CIANORTE PERDE NOVAMENTE: QUANDO PEQUENOS GRUPOS VENCEM, A CIDADE PERDE
O resultado das urnas deixa uma pergunta incômoda: até quando Cianorte continuará dividindo seus próprios votos enquanto outras cidades transformam união política em representação?
Por Marcio Nolasco
O resultado das eleições para deputado estadual deixa uma realidade difícil de ignorar: Cianorte, mais uma vez, fica sem um representante eleito da própria cidade na Assembleia Legislativa do Paraná.
E talvez o mais grave não seja apenas o resultado das urnas. O mais grave é que esse resultado era previsível.

O Portal Bisbilhoteiro vinha alertando desde 2025 que Cianorte corria novamente o risco de terminar uma eleição sem representação própria na ALEP. Não por falta de eleitores. Não por falta de lideranças. Não por falta de nomes. E muito menos por falta de importância econômica ou social.
Já em 04/10, dia das eleições, nós do Portal Bisbilhoteiro e da CiaFM já demos o resultado às 17:10 hrs onde informamos que não seriam nenhum dos candidatos de Cianorte eleitos. Infelizmente... Uma cidade que vai ficar de joelhos para o próximo governo estadual.
“A falta de união política deixa a cidade novamente sem representante próprio na ALEP. Quando pequenos grupos disputam o poder, quem paga a conta é toda a cidade.” Marcio Nolasco.
O problema, aparentemente, está em outro lugar: na incapacidade de construir uma convergência mínima em torno de um projeto político para a cidade.
Durante a campanha, diferentes grupos defenderam seus próprios nomes, seus próprios interesses e suas próprias estratégias. Cada grupo, legitimamente, buscou eleger seu candidato. Mas existe uma pergunta que precisa ser feita depois que as urnas fecham:
Quem estava pensando na cidade como um todo?
Porque quando uma cidade pulveriza seus votos entre vários candidatos locais, enquanto outros municípios conseguem concentrar força eleitoral, o resultado pode ser exatamente este: muitos candidatos disputando o mesmo eleitor e nenhum chegando à Assembleia.
E quem paga essa conta não é apenas o candidato derrotado.
Perdem os candidatos.
Perde o eleitor.
Perde o comércio.
Perdem as entidades.
Perdem os projetos.
Perde a força política.
E, principalmente, perde Cianorte.
O próprio Portal Bisbilhoteiro já havia provocado esse debate ao questionar quem, de fato, representa Cianorte na ALEP.
Não se trata de dizer ao eleitor em quem deveria votar. O voto é livre, soberano e pertence exclusivamente ao cidadão.
A questão é outra.
O que os grupos políticos fizeram — ou deixaram de fazer — para construir uma representação capaz de sobreviver às vaidades partidárias e às disputas internas?
Cianorte não pode continuar entrando em eleições estaduais como um conjunto de grupos políticos concorrentes entre si, quando o interesse estratégico deveria ser muito maior: garantir voz para a cidade.
A Assembleia Legislativa possui 54 cadeiras destinadas aos deputados estaduais do Paraná. E cada município ou região que consegue eleger representantes próprios amplia sua capacidade de participar das discussões sobre orçamento, infraestrutura, saúde, educação, segurança e investimentos públicos.
Não ter um representante diretamente identificado com Cianorte não significa ficar completamente sem acesso ao governo estadual. Deputados de outras cidades podem destinar recursos ao município.
Mas existe uma diferença fundamental:
Ter apoio político externo não é a mesma coisa que ter representação política própria.
E é justamente essa diferença que Cianorte precisa discutir.
Talvez a eleição de 2026 deixe uma lição que não pode ser esquecida até 2030:
Cidade nenhuma constrói força política quando seus próprios grupos políticos trabalham apenas para garantir o espaço de seus grupos.
Porque quando todos querem vencer individualmente, existe a possibilidade de que todos terminem perdendo coletivamente.
E é aqui que surge a pergunta mais dura desta eleição:
QUEM REALMENTE GANHOU COM A DIVISÃO POLÍTICA DE CIANORTE?
Se a cidade ficou novamente sem representação própria na ALEP, certamente não foi Cianorte.
O eleitor exerceu seu direito.
Os candidatos fizeram suas campanhas.
Os partidos disputaram seus espaços.
Mas a cidade ficou diante do mesmo problema que o Portal Bisbilhoteiro vinha apontando há meses.
Faltou unidade em torno de um projeto de representação. Unidade mascarada e fantasiada como esse que tentaram mostrar, só deixa derrotas como esse que vimos como fechamento das urnas neste 04/10. Os politicos de Cianorte mentem para eles mesmos e para a população... perdem todos!
E quando a política deixa de pensar no coletivo e passa a ser disputada por pequenos grupos, o resultado pode ser perverso como foi...
A GANÂNCIA PELO PODER DE POUCOS PODE CUSTAR A REPRESENTAÇÃO DE UMA CIDADE INTEIRA.
Agora não adianta procurar culpados apenas nas urnas.
É hora de olhar para dentro.
É hora de perguntar aos nossos líderes políticos, partidos, empresários, entidades, vereadores e demais forças organizadas:
Cianorte quer continuar sendo território de disputa entre grupos ou está disposta, finalmente, a construir uma estratégia política que coloque a cidade acima dos interesses individuais?
Porque eleição termina.
Mandato de prefeito passa.
Partido muda.
Candidato muda.
Mas Cianorte continua aqui.
E a cidade não pode continuar pagando o preço das divisões daqueles que deveriam trabalhar para fortalecê-la.

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