar as consequências do abandono do Estado. Cada vaga de creche perdida é um investimento em desigualdade, e cada real destinado ao encarceramento em vez da educação é a materialização da advertência de Brizola.


Escolhas que precisam mudar


O povo de Sarandi está certo em protestar. E Maringá também deve se preocupar: não se trata apenas de um problema local, mas de toda a região metropolitana, que historicamente já sofreu com a imposição de cadeias sem o devido debate público.


Segurança de verdade se constrói com investimento em oportunidades, em educação e cidadania. Não podemos aceitar que se repita em nossa região o caminho que Brizola tanto denunciou, o da omissão na educação e o gasto crescente com presídios. É hora de inverter as prioridades.

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