'DARK HORSE'- O INSTITUTO DOS MILHÕES E O TESOUREIRO QUE DIZ NUNCA TER SIDO TESOUREIRO
R$ 108 MILHÕES EM CONTRATO, R$ 2 MILHÕES EM EMENDAS, INVESTIGAÇÕES E ASSINATURAS QUE NÃO BATEM. AFINAL, QUEM COMANDAVA O ICB?
Há momentos em que uma história deixa de ser apenas uma sequência de documentos e passa a exigir respostas.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, empresária ligada à produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, está no centro de uma sucessão de questionamentos que envolvem contratos milionários, recursos públicos, investigações e documentos cuja autenticidade passou a ser colocada sob suspeita.
E talvez nenhuma dessas questões seja tão desconcertante quanto esta:
o homem que aparece durante anos nos documentos como tesoureiro-geral do instituto afirma que nunca foi tesoureiro.
Jacio de Medeiros Dantas, eletricista, aparece em atas do ICB entre 2014 e 2021 ocupando o cargo que, em qualquer organização, deveria representar responsabilidade direta sobre recursos financeiros, pagamentos, recebimentos e controle do caixa.
Mas, segundo ele próprio declarou ao Intercept Brasil, seu nome foi colocado no cargo apenas para ajudar na constituição da entidade.
Ele afirma que nunca participou efetivamente da organização, nunca exerceu a tesouraria e sequer tinha tempo para fazê-lo.

Então por que seu nome estava lá?
E essa não é a única pergunta.
Documentos analisados pela reportagem apresentam divergências significativas entre assinaturas atribuídas a integrantes da direção do ICB. Em determinados documentos, as rubricas não apresentam a mesma grafia encontrada em outras atas ou em registros oficiais externos ao instituto.
O próprio Dantas teria afirmado que não reconhece algumas das assinaturas atribuídas a ele.
Isso não permite afirmar, automaticamente, que houve falsificação. Essa conclusão depende de investigação e perícia. Mas é impossível tratar a questão como um simples detalhe burocrático quando os documentos estão relacionados à estrutura de uma entidade que movimentou milhões de reais.
E aqui entram os números.
R$ 108 milhões.
Esse foi o valor de um contrato firmado em 2024 entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para implantação de Wi-Fi público na capital paulista. O acordo, revelado pelo Intercept Brasil, passou a ser investigado pela Polícia Civil por suspeitas de irregularidades.
R$ 2 milhões.
Esse é o valor de emendas parlamentares destinadas ao instituto pelo deputado federal Mario Frias, segundo informações divulgadas sobre a investigação da Polícia Federal relacionada ao chamado caso Dark Horse.
R$ 11 milhões.
Esse foi o montante recebido pelo ICB do CN-Sesi, segundo auditoria da Controladoria-Geral da União. De acordo com a CGU, aproximadamente R$ 2,4 milhões apresentaram indícios de superfaturamento.
Não estamos falando de dinheiro de uma caixinha de condomínio.
Estamos falando de dinheiro público, contratos públicos, emendas parlamentares e uma organização que agora aparece sob o olhar de órgãos de investigação e controle.
E é exatamente neste ponto que o jornalismo precisa fazer aquilo que muitas vezes incomoda: perguntar.
Quem efetivamente administrava os recursos?
Quem tomava as decisões?
Quem assinava?
Quem participava das assembleias?
Quem controlava a tesouraria?
E, sobretudo, por que alguém que aparece formalmente como tesoureiro durante anos afirma que nunca exerceu a função?
Se tudo estiver regular, ótimo
.
Que se apresentem os documentos, as explicações, os responsáveis, os registros contábeis e as provas capazes de esclarecer cada uma dessas dúvidas.
Mas se existem inconsistências documentais, elas precisam ser investigadas.
Porque existe uma diferença enorme entre uma entidade que simplesmente possui documentos mal organizados e uma estrutura em que pessoas aparecem ocupando cargos relevantes apenas no papel.
Essa diferença precisa ser descoberta pela investigação.
O cidadão brasileiro está cansado de ouvir falar em milhões enquanto as explicações chegam em centavos.
Quando uma organização recebe recursos públicos, a transparência deixa de ser favor. Passa a ser obrigação.
E quando surgem documentos controversos, depoimentos conflitantes e investigações policiais, o silêncio deixa de ser uma resposta aceitável.
O Portal Bisbilhoteiro não condena ninguém.
Mas também não vai fingir que não viu.
Porque talvez a pergunta mais incômoda de toda essa história não seja quanto dinheiro entrou no Instituto Conhecer Brasil.
Talvez seja:
QUEM REALMENTE ESTAVA POR TRÁS DA CANETA, DOS DOCUMENTOS E DOS MILHÕES?
Agora cabe às autoridades investigar.
E cabe aos envolvidos explicar.
Porque dinheiro público exige transparência. Documento exige autenticidade.
Cargo exige responsabilidade. E milhões de reais exigem respostas.
As informações acima reproduzem questionamentos e suspeitas relatados por fontes jornalísticas e órgãos de controle. Eventuais fraudes ou irregularidades somente podem ser afirmadas após a devida apuração e comprovação pelas autoridades competentes. O Portal Bisbilhoteiro permanece aberto à manifestação dos citados.




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