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E AGORA, OS COMISSIONADOS QUE PERDERAM AS ELEIÇÕES?

há 6 horas
4 min de leitura

A URNA FECHOU. A CONTA POLÍTICA COMEÇOU.


Por Marcio Nolasco — Editor-Chefe do Portal Bisbilhoteiro


A eleição acabou em Cianorte...


As bandeiras começaram a ser recolhidas. As carreatas terminaram. As dancinhas acabaram. Os videos das redes sociais ficaram sem cor. Os discursos desapareceram das redes. Os palanques foram desmontados.


Mas existe uma ressaca que ainda está apenas começando.


A ressaca política de quem apostou tudo em candidatos que perderam.


E, nos próximos dias, muita gente que ocupava cargos de confiança, fazia parte de estruturas políticas municipais ou alimentava expectativas de futuras nomeações poderá descobrir que, na política, promessa não é garantia — e eleição não é contrato de emprego.



A POLÍTICA TEM UM DIA SEGUINTE


Secretários, assessores, chefes de departamento e outros ocupantes de cargos de confiança podem agora enfrentar um cenário completamente diferente daquele imaginado durante a campanha e outras promessas do prefeito...


Havia expectativa de continuidade.


Havia expectativa de crescimento.


Havia expectativa de uma nomeação no Estado.


Havia expectativa de um novo cargo caso determinado candidato chegasse ao governo.


Só que o eleitor cianortense que fica na fila de saude deu sua reposta e fez sua escolha.


E quando a escolha das urnas não coincide com os interesses de determinados grupos políticos, o tabuleiro muda completamente.


Não significa que todos perderão seus cargos.


Não significa que todo comissionado esteja ali por indicação partidária.


Mas seria ingenuidade ignorar que, em Cianorte e em muitos municípios, cargos de confiança também fazem parte das relações políticas construídas ao longo dos anos.


E agora chegou a hora de saber quem estava ali pela competência, quem estava ali pela confiança e quem estava ali pela política.


E O PREFEITO?


Aqui está uma das questões mais delicadas do pós-eleição.


O Prefeito que entrou de corpo e alma em determinadas campanhas agora terá que administrar uma realidade diferente.


Apoiou candidato.


Fiz campanha.


Subiu em palanques.


Pediu votos.


Defendeu nomes.


Construíu alianças.


E seus candidatos perderam.


Agora será necessário fazer aquilo que a política exige depois da eleição:


Sentar à mesa com quem venceu e com quem xingou com palavras árduas.


E isso exige maturidade e bater continência ao seus opositoires.


Porque o governador eleito será governador de de Cianorte e de todos os municípios.


E a frase "Marcão a Obra" pode mudar para "Marcão sem obras".


O deputado eleito será deputado de todos os paranaenses.


E a prefeitura continuará precisando de recursos, convênios, obras, programas e investimentos. E agora o prefeiro deve descer do seu trono e baixar a cabeça com humildade...


A eleição termina.


A relação institucional começa.


O PROBLEMA É QUANDO A POLÍTICA VIRA RESSENTIMENTO


É aqui que mora o perigo.


Nenhum município pode se dar ao luxo de transformar uma derrota eleitoral em uma guerra política permanente.


Se determinado prefeito apoiou um candidato derrotado, isso faz parte da democracia.


Se o eleitor escolheu outro nome, também.


O problema começa quando a emoção eleitoral ultrapassa a porta da prefeitura e interfere na administração.


Porque aí quem pode acabar pagando a conta não é o prefeito.


Não é o secretário.


Não é o deputado.


É o cidadão.


Uma obra que deixa de avançar.


Um convênio que demora.


Um projeto que fica na gaveta.


Uma negociação que não acontece.


Uma prioridade que muda.


Uma relação institucional que precisa ser reconstruída.


Tudo isso tem consequência.


E consequência política, quando chega à ponta, costuma ter nome:

população.


O MUNICÍPIO NÃO PODE SER REFÉM DE UMA ELEIÇÃO


Prefeitura não é comitê eleitoral.


Secretaria não é extensão de partido.


Cargo público não deveria existir para remunerar fidelidade política.


E obra pública não pode ser moeda de disputa entre grupos.


Depois da eleição, existe uma obrigação maior:


Administrar.


Administrar para quem votou.


Administrar para quem não votou.


Administrar para quem fez campanha contra.


Administrar até para quem criticou o governo.


Essa é a diferença entre uma estrutura pública orientada pelo interesse coletivo e uma estrutura política orientada exclusivamente pela sobrevivência de grupos.


A GRANDE PERGUNTA


E agora?


O que acontecerá com aqueles que apostaram suas carreiras políticas em candidatos derrotados em Cianorte?


Quem prometeu cargo no governo estadual vai cumprir a promessa?


Quem esperava uma secretaria continuará esperando?


Quem acreditava em uma nomeação terá que procurar outro caminho?


E aqueles que ocuparam cargos de confiança durante a campanha continuarão nos mesmos postos?


Essas respostas virão com o tempo.


Mas existe uma pergunta ainda mais importante:


O QUE VAI ACONTECER COM A CIDADE?


Porque, no final, pouco importa quem perdeu um cargo político.


O que realmente importa é se a população perderá uma obra.


Se perderá um investimento.


Se perderá um serviço.


Se perderá uma oportunidade.


Se perderá tempo.


A ELEIÇÃO ACABOU. A CIDADE NÃO.


Talvez essa seja a frase que muitos políticos precisem ouvir neste momento.


A eleição acabou. A cidade não.


O eleitor já falou.


Agora é hora de trabalhar.


O Prefeito Marco Franzato terá que baixar a temperatura.


Terá que dialogar com o governo.


Terá que ter realcionamento com novos Secretários Estaduais.


Assessores municipais EXPERIENTES E NÃO FANTOCHES terão que provar sua utilidade além da política.


E os derrotados em Cianorte terão que aceitar que a democracia não termina quando o resultado não é aquele que esperavam.


Porque democracia também significa saber perder.


E política, acima de tudo, significa saber conviver com o resultado das urnas.


NO FINAL, A CONTA É SEMPRE DO CIDADÃO


O cidadão não quer saber qual prefeito apoiou qual governador.


Não quer saber quem esteve no palanque de quem.


Não quer saber quem perdeu uma nomeação.


Não quer saber quem ficou sem cargo.


Ele quer saber se a UBS funciona.


Se a escola funciona.


Se a obra termina.


Se a rua é asfaltada.


Se o hospital atende.


Se o dinheiro público é bem aplicado.


Se a prefeitura trabalha.


É disso que se trata.


Porque quando a emoção política fala mais alto que a razão administrativa, alguém sempre paga a conta.


E, quase sempre, esse alguém não está no palanque.


Está do outro lado do balcão.


É o cidadão cianortense.


MARCIO NOLASCO

Editor-Chefe — Portal Bisbilhoteiro

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