CIANORTE NÃO ESTÁ UNIDA — ESTÁ DIVIDIDA ENTRE INTERESSES
A cidade corre novamente o risco de entrar em 2027 sem um deputado estadual — enquanto grupos políticos disputam poder, espaço e conveniências, o eleitor é tratado como peça de um jogo que não é dele.
Por Marcio Nolasco – Analista de Políticas Públicas
Eu venho alertando desde 2025.
Cianorte corre o sério risco de chegar às eleições de outubro de 2026 e, mais uma vez, não conseguir eleger um deputado estadual genuinamente daqui e identificado com o Município.

Hoje, faltando menos de 30 dias para a eleição, os movimentos políticos locais começam a produzir exatamente o cenário que eu vinha apontando.
E talvez seja hora de parar de contar histórias bonitas para a população. Chega dessas Fantasias na cidade de Transformação Landya.
Cianorte não está unida politicamente.
Essa afirmação precisa ser repetida.
Cianorte não está unida politicamente...
Porque a narrativa de que existe uma grande união política em torno dos interesses do Município simplesmente não corresponde ao que se observa na prática.
O que existe é uma disputa de grupos.
Uma disputa por influência.
Uma disputa por espaço.
Uma disputa por poder.
E, principalmente, uma disputa por interesses políticos que nem sempre coincidem com aquilo que interessa à população.
O eleitor virou peça de um jogo que não controla
O discurso oficial costuma falar em união.
União pelo Município.
União pelo desenvolvimento.
União para trazer recursos.
União para eleger representantes.
Mas quando chega a hora decisiva, a realidade parece ser outra.
Grupos que deveriam estar conversando sobre um projeto comum para Cianorte acabam apoiando diferentes candidaturas, inclusive nomes de fora do Município.
E aqui está o ponto central desta discussão:
não há nada de ilegal em apoiar um candidato de outra cidade.
O problema é político.
É estratégico.
É coletivo.
Quando uma cidade que historicamente enfrenta dificuldades para eleger representantes próprios pulveriza sua força eleitoral entre vários projetos externos, quem ganha?
Certamente não é Cianorte.
A conta da pulverização chega depois da eleição
Uma eleição proporcional não funciona pela lógica da paixão.
Não basta ter vários candidatos dizendo que representam Cianorte.
É preciso construir força eleitoral suficiente para transformar votos em representação.
Quando dezenas de lideranças disputam o mesmo eleitorado, quando grupos locais trabalham em direções diferentes e quando máquinas políticas se movimentam para projetos distintos, o resultado pode ser previsível:
Cianorte divide seus votos e outros municípios elegem seus representantes.
Depois, em 2027, começam as lamentações.
“Cianorte não tem deputado.”
“Precisamos de mais recursos.”
“Precisamos de alguém que lute pela cidade.”
“Precisamos de representatividade.”
Mas será tarde.
A pergunta que precisa ser feita agora é outra:
Quem trabalhou para construir essa representação antes da eleição?
O prefeito deveria trabalhar para Cianorte — não para pequenos grupos
É aqui que a discussão fica ainda mais séria.
O prefeito não foi eleito para ser cabo eleitoral de grupo político.
Foi eleito para administrar o Município.
Seu compromisso institucional deveria ser com a população.
Com todos os cidadãos.
Com o interesse público.
E não apenas com aqueles que integram seu grupo político.
Se a estrutura política da Prefeitura estiver sendo mobilizada para favorecer determinadas candidaturas, isso precisa ser questionado, documentado e, quando houver indícios concretos de irregularidade, levado às instituições competentes.
Servidor comissionado é servidor público.
Não é patrimônio eleitoral de prefeito.
Não é soldado particular de candidato.
Não é instrumento de campanha.
A máquina pública pertence ao cidadão.
E qualquer utilização indevida da estrutura administrativa se houver para favorecer candidaturas deve ser investigada com absoluta seriedade.
O verdadeiro problema não é ter candidato de fora
Também é preciso deixar uma coisa clara.
O problema não é um candidato ser de outra cidade.
A democracia permite que o eleitor escolha quem quiser.
O problema é Cianorte não conseguir construir uma estratégia política própria para defender seus interesses porque nossas lideranças assim não querem... é assim que é por aqui...
Uma cidade com população, economia, instituições, empresários, trabalhadores e demandas regionais importantes deveria ter capacidade de produzir uma representação política consistente.
Mas isso exige maturidade e não eco politico.
Exige desprendimento.
Exige que lideranças políticas consigam colocar o Município acima das conveniências eleitorais individuais.
E talvez seja justamente isso que esteja faltando.
Quem realmente representa Cianorte?
Essa é a pergunta que o eleitor precisa fazer antes de votar.
Não basta perguntar:
“Quem o prefeito apoia?”
“Quem determinado vereador apoia?”
“Quem determinado grupo político apoia?”
“Quem tem mais estrutura?”
A pergunta deveria ser:
Quem estará em Curitiba, a partir de 2027, defendendo Cianorte quando a cidade precisar?
Quem conhece suas demandas?
Quem terá compromisso político permanente com o Município?
Quem poderá ser cobrado pelos cidadãos?
Quem terá independência suficiente para dizer não quando interesses partidários entrarem em choque com os interesses de Cianorte?
Porque deputado não é troféu de prefeito ou lideranças políticas.
Deputado é representação.
E representação exige cobrança.
Cianorte não precisa de dono. Precisa de representante.
Talvez esteja na hora de abandonar uma velha prática da política brasileira:
a ideia de que o eleitor deve simplesmente seguir a orientação de uma liderança.
Não.
O eleitor não pertence ao prefeito.
Não pertence ao vereador.
Não pertence ao partido.
Não pertence ao grupo político.
O voto pertence ao cidadão.
E justamente por isso o cidadão precisa olhar para essa eleição com muito mais atenção.
Porque depois que as urnas fecharem, não adianta reclamar.
Se Cianorte ficar novamente sem um deputado estadual, a responsabilidade não poderá ser colocada exclusivamente sobre os candidatos.
Será necessário olhar também para aqueles que tiveram poder político para construir uma candidatura forte e escolheram caminhos diferentes.
O povo não pode continuar sendo figurante
A política local não pode ser um jogo em que meia dúzia de pessoas decide os movimentos e a população simplesmente aparece no final para apertar um botão na urna.
O cidadão não pode ser apenas o eleitor convocado a cada quatro anos.
Ele precisa ser protagonista.
Precisa saber quem está apoiando quem.
Por quê.
Com quais interesses.
Com quais compromissos.
E, principalmente, o que será feito depois da eleição.
Porque promessa eleitoral dura até a urna.
Representação política deveria durar quatro anos.
A história poderá cobrar esta eleição
Cianorte ainda tem tempo.
Pouco tempo, mas tem.
Os candidatos locais ainda podem mostrar que não estão disputando apenas uma eleição individual.
Podem apresentar projetos.
Podem demonstrar capacidade de articulação.
Podem convencer o eleitor de que uma representação genuinamente cianortense é possível.
Mas isso não depende apenas dos candidatos.
Depende das lideranças.
Depende dos partidos.
Depende dos empresários.
Depende das entidades.
Depende das instituições.
E depende, sobretudo, do eleitor.
Porque se cada grupo continuar olhando apenas para o próprio interesse, Cianorte continuará dividida.
E uma cidade dividida eleitoralmente pode assistir, mais uma vez, seus votos atravessarem as fronteiras do Município e ajudarem a eleger deputados de outras cidades.
Depois, todos vão reclamar.
Mas talvez ninguém queira admitir que o problema começou antes.
Começou quando o interesse coletivo foi colocado abaixo do interesse de grupo.
Começou quando a política deixou de perguntar:
“O que é melhor para Cianorte?”
e passou a perguntar:
“O que é melhor para nós?”
Essa diferença parece pequena.
Mas é justamente aí que uma cidade perde sua força.
Cianorte precisa acordar antes de outubro
Ainda não sabemos qual será o resultado das urnas.
Não é possível afirmar antecipadamente que Cianorte ficará sem deputado estadual.
Mas é possível — e necessário — alertar para o risco.
E os sinais políticos que estamos vendo são preocupantes.
Se a cidade continuar pulverizando votos, dividindo lideranças e colocando projetos particulares acima de uma estratégia coletiva, o risco aumenta.
E se isso acontecer, não será simplesmente uma derrota eleitoral.
Será uma derrota política de Cianorte.
Porque deputado estadual não representa apenas uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Representa acesso.
Representa articulação.
Representa capacidade de pressionar.
Representa recursos.
Representa voz.
Representa poder de negociação.
E uma cidade sem representação própria precisa depender ainda mais da boa vontade política de terceiros.
A pergunta que fica
Então, faltando menos de 30 dias para as urnas, eu repito aquilo que venho dizendo desde 2025:
Cianorte precisa decidir se quer continuar sendo território eleitoral de grupos políticos ou se quer construir sua própria representação.
Não existe democracia sem escolha.
Mas também não existe estratégia coletiva sem união.
E, hoje, a grande contradição está justamente aí:
falam em união, mas praticam divisão.
Falam em Cianorte, mas trabalham para grupos divididos.
Falam em interesse público, mas muitas vezes a política parece girar em torno de interesses particulares.
E enquanto os donos do jogo movimentam suas peças...
o povo continua sendo chamado apenas para votar.
Está na hora de mudar isso.
Porque Cianorte não precisa de donos.
Cianorte precisa de representantes.
E outubro dirá se a cidade finalmente aprendeu a escolher os seus — ou se continuará elegendo os outros.
E se não tivermos um DEPUTADO NOSSO, DAQUI DESTE CHÃO, a culpa será sua eleitor cianortense que não sabe votar...




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