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Corrida de obstáculos no Paraná.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.


A elevada temperatura política que emana da capital federal, quase em ebulição permanente, acaba impedindo que as atenções se dividam com as disputas estaduais que, pressionadas pelo calendário, seguem para as primeiras definições até a primeira data limite em outubro que no Paraná será ainda mais importante.

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Com o atual governador já reeleito em 22 e com projeto nacional, a sucessão segue indefinida com cinco ou seis nomes com pré-campanha em fase de planejamento, mas cada um deles com fortes desafios, transformando a disputa em uma autêntica corrida de obstáculos e a eficiência para superá-los pode determinar o tamanho de cada candidatura.


Começando pelo líder das pesquisas, Senador Sergio Moro que largou sustentado pelo recall da campanha anterior, mas com a consistência dos números, já são dez meses com todas as amostragens o colocando acima de 40% das preferências preliminares, começa a elevar seu piso (quantidade de votos definitivos), jogando intensa pressão sob os oponentes e cravando um bom favoritismo para uma das vagas para o segundo turno. Todavia Moro, apesar dos números, não tem legenda garantido no seu partido, a federação que une União e Progressistas, e tem apenas sessenta dias para definir sua nova filiação e, principalmente, a escalação do time que entrará em campo porque centro avante sozinho não ganha jogo.


Sem legenda definida e sem time político, Sergio Moro tem que ultrapassar muitos obstáculos para largar na pole da disputa paranaense.


Ainda pelo campo da direita, Paulo Martins pressiona para garantir seu espaço, em estratégia que explora as contradições de Moro e sua identidade com o bolsonarismo para lhe pavimentar o caminho em direção às urnas. Com Jair Bolsonaro avisando todo dia que sua prioridade são as duas vagas para o Senado, para construir a necessária maioria na Casa, o grande desafio será conseguir o improvável comprometimento de Jair, face a tantas variáveis do quebra cabeça nacional.


No campo da esquerda, o agora pedetista Requião Filho aponta um belo 18% de preferência em algumas pesquisas, mas tem muitos nós para desatar para consolidar uma candidatura forte. Acaba de sair chutando a porta do PT, com muitas críticas e péssimo relacionamento, mas precisa se posicionar como o candidato mais confiável ao eleitor de esquerda, e o patrimônio petista é imprescindível para atingir um índice que lhe garanta vaga na disputa final. Precisa também avisar ao pai, o ex-governador Roberto Requião que bate em Lula todos os dias, obstruindo os necessários canais de comunicação.


Mas no time da situação é ainda mais complicado, com dois nomes em aberta competição, Alexandre Curi e Guto Silva, com Rafael Greca em compasso de espera, mas cada vez mais disponível para as eleições. Cabe ao governador Ratinho Junior definir o candidato do PSD, todavia as variáveis são diversas e devem ser precedidas pela questão mais importante; que cargo ele próprio disputará.


Se Ratinho estivesse focado na eleição majoritária ao Senado, teria mais força para impor sua escolha pessoal, que talvez seja o Secretário Guto, a despeito de Curi ter uma envergadura política bem maior, com mais de duzentos prefeitos e quase trezentos ex-prefeitos que o preferem na disputa.


A questão é que o cenário nacional pode impor soluções internas improváveis, como por exemplo se o PSD fechar aliança nacional com UPB (União e PP) que pode indicar uma convergência em torno de Sergio Moro, como moeda de troca do jogo nacional. Considere também que Rafael Greca até aceita a prioridade de Alexandre Curi, mas vai reagir se for também preterido por Guto Silva.


Acordos políticos muitas vezes deixam o bom senso de lado e promovem surpresas contundentes, mas o caminho da normalidade aponta a dobradinha Alexandre Curi, com Rafael Greca de vice, com as vagas ao Senado preenchidas por Guto e Filipe Barros, com o aval do PL e de Bolsonaro, se esta composição não estiver na contramão da escalação nacional.


Fora deste desenho, é possível que o palanque de Moro ganhe reforços e exija muito mais esforços para reverter os números das pesquisas, apontando para uma eleição com prováveis quatro nomes, todos eles com potencial para ultrapassar 20%, muito próximo do ponto de corte das duas vagas para o segundo turno.


Ratinho Junior é, sem dúvida, o principal eleitor do Paraná, tem prestígio e voto para decidir a eleição estadual, mas ao priorizar o quadro nacional reduz o peso da sua mão nas urnas paranaenses.


Resta observar nos próximos dois meses, prazo para um realinhamento mais efetivo dos candidatos e para que demostrem capacidade de superar os primeiros obstáculos da corrida eleitoral.

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