Desistências e insistências
- Célio Juvenal Costa

- há 1 dia
- 3 min de leitura
Quem nunca fez promessas na virada de um ano para o outro? Neste início de 2026, quais as promessas que foram feitas? “Vou mudar de emprego”, “Vou entrar em uma academia”, “Vou parar de fumar”, “Vou começar um curso novo”, enfim, várias são as resoluções que são tomadas, no entanto, a maioria delas não se concretiza. A segunda sexta-feira do ano entrou para o calendário americano como o Quitter’s Day, ou “O dia da desistência”. Uma pesquisa de um instituto identificou que as pessoas, de forma geral, desistem de suas promessas de virada de ano em meados de janeiro, quando o entusiasmo começa a falhar, quando se percebe que as promessas não eram muito realistas, que os hábitos antigos vão se mostrando mais fortes do que se previa... enfim, as boas resoluções que tomamos têm uma vida bem curta.

Parece que nós, seres humanos, somos movidos, pelo menos em nossas intenções, pelo entusiasmo e por rituais que se acredita serem de passagem. O final de um ano e o início do próximo é marcado por esse entusiasmo em que o velho é deixado para trás e o novo é uma promessa de coisas melhores. Em uma rápida busca sobre a origem da tradição das promessas de ano novo, temos que o seu início se deu provavelmente na Babilônia, há quatro mil anos, em que o início do ano era celebrado em um festival de doze dias; depois no Império Romano, com o calendário Juliano, no século I a.C., que estabeleceu o dia primeiro de janeiro como início do ano. Tanto no império Babilônico como no Romano, se ofereciam sacrifícios e oferendas aos deuses, e prometia-se que se tornariam pessoas melhores, com a esperança de que eles as favorecessem com melhorias em suas vidas. Na era cristã não foi muito diferente no que diz respeito ao divino com o poder de interferir na vida da pessoa, a partir do compromisso que ela fazia de ser uma pessoa moralmente melhor e, por isso, merecedora do auxílio divino.
O fato é que, independente da tradição e do entusiasmo em realizar promessas para o ano novo, a grande maioria das pessoas acaba por desistir de cumprir sua lista no decorrer do ano, tanto que se criou, com um certo bom-humor, o Quitter’s Day. Claro que muitas promessas que vemos por aí não são razoáveis, ou dependem de uma interferência externa para se realizarem (como prometer viajar mais caso ganhe na loteria). Mas, uma boa parte é realizável sim, especialmente aquelas que dizem respeito aos hábitos da pessoa, como fumar, beber, comer, jogar etc.. E, mesmo assim (ou talvez exatamente por isso), as promessas não se realizam, ou, para ser mais preciso, não passam da metade do primeiro mês do novo ano.
O dia em que escrevo este texto já está há quase um mês do “Dia da Desistência”, que neste ano caiu no dia 09 de janeiro. Portanto, muitas pessoas estão começando 2026 com um peso de abandonarem suas promessas para o ano; talvez elas se sintam impotentes e frustradas, na mesma medida de seu entusiasmo inicial. Eu, particularmente, não acredito que os momentos de passagem são ideais para resoluções; tais momentos poderiam ser curtidos pelo simbolismo que eles trazem, poderiam ser apreciados até pelo simples fato de estarmos vivos neles. As resoluções, as promessas, elas precisam de convicções do dia-a-dia, requerem um certo planejamento e, especialmente, precisam ser realizáveis; por isso, nada melhor do que serem feitas em épocas que não somos deixados levar pelo entusiasmo coletivo. Sendo assim, desejo a todas as minhas leitoras e todos os meus leitores, que ousem fazer promessas que visem pequenas, mas significativas, mudanças em suas vidas!!
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