CIANORTE: 792 CRIANÇAS NA FILA DA NEUROPEDIATRIA E ESPERA MÉDIA DE 394 DIAS. QUEM RESPONDE POR ESSE ATRASO?
Ofício encaminhado ao prefeito Marco Franzato cobra plano emergencial, explicações sobre a demora e prioridade efetiva para crianças que aguardam atendimento especializado.
Por Marcio Nolasco — Analista de Políticas Públicas
CIANORTE (PR) — 21 de outubro de 2026
Uma criança que precisa de avaliação neurológica não pode ter seu desenvolvimento condenado a uma espera sem prazo definido. Em Cianorte, os dados do próprio Portal da Transparência da Saúde colocam a administração municipal diante de uma pergunta incômoda: por que 792 pacientes aguardam consulta em Neurologia Infantil, com tempo médio de espera de 394 dias?
Os números foram consultados em 21 de outubro de 2026 e motivaram o Ofício nº 54/2026, encaminhado ao prefeito Marco Franzato, com pedidos de esclarecimentos, providências administrativas e um plano emergencial para reduzir drasticamente a fila.
Não se trata apenas de uma estatística. São crianças e famílias esperando por respostas em uma área da saúde na qual o diagnóstico e a intervenção precoces podem fazer diferença decisiva.

Os números que exigem respostas
Segundo os registros consultados e descritos no ofício:
Indicador | Situação registrada |
Pacientes na fila de Neuropediatria | 792 |
Tempo médio de espera | 394 dias |
Data da solicitação mais antiga | 14/01/2025 |
Espera aproximada do caso mais antigo | 21 meses |
Classificação nas primeiras posições | Urgência |
Fila separada de médico clínico pós-graduado em neuropediatria | 348 pacientes |
Espera média nessa segunda fila | 238 dias |
A solicitação mais antiga identificada permanecia sem atendimento havia aproximadamente 21 meses. O documento também registra pacientes nas primeiras posições classificados como “URGÊNCIA”.
Há ainda uma segunda lista, destinada a atendimento por médico clínico pós-graduado em neuropediatria. A Secretaria Municipal de Saúde precisa esclarecer como esse serviço se relaciona com a fila principal. Os números não devem ser somados automaticamente, pois não há informação suficiente para determinar se existem pacientes em comum ou fluxos assistenciais distintos.
O que os dados já permitem perguntar é: quantos profissionais estão disponíveis, quantas consultas são oferecidas e por que a espera alcança esse patamar?
Imagens do portal da trasnsparência da prefeitura de Cianorte:



Link para conferência aqui: Lista de espera de consultas.
Por outro lado:
Enquanto temos crianças eperando 21 meses por uma consulta, o Prefeito tem à sua disposição um carro de luxo bancado pelo dinheiro do cidadão cianortense ao custo de mais de 6 mil reais mensais de locação, e vôce pai e mãe destas crianças é quem paga... Quantas consultas dariam para pagar para as crianças nas filas da saúde, qual é a prioridade dessa gestão?
Com 6 mil reais por mês dariam para realizar 33.33 consultas mensais para Neuropediatria - 180,00 por consulta... para o médico que vem de Umuarama e atende no Cicenop e no Certea - Dr. Silvio Alexandre Bruno.


Urgência no sistema. Quando chega o atendimento?
A classificação de risco deveria orientar a organização do atendimento conforme as necessidades clínicas de cada paciente. Por isso, a presença de casos identificados como urgentes entre os primeiros da fila, associada a períodos prolongados de espera, exige explicações técnicas.
Como a Prefeitura define a prioridade? Com que frequência os casos são reavaliados? Que providências são tomadas quando uma criança permanece meses aguardando consulta?
O ofício não demonstra, por si só, que houve uma infração jurídica individualizada.
Mas apresenta dados que justificam uma cobrança objetiva sobre os critérios de convocação e a capacidade de resposta da rede municipal.
Na neuropediatria, a demora pode postergar diagnósticos e intervenções importantes em condições como epilepsia, atrasos do desenvolvimento e outros transtornos neurológicos. A gravidade varia de criança para criança, o que torna indispensável a avaliação clínica individualizada.

Uma pergunta ao Prefeito Marco Franzato: Porque só faltando 2 anos para acabar sua gestão, não se resolveu ainda o problema de Médico Neuropediatar em Cianorte? Porque em Cianorte só tem um neuropediatra, Dr Silvio, que está vindo uma vez por mês na cidade - 1 única vez por mês e já esta ameaçando a parar de vir em Cianorte... Porque?
Prioridade absoluta não pode ficar apenas na lei
O documento fundamenta os pedidos nos artigos 196 e 227 da Constituição Federal e em dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A Constituição estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado.
Também determina que crianças e adolescentes recebam proteção com absoluta prioridade.
O artigo 4º do ECA prevê, entre outras garantias, a precedência de atendimento nos serviços públicos e a preferência na formulação e execução de políticas sociais voltadas à infância.
Essas normas sustentam a cobrança por políticas efetivas, planejamento e atendimento adequado. A avaliação de eventual responsabilidade administrativa ou jurídica, entretanto, depende das circunstâncias concretas e dos esclarecimentos do município.
A prioridade absoluta precisa aparecer na prática: na organização das filas, na oferta de consultas e na resposta aos casos mais urgentes.
Sete perguntas que a Prefeitura precisa responder
O Ofício nº 54/2026 solicita informações que permitam avaliar a estrutura do serviço e identificar as causas da demora:

Profissionais disponíveis: quantos neuropediatras atendem pela rede municipal, incluindo contratados, credenciados e serviços via consórcio, e qual a carga horária ofertada?
Oferta de consultas: quantas vagas de primeira consulta e retorno foram disponibilizadas e efetivamente utilizadas nos últimos 24 meses?
Classificação de risco: quais critérios definem a ordem de chamada e como se explica a permanência de casos urgentes por períodos tão longos?
Atualização da fila: quantos pacientes foram atendidos em outros serviços, reavaliados ou retirados da lista nos últimos 12 meses?
Recursos públicos: quanto foi previsto e executado em 2025 e 2026 para a saúde infantil e as consultas especializadas?
Ampliação do atendimento: existem contratos, credenciamentos, convênios, projetos ou consórcios em andamento ou em estudo?
Resultados das medidas adotadas: quais ações foram realizadas para reduzir a fila, em que datas e com quais resultados?
As respostas são fundamentais para entender se o município enfrenta falta de profissionais, oferta insuficiente de consultas, problemas na organização do atendimento ou uma combinação desses fatores.
Sem esses dados, a população não consegue avaliar a eficiência das medidas adotadas nem verificar se a situação está melhorando.
Plano emergencial: prazo solicitado de 15 dias
Além do acesso às informações, o ofício assinado por Marcio Nolasco (portal bisbilhoteiro) solicita que a Prefeitura apresente, em 15 dias, um plano de ação para zerar ou reduzir drasticamente a fila.
Entre as medidas sugeridas estão:
Ampliação da oferta de consultas;
Contratação ou credenciamento de profissionais;
Mutirões de atendimento;
Parcerias e consórcios intermunicipais;
Telessaúde ou teleconsulta, quando clinicamente cabível;
Busca ativa e reavaliação dos casos mais graves e daqueles que aguardam há mais tempo;
Divulgação periódica da evolução da fila no Portal da Transparência.
A proposta é estabelecer um cronograma verificável, com metas e resultados. Não basta anunciar novas vagas: é preciso demonstrar quantas crianças foram atendidas, quanto a fila diminuiu e se os pacientes de maior gravidade estão recebendo a assistência necessária.
O prazo de 15 dias refere-se ao plano emergencial solicitado no documento. Já o pedido de informações está sujeito aos prazos previstos na Lei de Acesso à Informação (LAI), que estabelece resposta imediata quando disponível ou, nas condições legais, até 20 dias, prorrogáveis por mais 10 mediante justificativa expressa.
Transparência é parte da solução
A população tem direito de conhecer a estrutura, os recursos e os resultados dos serviços públicos de saúde.
Por isso, o ofício pede a divulgação periódica dos dados da fila e das providências adotadas. Um painel público precisa permitir que qualquer cidadão acompanhe a evolução da demanda, o número de consultas realizadas e a efetividade das medidas anunciadas.
O documento também solicita respostas por escrito e justificativa legal para eventual negativa de acesso às informações.
A cobrança não se limita a saber quantas crianças aguardam. Busca esclarecer o que a Prefeitura está fazendo, quanto investe e quais resultados consegue entregar.
A cobrança está formalizada. Agora, faltam as respostas.
O Ofício nº 54/2026 foi encaminhado ao prefeito Marco Franzato, com cópias destinadas à Secretaria Municipal de Saúde, ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público do Paraná, à Promotoria de Justiça, à Câmara Municipal e à Secretaria Municipal da Mulher, da Criança e do Adolescente.



O documento formaliza os pedidos de informação e de providências. O material analisado não contém resposta posterior do Executivo, portanto ainda não permite afirmar quais medidas foram adotadas em reação à cobrança.
A Prefeitura precisa esclarecer a capacidade de atendimento, os critérios de prioridade, os recursos disponíveis e o planejamento para reduzir a fila. Sua manifestação é essencial para que a população compreenda as causas do cenário e conheça as soluções previstas.
Uma fila de crianças não pode virar paisagem administrativa
Os 792 pacientes registrados e a espera média de 394 dias exigem atenção e acompanhamento público. A gravidade de cada caso deve ser avaliada individualmente, mas a dimensão da fila torna indispensável uma resposta transparente e fundamentada.
O caminho passa por dados confiáveis, profissionais disponíveis, planejamento e
metas que possam ser fiscalizadas pela sociedade.
Quando uma criança espera meses — ou mais de um ano — por uma consulta especializada, a pergunta não pode ser apenas quantas pessoas estão na fila. É preciso saber por que esperam, quem precisa ser atendido primeiro e o que será feito para mudar essa realidade.
Porque, no desenvolvimento infantil, o tempo não é apenas um número. Pode fazer diferença na vida de uma criança e de toda a sua família.
Para Saber Mais:

Marcio Nolasco
Analista de Políticas Públicas
Portal Bisbilhoteiro — Jornalismo, transparência e fiscalização do poder público.
Nota editorial: Reportagem baseada no Ofício nº 54/2026 e nos dados do Portal da Transparência da Saúde nele reproduzidos, referentes à consulta de 21 de outubro de 2026. Os números refletem aquela data e podem sofrer alterações. Eventuais responsabilidades administrativas ou jurídicas dependem da análise dos fatos e dos esclarecimentos oficiais.

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Essa prefeitursa é uma vergonha só.