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Corrida ao Senado pelo Paraná: oito nomes disputam duas vagas em eleição marcada por reviravoltas

Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP



Curitiba — A disputa pelas duas cadeiras do Paraná no Senado Federal, que serão decididas nas urnas em outubro de 2026, chega à reta final de definições partidárias como uma das mais movimentadas e imprevisíveis do país. Depois de meses de articulação, um nome favorito desistiu de última hora, um pré-candidato tenta reverter na Justiça Eleitoral uma inelegibilidade que já derrubou seu mandato uma vez, e uma senadora em exercício segue como a mais rejeitada do eleitorado — mas também uma das mais competitivas nas urnas.


Com o encerramento das convenções partidárias em 5 de agosto, oito candidaturas foram oficializadas para concorrer às duas vagas paranaenses no Senado. O prazo final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 15 de agosto, data até a qual ainda podem ocorrer ajustes.


Por que duas vagas estão em jogo


O Paraná tem três senadores, mas apenas dois mandatos vencem em 2026: os de Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães, que não disputam a reeleição. O terceiro senador do estado, Sergio Moro (PL), tem mandato até 2031, mas deixará o cargo para concorrer ao governo do Paraná — caso seja eleito, quem assume sua cadeira é o suplente, o advogado Luis Felipe Cunha, que coordenou a campanha de Moro ao Senado em 2022 e não tem trajetória partidária própria.


Os oito candidatos confirmados

Partido/Federação

Candidato(a)

Número

Republicanos

Alexandre Curi

100

PT/PC do B/PV (Federação Brasil da Esperança)

Gleisi Hoffmann

131

PT/PC do B/PV (Federação Brasil da Esperança)

Dr. Rosinha

132

Missão

Karen Guerreiro

144

PL

Filipe Barros

222

Novo

Deltan Dallagnol

300

PSD

Cristina Graeml

555

UP

Joaquim do MLB

800

O terremoto que reordenou a disputa: a desistência de Álvaro Dias


Até o início de agosto, o nome mais forte da corrida sequer estava nesta lista. O ex-governador e ex-senador Álvaro Dias, 81 anos, filiado ao MDB, liderava com folga todas as pesquisas de intenção de voto — a mais recente, da Genial/Quaest, divulgada em 27 de julho, indicava 20% dos votos e liderança isolada nos cenários em que seu nome era testado.


Mesmo com essa vantagem, Dias anunciou em 3 de agosto que desistia da candidatura. A decisão veio dois dias depois de o MDB formalizar aliança com o PSD do governador Ratinho Junior, oficializando Rafael Greca como vice na chapa de Sandro Alex ao governo do estado — mas sem fechar acordo sobre quem ocuparia a segunda vaga ao Senado dentro do grupo governista, já que Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, resistia à entrada de Dias na chapa. Em nota, o ex-senador afirmou não haver "condições necessárias" para construir uma candidatura de unidade dentro do grupo liderado por Ratinho Junior e disse preferir recuar a "ser motivo de divisão política".


A saída de Dias reconfigurou o tabuleiro eleitoral e deixou a segunda vaga da chapa governista em aberto — hoje apontada como provável destino de Cristina Graeml.


Perfil dos principais nomes e suas chances


Alexandre Curi (Republicanos) — o favorito da base governista

Neto do ex-presidente da Assembleia Alexandre Khury, Curi começou a vida pública aos 16 anos e hoje preside o Legislativo paranaense, cargo que ocupa desde 2025. Deputado estadual desde 2003, foi o mais votado do estado em 2022, com 237 mil votos em 95% dos municípios paranaenses. Migrou do PSD para o Republicanos para viabilizar sua candidatura e tem o apoio explícito de Ratinho Junior e da máquina governista. Nas pesquisas Paraná Pesquisas de julho, aparece na liderança dos cenários sem Álvaro Dias, oscilando entre 30% e 31%. Sua base municipalista — presença consolidada em quase todos os municípios do estado — e o alinhamento com o governador mais popular do país fazem dele o nome mais bem posicionado para uma das duas vagas.


Filipe Barros (PL) — o nome do bolsonarismo paranaense

Deputado federal, é hoje a principal liderança do PL no estado e concorre na mesma chapa de Sergio Moro ao governo e Deltan Dallagnol ao Senado. Aparece de forma consistente entre 22% e 29% nos cenários testados pelo Paraná Pesquisas, sempre disputando taco a taco com Curi, Dallagnol e Gleisi Hoffmann pela segunda vaga. Sua candidatura tende a capitalizar o eleitorado bolsonarista do Paraná, historicamente um dos mais fortes do país para a direita.


Gleisi Hoffmann (PT) — a mais forte e a mais rejeitada

Ex-ministra da Casa Civil e presidente nacional do PT até recentemente, Gleisi é simultaneamente um dos nomes mais competitivos e o mais rejeitado do pleito. Nos cenários estimulados do Paraná Pesquisas, oscila entre 25% e 29% — patamar competitivo para uma vaga —, mas lidera disparada a rejeição: 42,1% dos entrevistados afirmam que não votariam nela "de jeito nenhum", taxa muito superior à de qualquer outro pré-candidato. Esse padrão de "polarização máxima" — voto forte e rejeição forte — é típico de outras lideranças petistas em estados de perfil mais conservador e faz de sua candidatura uma incógnita: depende diretamente do desempenho de Lula no estado no primeiro turno da eleição presidencial.


Deltan Dallagnol (Novo) — o nome sub judice

Ex-procurador da Operação Lava Jato e ex-deputado federal, Dallagnol é candidato pela chapa de Sergio Moro e Filipe Barros, mas sua candidatura corre risco jurídico real. Em 2023, o TSE cassou seu mandato de deputado por entender que ele pediu exoneração do Ministério Público Federal para escapar de apuração interna, o que o tornaria inelegível por oito anos. Ele recorreu ao TRE-PR pedindo uma declaração antecipada de elegibilidade; em resposta, o PT e a Federação Brasil da Esperança protocolaram, em 3 de agosto, um pedido de impugnação de sua candidatura, sustentando que a inelegibilidade já foi confirmada pelo STF e que Dallagnol tenta "rediscutir" uma matéria já julgada. A defesa do ex-procurador rebate afirmando que a decisão do TSE não impôs condenação por inelegibilidade, apenas indeferiu o registro de 2022. A palavra final caberá à Justiça Eleitoral, com decisão esperada nas próximas semanas — e o resultado pode tirá-lo da disputa antes mesmo de outubro. Nas pesquisas, quando permanece na lista, aparece na faixa de 25% a 28%, competitivo com os líderes.


Cristina Graeml (PSD) — a aposta de Ratinho Junior para a segunda vaga

Jornalista com passagem por diversos veículos paranaenses, chegou ao segundo turno da disputa pela Prefeitura de Curitiba em 2024, então pelo PMB, mas foi derrotada. Migrou para o PSD em 2026 com foco no Senado e é hoje a principal cotada para preencher a vaga aberta pela saída de Álvaro Dias na chapa governista — o próprio Ratinho Junior já mencionou seu nome publicamente nesse contexto. Suas intenções de voto ainda são baixas nas pesquisas espontâneas (0,5%) e alcançam 13,2% no cenário estimulado em que aparece, distante dos líderes, mas o apoio do governador mais popular do país pode ser decisivo para alavancar sua candidatura nos próximos dois meses de campanha.


Dr. Rosinha (PT) — o companheiro de chapa de Gleisi, Médico e deputado federal com longa trajetória no PT paranaense, é o segundo nome da federação petista para o Senado, ao lado de Gleisi Hoffmann. Aparece entre 8% e 12,5% nas pesquisas, patamar que o mantém fora do pelotão de frente, mas relevante para consolidar o eleitorado de esquerda do estado.


Karen Guerreiro (Missão) e Joaquim do MLB (UP) — candidaturas de nicho

Karen Guerreiro concorre pela legenda evangélica Missão, buscando capitalizar o eleitorado religioso do estado, enquanto Joaquim do MLB representa o Unidade Popular, partido à esquerda do PT ligado a movimentos de moradia. Ambas as candidaturas, sem estrutura de coligações amplas nem tempo de televisão relevante, têm papel mais testemunhal do que competitivo no atual estágio da corrida.


Luiz Carlos Hauly (Podemos) — a incógnita da lista

Deputado federal experiente, Hauly anunciou pré-candidatura ao Senado em abril, mas seu nome não aparece nem na lista de candidatos a deputado federal nem na de candidatos ao Senado divulgada pelo Podemos na convenção estadual. Ele ainda não confirmou nem descartou publicamente a candidatura, embora continue se apresentando como "pré-candidato ao Senado" em redes sociais. Nas pesquisas em que foi incluído, aparece na casa de 4% a 6%.


O que dizem as pesquisas


Levantamentos recentes confirmam um cenário de disputa acirrada pela segunda vaga, com folga relativa apenas para o líder isolado.


Pesquisa Paraná Pesquisas 


(1.500 entrevistados, 3 a 6 de julho, contratada pelo PL, registro TSE nº PR-01166/2026): nos cenários sem Álvaro Dias, Alexandre Curi lidera com 30% a 31%, seguido de perto por Gleisi Hoffmann, Filipe Barros e Deltan Dallagnol, todos na casa dos 27% a 29% — technicamente empatados dentro da margem de erro de 2,6 pontos.


Pesquisa Genial/Quaest


(21 a 25 de julho, 1.104 entrevistados, margem de erro de 3 pontos): confirmou a liderança isolada de Álvaro Dias enquanto ele ainda era pré-candidato, com a disputa pela segunda vaga em empate técnico entre Curi, Dallagnol, Barros e Hoffmann.


Com a saída de Dias, ainda não há pesquisa estimulada publicada com o cenário totalmente atualizado — incluindo a possível entrada de Cristina Graeml na chapa governista e a definição judicial sobre a candidatura de Dallagnol —, mas analistas políticos locais avaliam que a corrida pela segunda vaga permanece em aberto entre quatro ou cinco nomes.



O panorama até outubro


Com o registro oficial das candidaturas previsto para até 15 de agosto, três fatores devem definir os rumos da disputa nas próximas semanas: a decisão da Justiça Eleitoral sobre a elegibilidade de Deltan Dallagnol, a consolidação (ou não) de Cristina Graeml como segunda opção da chapa governista, e o desempenho de Gleisi Hoffmann à medida que a disputa presidencial e a rejeição a sua candidatura se tornarem temas centrais da campanha estadual. Alexandre Curi aparece hoje como o nome mais bem posicionado para uma das duas vagas; a segunda segue como a mais disputada — e mais incerta — corrida eleitoral do Paraná em 2026.

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