Corrida Global: Brasil Precisa Sair da Arquibancada
- Nelson Guerra

- 5 de mai.
- 3 min de leitura
Por professor Nelson Guerra, analista político
Enquanto as superpotências travam uma disputa épica pela hegemonia mundial, o Brasil oscila entre o potencial de grande competidor e o risco de se tornar mero coadjuvante.

O CENÁRIO GLOBAL: UMA PROVA DE ALTÍSSIMA COMPETIÇÃO
A geopolítica mundial se transformou em um autêntico Grand Prix, onde EUA e China disputam a pole position em uma corrida que redefinirá o século XXI. Analistas comparam o momento atual às grandes disputas do passado - EUA x URSS na Guerra Fria, Grã-Bretanha x Alemanha no início do século XX - mas com uma diferença crucial: a arena econômica se tornou o principal campo de batalha.
Neste cenário, o Brasil se assemelha a um piloto talentoso, mas que insiste em começar a prova com o freio de mão puxado. Enquanto isso, os competidores já completaram várias voltas.
A GUERRA COMERCIAL: OBSTÁCULOS QUE REDESENHAM A PISTA
A imposição de tarifas por parte dos EUA atingiu níveis sem precedentes - um verdadeiro muro de contenção contra o avanço chinês. As medidas protecionistas americanas afetaram bilhões de dólares em produtos chineses, como carros elétricos, semicondutores, baterias, painéis solares, aço, alumínio e equipamentos médicos. A resposta de Pequim veio em forma de contratarifas e uma estratégia ousada:
• Aceleração dos investimentos em tecnologia de ponta
• Expansão agressiva na África e América Latina
• Criação de rotas comerciais alternativas (como a Nova Rota da Seda)
Para o Brasil, esse cabo-de-guerra cria oportunidades únicas. Nossas exportações agrícolas para a China bateram recorde em 2023 (US$ 89,9 bilhões) normalmente soja, milho, açúcar, carne bovina, carne de frango, celulose, algodão e carne suína in natura, enquanto os EUA buscam novos fornecedores para substituir produtos chineses.
OS BLOCOS ECONÔMICOS: FORMANDO PELOTÕES ESTRATÉGICOS
O mundo está se dividindo em três grandes grupos de competidores:
O Bloco Ocidental (EUA, UE, Reino Unido) - foco em segurança tecnológica
O Eixo China-Rússia - expansão através de infraestrutura e energia
Os Não-Alinhados (Índia, Brasil, África do Sul) - tentando manter relações com ambos os lados
O Brasil, nesse contexto, age como um piloto que hesita em escolher seu pelotão - uma estratégia que pode custar caro na reta final.
O BRASIL NA PISTA: MOTOR POTENTE, MAS COM PROBLEMAS MECÂNICOS
Nosso Potencial Competitivo:
✅ Reservas de terras raras (essenciais para alta tecnologia)
✅ Matriz energética das mais limpas do mundo
✅ Setor agropecuário com produtividade recorde
Nossos Defeitos Mecânicos:
🔧 Carga tributária que sufoca a inovação (32,3% do PIB)
🔧 Infraestrutura logística deficiente (23ª posição no ranking do Banco Mundial)
🔧 Educação técnica insuficiente (apenas 21% dos jovens no ensino profissionalizante)
OS NÚMEROS DA CORRIDA BRASILEIRA
• Projeção de crescimento: 2,1% em 2025 (ante 3,7% da média emergente)
• Dívida pública: 75,4% do PIB (limite do risco fiscal)
• Investimento estrangeiro: US$ 66,5 bi em 2024 (recorde, mas concentrado em commodities)
O MANUAL DO PILOTO: COMO O BRASIL PODE GANHAR POSIÇÕES
Reforma Tributária Completa - Reduzir o peso sobre a indústria nacional
Parcerias Tecnológicas - Acordos internacionais para transferência de know-how
Expansão da Infraestrutura - Ferrovias, portos e energia limpa
Educação 4.0 - Foco em IA, robótica e sustentabilidade
O ALERTA DOS ESPECIALISTAS
"O Brasil está na janela decisiva", alerta o economista-chefe do Banco Mundial para América Latina, William Maloney. "Os próximos 36 meses definirão se seremos protagonistas ou meros fornecedores de matérias-primas nessa nova ordem global."
A ÚLTIMA VOLTA
Enquanto isso, o relógio avança. As decisões tomadas em 2025-2026 determinarão nosso lugar no pódio - ou fora dele. O mundo não espera por ninguém. A grande corrida global já começou, e o Brasil precisa decidir: vai competir ou vai assistir?
O sinal verde foi dado. O motor está ligado. Agora é acelerar - ou ser ultrapassado de vez.
Fontes: FMI, Banco Mundial, OMC, Bloomberg, Economist Intelligence Unit., Cenário Econômico Global em 2025: Impactos para o Brasil, Cenário Econômico 2025: Desafios e Projeções para o Brasil.














Trump não vai conseguir reindustrializar os EUA.
As indústrias americanas foram para a China explorar a mão de obra barata de lá.
A renda per capta americana é de US$ 85 mil, enquanto a da China é de US$ 13 mil.
O retorno das indústrias americanas para os EUA iria triplicar os custos de produção e inviabilizar a comercialização.
A indústria chinesa não para e seus estoques estão abarrotados de produtos barrados pela taxação americana. A China vai redirecionar sua bazuca de venda para outros países, entre eles o Brasil. Em breve, nosso mercado interno será inundado por produtos chineses e o Brasil não tem condição de competir com a china.
Se o Brasil não adotar medidas protetivas a maior…
Acredito que esta, que no momento está em disputa, já está perdida pelo Brasil e o nosso papel é minimizar a pressão que o nosso povo pode sofrer. Entre o 'chicote' Estadunidense e o 'chicote' chinês... Ainda que um posso doer mais e outro menos, continuam a ser chicotes. Temos que nos preparar para os próximos 50 anos e investir em educação e isto, indica ao menos duas gerações de investimento maciços. Um país que investe 50% do seu orçamento em amortização e juros da dívida e apenas 3,6% do seu orçamento em educação, está fadado ao fracasso. Que a Educação nos Salve. Seremos uma potência se de fato, na educação investirmos... O resto... Creio que ajustaremos no caminho.
A China é a única potência com grande poder de investimento. Mostra-se um importante parceiro para investir em infraestrutura no Brasil.