CIANORTE: A CAPITAL DA FANTASIA POLÍTICA?
- Marcio Nolasco

- há 18 horas
- 5 min de leitura
Quando o sistema político deixa de governar para apenas sobreviver
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP

Cianorte vive hoje talvez o momento mais perigoso de sua história política moderna.
E o problema já não pode mais ser escondido atrás de discursos bonitos, vídeos institucionais, inaugurações cenográficas, slogans de marketing ou promessas futuristas embaladas em campanhas emocionais.
Porque existe uma realidade concreta acontecendo nas ruas.
E ela é brutal.
Enquanto parte da estrutura política local insiste em vender a imagem de uma cidade moderna, inteligente, planejada e “modelo”, a população enfrenta filas humilhantes na saúde, colapso silencioso dos serviços públicos, destruição econômica gradual do comércio local e uma máquina pública cada vez mais ocupada por interesses políticos — e não técnicos.
A grande pergunta talvez seja:
Quem realmente governa Cianorte hoje?
A competência?
Ou os acordos políticos?
A política da troca de favores virou método de governo
Nos últimos dez anos, a Câmara Municipal de Cianorte se transformou em algo muito distante daquilo que deveria representar.
O Legislativo, que deveria fiscalizar o Executivo, passou a funcionar em muitos momentos como extensão política da própria administração municipal.
E isso não é mais apenas comentário de bastidor.
Virou percepção popular.
A população observa vereadores que chegam ao cargo defendendo independência, fiscalização e moralidade…
…mas que rapidamente passam a integrar estruturas de conveniência política. Traíram e muito seus eleitores - Uma MINORIA dos atuais vereadores ficam fora dessa decepcionante realidade.
Cargos comissionados.
Indicações.
Favores.
Nomeações.
Benefícios indiretos.
Familiares em estruturas públicas.
Aliados ocupando espaços estratégicos.
E, em muitos casos, a velha prática do “prêmio político” após o mandato.
O sujeito deixa a Câmara…
e pouco tempo depois aparece acomodado em algum cargo público municipal ou estadual.
Coincidência?
Ou gratidão política pelos favores prestados durante o mandato?
A pergunta já circula nas ruas há anos.

Pessoas sem preparo técnico controlando áreas vitais da cidade
Outro fenômeno que destrói lentamente a gestão pública de Cianorte é a ocupação de cargos estratégicos por pessoas sem qualquer experiência técnica.
Amigos de tempos.
Funcionários da iniciativa privada.
Aliados políticos.
Indicações partidárias.
Pessoas que jamais trabalharam com gestão pública.
Que desconhecem legislação administrativa.
Que não entendem processos internos.
Que nunca administraram estruturas públicas complexas.
Mas que, por acordos políticos, passam a controlar secretarias, diretorias e setores essenciais da máquina pública.
O resultado?
Desorganização.
Improvisação.
Incompetência administrativa.
E prejuízos irreversíveis para a população.
Porque gestão pública não é empresa privada.
Prefeitura não é balcão político.
E saúde pública não pode ser administrada na base do improviso.

A fantasia das grandes inaugurações
Talvez nenhum setor simbolize mais o colapso da gestão atual do que a saúde pública.
A população enfrenta hoje uma realidade que já ultrapassa o limite da indignação.
Faltam materiais básicos nas UBSs.
Esparadrapos.
Luvas.
Micropore.
Adesivos hospitalares.
Materiais simples para curativos.
O básico do básico.
Enquanto isso, shows milionários seguem acontecendo normalmente.
Mais de R$ 840 mil pagos por uma apresentação de aproximadamente 80 minutos.
Mais de R$ 10 mil por minuto de palco...
... mas não existem esparadrapos suficientes em unidades básicas de saúde.
Como isso pode ser considerado normal?
Que tipo de prioridade pública é essa?

O novo hospital: realidade ou nova ilusão política?
Agora tentam vender para a população a ideia de que tudo mudará quando o novo hospital for entregue em julho de 2026.
Mas existe uma pergunta extremamente séria que ninguém quer responder:
O hospital será entregue funcionando?
Ou apenas inaugurado politicamente?
Porque, segundo relatos internos e informações já conhecidas nos bastidores administrativos, a estrutura dificilmente estará completamente equipada nos próximos 60 dias e com todos os profissionais necessários, se hoje já não temos!
Ou seja:
A cidade corre o risco de assistir mais uma inauguração de paredes, corredores e salas vazias.
E o caso da AME já mostrou exatamente esse modelo:
O prédio foi inaugurado.
Houve solenidade.
Fotos.
Discursos.
Presença do governador.
Marketing político.
Mas até hoje a estrutura enfrenta dificuldades operacionais, falta de especialistas e problemas básicos de planejamento — inclusive situações absurdas envolvendo climatização e instalação de ar-condicionado e móveis.
A pergunta inevitável é:
Quantas inaugurações em Cianorte são feitas para atender a população…
…e quantas são feitas para produzir propaganda política?

O colapso silencioso da saúde pública
A situação da saúde pública de Cianorte hoje é incompatível com o discurso oficial vendido pela administração.
As filas explodiram.
E a população sofre em silêncio.
Mais de 900 mulheres aguardando exames ginecológicos.
Fila de ortopedia com espera mínima de oito meses.
Mais de 3.450 pessoas aguardando oftalmologista.
Crianças esperando vagas em creches.
Pacientes passando de um ano e meio a dois anos aguardando consultas.
E talvez o dado mais simbólico de todos:
Cianorte agora possui fila até para exames de sangue.
Algo praticamente inimaginável anos atrás.
Enquanto isso, os discursos oficiais seguem prometendo “transformações históricas”.
Mas como acreditar em Cianorte 2053…
…quando a cidade não consegue resolver HOJE a falta de materiais básicos para curativos?

A máquina pública usada para interesses de grupos
Outro tema que se tornou impossível ignorar envolve o uso político da própria estrutura pública.
Donos de imóveis próximos da política alugando prédios para o município.
Amigos do sistema ocupando espaços privilegiados.
Pessoas migrando da iniciativa privada diretamente para folhas salariais públicas por acordos políticos.
Funções de direção ocupadas por indivíduos sem formação técnica compatível.
E situações ambientais extremamente graves sendo toleradas por conveniência política.
Como explicar denúncias envolvendo lançamento de esgoto de entidade privada dentro do Parque Cinturão Verde?
Como órgãos fiscalizadores ignoram determinadas situações durante anos?
Falta fiscalização?
Ou sobra conveniência política?
A cidade do comércio vazio
Talvez um dos retratos mais dolorosos da crise de Cianorte esteja no próprio centro da cidade.
Basta caminhar algumas quadras.
Salas comerciais vazias.
Cinco.
Seis.
Oito até 12 imóveis fechados por quadra.
Uma paisagem que revela algo muito mais profundo do que simples rotatividade comercial.
Ela revela enfraquecimento econômico.
Perda de consumo.
Desânimo empresarial.
Empresas fechando silenciosamente.
Inclusive empresas de comunicação sofrem com falta de anunciantes e já são oferecidas para venda, se estivessem lucrativas não iam para "o pau".
Porque quando o comércio entra em declínio, toda a economia local sente o impacto.
Uma Cidade onde lojas de 1.99 e de preços baixíssimos vivem lotadas, por FALTA e reflexo do minguado poder aquisitivo da população de massa...
Uma cidade mergulhada em crises políticas permanentes
Nos últimos anos, Cianorte passou a frequentar manchetes policiais e políticas de maneira assustadora.
Investigações envolvendo Organização Criminosa.
Operações relacionadas ao jogo do bicho.
Políticos investigados.
Cassações.
Escândalos.
E uma Câmara Municipal que, em menos de oito anos, já acumulou três processos de cassação concluídos e um quarto em andamento. A única cidade do Brasil onde um presidente do legislativo municipal preside a casa monitorado pela justiça...
Isso deixou de ser exceção.
Virou rotina política.
E talvez o maior problema seja justamente esse:
A sociedade começa lentamente a normalizar o absurdo!!

A fantasia chamada “transformação”
Enquanto erosões seguem sem solução definitiva…
Enquanto a saúde colapsa…
Enquanto faltam materiais básicos…
Enquanto mães aguardam vagas em creches…
Enquanto pacientes esperam anos por consultas…
Enquanto o comércio enfraquece…
…o discurso político continua prometendo uma cidade futurista.
Cianorte 2053!!
Transformações históricas.
Projetos visionários.
Narrativas grandiosas.
Gestão ESPETACULAR com falta de esparadrapos!
Mas talvez a pergunta mais honesta seja:
como acreditar em um futuro espetacular…
…quando o presente sequer consegue funcionar minimamente?
Talvez Cianorte precise parar de se vender como “Cidade Árvore do Mundo” ou "Capital do Vestuário" - com apenas 1 único Shopping tentando sobreviver... Ou "Cidade Amigo do Idoso" - Sem médicos especialistas para estes idosos... como pode isso?
Hoje, para muitos moradores, Cianorte parece caminhar para outro título:

A CAPITAL DA FANTASIA POLÍTICA.
Ou talvez:
Se chamar de TRANSFORMAÇÃO LANDYA, como diz o humor do Alemão Alles Blau.
Um lugar onde acredita quem quer.
Porque, afinal, a liberdade de pensamento também é um direito constitucional.
Inclusive o direito de continuar acreditando em promessas que nunca chegam...

















Comentários