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Cianorte, sempre com patrão de plantão.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.


Felizmente, Cianorte sempre teve prefeitos razoáveis, em destaque para o mandato do Flávio Vieira e a primeira gestão do Edno Guimarães e do Bongiorno, todavia, apenas com apego aos números, é justo afirmar que a gestão inicial do atual prefeito supera as anteriores se considerada apenas gestão pública, sem considerações humanísticas e registrando a deficiência em dois itens fundamentais; habitação popular e geração de empregos.

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Todavia, a atual gestão que se elegeu prometendo uma revisão dos processos administrativos, na prática repete o modelo anterior, onde as urnas entregavam a chave da cidade ao eleito, com plenos poderes para decidir individualmente todas as questões, inclusive reduzindo a autonomia de inúmeras secretarias.


A excelente relação com o governo estadual, mérito em especial do atual vice Fão Manfrinato, representou uma intensa irrigação de recursos, muito superiores às gestões anteriores, que se reverteram em muitas obras, ainda que a prioridade de algumas delas seja questionável. Outra questão é que se vislumbram dois graves problemas no horizonte de curto prazo; inchaço da folha, sempre próximas dos limites da prudência, e endividamento do município que deverá consumir quase metade da próxima gestão para reconstruir o equilíbrio e a capacidade de investimento do município.


A resultante é, sem dúvida, um período de muitas realizações, mas sem enfrentar os reais desafios que se agigantam pela inércia do poder público em promover um efetivo enfrentamento, Cianorte cresce menos que os demais polos regionais, gera muito menos emprego e não realiza um trabalho efetivo em busca de uma nova vocação que revigore a cidade e permita, na linha do tempo, a manutenção da excelente qualidade de vida do município.


Avalio também que o Executivo, repetindo os anteriores, tem “tudo dominado”, com um nível baixíssimo de discussão das prioridades e fiscalização limitada pela inércia ou apatia dos vereadores, nem todos, que preferem preservar suas relações e acesso às indulgências públicas.


Muitas das questões cruciais mereceriam uma revisão, talvez no fórum adequado, a Câmara de Vereadores, que, assim como fez na questão do esvaziamento do patrimônio público, pela venda, doação ou transferência de imóveis, foram arquivadas sem efeito prático, em evidente demonstração de submissão aos interesses da elite política e econômica da cidade.


A sensação de falta de justiça social também se reflete na aprovação de um refis, vocacionado para proteger os poderosos, que permitiu descontos excessivamente generosos, sem rigor empregado com pequenos devedores, Registro também o altíssimo investimento em locação de imóveis da gestão pública, com valores aparentemente muito acima do mercado que contribuem para esvaziar os cofres públicos, impedindo, por exemplo, uma política pública de incentivo a pequenas e micro empresas, um caminho muito mais rápido para garantir empregos.


Questões pontuais também incomodam e passam ao largo da fiscalização dos demais poderes. A destinação da madeira dos cortes de árvores, com a inimaginável cessão da chave do viveiro municipal para que o contratante retire madeira mesmo à noite, carecem de uma explicação que reduza a indignação com tal absurdo. Poderia também destacar a contratação de palestra de autismo, com dispensa de licitação, por impensáveis vinte sete mil reais, ato perpetrado pela Secretaria de Educação.


Enfim sobram questões de deveriam ser debatidas em fórum maior, sociedade e vereadores, e se discute a eficiência da excelente decisão de executar planejamento de longo prazo, todavia surpreende que tal estudo não tenha indicado a urgência em garantir habitação popular e geração de empregos como prioridades absolutas para criar condições de um crescimento sustentável da cidade.


Longe de criticar praças, parques ou novas avenidas, conquistas que orgulham a cidade, o compromisso precisa ser estabelecer uma hierarquia de valores que criem as bases para a Cianorte que desejamos na próxima década e que o atual ritmo de geração de empregos não sustenta maiores ilusões.


Acredito que as dívidas de longo prazo, todas aprovadas pelos vereadores, já ultrapassem cem milhões, quase tudo para o próximo prefeito pagar, sem efetivamente enfrentar os reais entraves do nosso desenvolvimento, limitando nossa capacidade de implementar políticas efetivas para garantir emprego à população.


Frisando que a pauta segue em aberto, voltaremos aos temas listados, não posso comentar sobre gestão pública sem um olhar crítico em relação à saúde pública. O Bisbilhoteiro, em sessão específica para demandas da população, registra diariamente reclamações dos usuários, questões absurdas como ausência de médicos, que se concedem o direito de cumprir apenas meio plantão e fatos do gênero, além de enfermeiras que ministram aulas em horário de atividades profissionais. Uma afronta a quem paga impostos e tem o direito de receber um tratamento digno.


Finalizo cobrando respostas à trágica, talvez cômica, intervenção do executivo na Santa Casa. Se motivada por razões justas, a declaração da instituição de paralização do atendimento médico, se perdeu em questões pessoais, vaidades e personalismo à frente, levando inclusive a declarações fortes do Promotor que se referiu ao interesse pessoal do prefeito em substituir desafetos por aliados, em total descompasso com a gravidade dos problemas e sem resolver a razão básica; a falta de comprometimento dos municípios da região, alguns deles sem transferir os recursos devidos a quase um ano.


Por fim, ofereço espaço para que vereadores, secretários ou quem de direito, se utilize deste espaço para uma discussão lúcida das nossas demandas, contribuindo para a criação de um modelo contemporâneo de gestão pública, onde as prioridades são objeto de amplo debate e não sentença de uma única cabeça.

 



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