CIANORTE PERDE E PERDE FEIO! FANTASIA É MAIOR QUE A REALIDADE?
Com dancinha, carreata, discursos, dinheiro e vídeos emocionados nas redes sociais, o prefeito de Cianorte sai politicamente derrotado das eleições
Terminada a eleição, algumas perguntas simplesmente não podem ser ignoradas.
E uma delas é incômoda: Se a gestão municipal de Cianorte possui, como frequentemente se afirma, índices de aprovação superiores a 80%, como explicar o desempenho dos principais candidatos apoiados pelo prefeito dentro da própria cidade?

O resultado das urnas deixa um recado político que merece ser analisado.
O candidato ao Governo do Paraná apoiado pelo prefeito, Sandro Alex, terminou derrotado em Cianorte por uma diferença expressiva. E o mesmo aconteceu com Marcio Nunes, apresentado durante a campanha como o “Deputado de Cianorte”.
Não estamos falando de uma derrota apertada, decidida por poucos votos.
Estamos falando de um resultado que, politicamente, merece reflexão.
E aqui está a contradição.
Durante a campanha houve dancinha, carreata, discursos, demonstrações públicas de apoio, vídeos emocionados nas redes sociais e muita exposição política. Houve a tentativa de transmitir a imagem de força, de união e de que determinadas candidaturas tinham uma espécie de aprovação natural da população.
Mas a urna não dança.
A urna não participa de carreata.
A urna não se emociona com vídeo de rede social.
A urna responde.
E talvez seja justamente essa resposta que precise ser compreendida.
O eleitor cianortense pode estar começando a separar a propaganda da realidade. Pode estar dizendo, através do voto, que não basta apresentar obras, praças, eventos, vídeos e discursos. Existe uma parcela da população que quer saber de saúde funcionando, atendimento público eficiente, prioridades respeitadas e problemas concretos sendo enfrentados.
Não se trata de afirmar que a derrota desses candidatos tenha uma única causa ou que o eleitor tenha votado exclusivamente para reprovar a administração municipal. Seria simplificar demais uma eleição complexa.
Mas também seria ingenuidade política ignorar a possibilidade de que a votação tenha produzido um sinal de insatisfação ou, no mínimo, de independência do eleitor em relação ao grupo político que administra a cidade.
Cianorte tem problemas reais.
Filas na saúde, demandas reprimidas, pessoas esperando atendimento e famílias cobrando respostas não desaparecem porque uma praça foi inaugurada.
Perfumaria política pode render fotografia. Mas não resolve fila de hospital.
E é exatamente aí que mora a grande pergunta:
Como uma administração que supostamente possui mais de 80% de aprovação não consegue transferir essa aprovação para seus principais candidatos?
Se a aprovação é tão alta, onde está essa força eleitoral?
Se o governo municipal é tão bem avaliado, por que seus candidatos não transformaram essa suposta popularidade em votos?
Talvez a resposta esteja justamente na diferença entre aprovação declarada e comportamento eleitoral.
Uma coisa é o cidadão dizer que aprova uma administração.
Outra, completamente diferente, é colocar o nome de seus candidatos na urna.
E existe ainda uma terceira questão: o eleitor pode gostar do prefeito e, mesmo assim, não concordar com suas escolhas políticas.
É a democracia funcionando.
Por isso, o resultado dessas eleições deveria servir menos para comemorações e mais para reflexão.
Porque, no fim das contas, quem não ouviu o eleitor durante a campanha será obrigado a ouvi-lo depois da apuração.
O povo vê.
O povo comenta.
O povo compara.
O povo observa quem está recebendo atenção, quem está esperando atendimento, quem está sendo ouvido e quem continua esperando.
E, quando chega o momento da votação, o eleitor não precisa explicar nada.
Ele simplesmente aperta um botão.
Talvez Cianorte esteja dando um recado.
Talvez esteja apenas escolhendo livremente seus candidatos.
Ou talvez esteja começando a mostrar que existe uma distância considerável entre a cidade que aparece nos vídeos oficiais e a cidade vivida diariamente pelo cidadão.
Essa diferença precisa ser discutida.
Porque política não se sustenta eternamente em fotografia, inauguração, carreata, discurso ou rede social.
Política se sustenta quando a população sente que suas prioridades estão sendo atendidas.
E fica a pergunta que ninguém deveria ter medo de fazer:
A FANTASIA É MAIOR QUE A REALIDADE?
As urnas não respondem com discursos.
Respondem com números.
E os números desta eleição deixaram um recado político que o prefeito de Cianorte, sua equipe e seu grupo político terão de interpretar.
Porque uma coisa é dizer que o povo está com você. Outra é descobrir, diante da urna, para quem o povo realmente entregou o voto.
É hora de nossos políticos e lideranças deixarem de serem mesquinhos, Cianorte não tem dono, tem cidadão que vive em uma cidade com milhares de pessoas nas filas de saude e com muitas pracinhas que tiram a lógica do politicamente correto... Cianorte deveria mudar de rótulo para "A Capital das Pracinhas", mais o povo/eleitor já sentiu na pele a dor destas escolhas "prioritarias" e esta ai o resultado das urnas para uma gestão que se diz com "80%" de aprovoção... só fantasia!
Marcio Nolasco
Analista de Políticas Públicas – ENAP
Portal Bisbilhoteiro

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