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DIFÍCIL ACREDITAR QUE VOCÊ ACREDITAVA NOS BOLSONARO


Por Hevelin Agostinelli

Jornalista | Advogada Criminalista
Criminologia & Política Criminal


Eu vou te dizer uma coisa forte, direto ao ponto, e eu juro que não é pra te ofender, mas você, você já sabia, que o clã Bolsonaro nunca foi um exemplo de moralidade.


A gente não é bobo, ninguém vê uma família inteira nadando em dinheiro, comprando mais de 100 imóveis e pensa, puxa, que dedicação ao trabalho assalariado. Você fingia acreditar que o Queiroz operava uma imensa estrutura de rachadinha no rio sozinho.


Fingia que o lucro astronômico daquela loja de chocolates era um milagre do empreendedorismo. A essa altura do campeonato, todo mundo aqui tem pós-graduação em lavagem de dinheiro por osmose, de tanto assistir as modalidades dessa tática ilegal pelo noticiário. Você viu o Flávio Bolsonaro na quarta-feira? O jornalista apenas trabalhando, fazendo uma pergunta simples.


Senador, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, patrocinou o filme do teu pai? A reação do Flávio foi uma obra-prima do cinema nacional. O sujeito muda de cor até, acusa o repórter de militância, solta aquela gargalhada de deboche e vira as costas com aquele desprezo que o pai dele ensinou no berço. Cinismo puro, ironia, arrogância.


Só que a farsa durou o que? Meio-dia? Algumas horas depois, o mesmo Flávio teve que engolir o deboche e admitir, é, o Vorcaro deu dinheiro. Correu para o Globo News para tentar amaciar o mercado e destilar o cinismo de sempre em um ambiente confortável. Mas a história ainda melhora, né? Passam algumas horas e a pergunta no ar é, cadê o dinheiro do filme? Porque o banqueiro mandou supostos 61 milhões de reais, não? Mas a produtora negou ter recebido o dinheiro do Banco Master.


Enquanto isso, lá nos Estados Unidos, o Eduardo Bolsonaro e o amigo Paulo Figueiredo se manifestavam nas redes, rindo das denúncias. Pouco depois, boom! Documentos provam que parte da grana do banco foi parar direto no fundo do advogado de imigração do Eduardo. Vazaram mensagens dele no WhatsApp pedindo dinheiro para gerir fora do Brasil.


E paralelo a isso, a internet descobre a mansão luxuosa onde ele mora com padrão de vida totalmente incompatível com o salário do cargo de deputado, que, inclusive, ele perdeu. E ainda apareceu o nome dele brilhando no contrato como produtor executivo do filme do pai. E pra fechar, com chave de ouro, esse roteiro de comédia pastelão, a equipe do ICL vai até o endereço oficial e comercial da produtora do filme nos Estados Unidos e, adivinha só, não tem ninguém.


Nem o nome da empresa é o que está constando no local. Agora, sério, olha no meu olho e me diz que você realmente acreditava na honestidade deles antes de tudo isso. Me diz que você achava que eles não mentiam, porque eu me recuso a acreditar que você seja tão ingênuo.


Até porque eu sei que você não é ingênuo. A verdade é que, no fundo, nunca foi ingenuidade, né? Foi escolha. E, muito pior que isso, pra muitos continuará sendo escolha.


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