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CENÁRIO POLÍTICO NO BRASIL E PARANÁ COM OLHAR PARA 2026

Análise Abrangente das Últimas Pesquisas Eleitorais: Cenários Políticos no Brasil e Paraná (2025)


Resumo Executivo:


Este relatório oferece uma análise aprofundada das últimas pesquisas eleitorais divulgadas em 2025, focando nos cenários presidenciais para o Brasil e nas dinâmicas políticas no estado do Paraná, em antecipação às eleições de 2026. As pesquisas revelam um cenário nacional polarizado e em constante mutação, com a aprovação do governo Lula mostrando sensibilidade a eventos externos e internos. Apesar de sua inelegibilidade, Jair Bolsonaro mantém uma influência considerável, e nomes da direita como Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas emergem como fortes alternativas. No Paraná, o Governador Ratinho Jr. demonstra uma robusta base de apoio, destacando a importância das particularidades regionais na formação do quadro eleitoral. A análise ressalta a necessidade de considerar as metodologias distintas de cada instituto de pesquisa e a relevância do registro junto à Justiça Eleitoral para a transparência do processo, ao mesmo tempo em que aponta para desafios na acessibilidade desses dados.

Pintura que retrata a emancipação da política no Paraná em 19 de dezembro de 1853
Pintura que retrata a emancipação da política no Paraná em 19 de dezembro de 1853

1. Introdução ao Cenário Eleitoral de 2026


O ano de 2025 se configura como um período crucial para a consolidação de candidaturas e a formação de estratégias políticas, a pouco mais de um ano das eleições gerais de 2026. Este período é marcado por um intenso monitoramento da opinião pública, com institutos de pesquisa divulgando levantamentos que servem como indicativos das tendências eleitorais. A importância dessas sondagens reside em sua capacidade de mensurar a temperatura do eleitorado, identificar tendências emergentes e antecipar possíveis confrontos eleitorais. Elas fornecem dados valiosos para partidos, candidatos e analistas na formulação de suas estratégias.


Este relatório tem como objetivo consolidar e analisar os dados mais recentes provenientes de institutos de pesquisa renomados no Brasil, oferecendo uma visão estratégica e aprofundada do panorama político nacional e, especificamente, do estado do Paraná. O foco será nas intenções de voto para a presidência e para o governo do Paraná, bem como na avaliação da gestão federal.


2. Panorama Nacional: Pesquisas Presidenciais (2025)


2.1. Avaliação da Gestão Federal: Aprovação e Desaprovação do Governo Lula


A percepção pública sobre o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado um comportamento volátil ao longo de 2025, com flutuações nas taxas de aprovação e desaprovação. Essa sensibilidade reflete a influência de eventos domésticos e internacionais na opinião do eleitorado.


Em 15 de julho de 2025, a AtlasIntel apresentou uma desaprovação de 50,3% e uma aprovação de 49,9% para o governo Lula, indicando um cenário de divisão quase igualitária na percepção pública. Pouco antes, em 16 de julho de 2025, a Quaest havia registrado que 53% desaprovavam e 43% aprovavam o governo Lula, mostrando uma maioria de desaprovação. Levantamentos anteriores corroboram essa tendência de desaprovação majoritária: a Paraná Pesquisas, em 25 de junho de 2025, apontou 56,7% de desaprovação nacional para o governo Lula. O PoderData, em 3 de junho de 2025, registrou 56% de desaprovação , enquanto a AtlasIntel, em 30 de maio de 2025, indicou 53,7%. O Ipespe, em 21 de maio de 2025, mostrou 54% de desaprovação e 40% de aprovação. Em abril, a Paraná Pesquisas (23.abr.2025) registrou 57,4% de desaprovação , e a Quaest (2.abr.2025) e AtlasIntel (1.abr.2025) reportaram 56% e 53,6% de desaprovação, respectivamente. A Ipsos/Ipec, em 22 de março de 2025, relatou que 58% dos brasileiros não confiavam em Lula.  


A análise desses dados revela que a aprovação do governo Lula é altamente dinâmica e sensível a fatores externos e internos. A observação de uma recuperação na aprovação do governo Lula pela Quaest em julho de 2025, "após o embate com o presidente norte-americano Donald Trump" , sugere que a opinião pública é reativa não apenas a questões econômicas e sociais internas (como a fraude no INSS, que também impactou negativamente a avaliação do governo ), mas também a eventos de política externa e à postura do presidente no cenário internacional. Uma postura forte em disputas internacionais pode gerar um impulso positivo na popularidade, enquanto problemas domésticos ou escândalos podem rapidamente erodir o apoio. Para a estratégia governamental, isso implica a necessidade de uma comunicação ágil e eficaz, capaz de gerenciar crises e capitalizar momentos de sucesso, sejam eles na economia, na política social ou nas relações exteriores. A narrativa para 2026 será intrinsecamente ligada à percepção da capacidade do governo de lidar com desafios complexos e de projetar uma imagem de força e estabilidade.  


2.2. Cenários de Primeiro Turno: Intenções de Voto para Lula e Principais Adversários


Os cenários de primeiro turno para as eleições de 2026 indicam uma disputa presidencial que, embora mostre Lula liderando em alguns levantamentos, também aponta para uma forte concorrência por parte de figuras da direita.


A Quaest, em 17 de julho de 2025, indicou que o Presidente Lula lidera em todos os cenários de 1º turno. Em um confronto direto com Jair Bolsonaro (mesmo inelegível), Lula aparece com 32% das intenções de voto contra 26% de Bolsonaro. Em cenários com Michelle Bolsonaro, Lula tem 30% contra 19%, e contra Tarcísio de Freitas, Lula registra 32% contra 15%. Por outro lado, a pesquisa Gerp de junho de 2025 apresentou cenários onde Jair Bolsonaro liderava com 42% contra 24% de Lula, e Michelle Bolsonaro com 28% contra 23% de Lula. Lula, por sua vez, estava à frente de Tarcísio de Freitas (24% x 18%) e Eduardo Bolsonaro (26% x 17%). A AtlasIntel, em 28 de abril de 2025, mostrou um empate técnico entre Bolsonaro (45,1%) e Lula (44,2%) para 2026. Em fevereiro, a Quaest (3.fev.2025) apontou Lula com 30% das intenções de voto, enquanto os candidatos de direita somavam 42% em conjunto.  


A presença contínua de Jair Bolsonaro em cenários de primeiro turno com intenções de voto significativas, mesmo após sua declaração de inelegibilidade pelo TSE , é um dado notável. Isso sugere que o "Bolsonarismo" como movimento político e ideológico possui uma base sólida que transcende a figura do ex-presidente. A inclusão recorrente de Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nos levantamentos demonstra uma clara tentativa dos institutos e dos próprios atores políticos de testar a capacidade de transferência de votos e identificar o nome mais forte para herdar esse capital eleitoral. A força eleitoral da direita não está exclusivamente atrelada à candidatura individual de Jair Bolsonaro, mas a uma ampla corrente ideológica. O desafio estratégico para este campo político é a consolidação em torno de um candidato elegível que consiga mobilizar eficazmente a base bolsonarista e atrair eleitores independentes. A eleição de 2026 será, em grande parte, moldada pela capacidade da direita de se unificar em torno de uma alternativa viável a Bolsonaro e pela habilidade do campo progressista de neutralizar essa consolidação. A dinâmica interna da direita, com a disputa por quem será o "herdeiro" político, será tão relevante quanto o confronto direto com o atual presidente.  


2.3. Cenários de Segundo Turno: Análise dos Confrontos Diretos e Margens de Vantagem


Os cenários de segundo turno são cruciais para projetar as chances de vitória final, revelando empates técnicos, vantagens marginais e a resiliência dos candidatos em confrontos diretos.


A Quaest, em 17 de julho de 2025, indicou que Lula venceria a maioria dos adversários em um eventual 2º turno, com exceção de Tarcísio de Freitas, com quem se encontra em empate técnico (Lula 41%, Tarcísio 37%). A pesquisa também notou que, em comparação com maio, Lula subiu de 41% para 43%, enquanto Bolsonaro caiu de 41% para 37%. O Datafolha, em 5 de abril de 2025, apontou que Lula venceria Tarcísio por 48% a 39% e Bolsonaro por 49% a 40%, mesmo com a inelegibilidade deste último. A Genial/Quaest, em junho de 2025, mostrou um empate numérico entre Lula e Bolsonaro (41% cada). Lula também empatava, dentro da margem de erro, com Tarcísio (41% x 40%), Ratinho Jr. (40% x 38%) e Eduardo Leite (40% x 36%). Lula venceria Michelle (43% x 39%) e Eduardo Bolsonaro (44% x 34%). A primeira pesquisa Futura de junho de 2025 apresentou Bolsonaro liderando com 48,4% contra 39,9% de Lula. Michelle liderava com 46,2% contra 40,9% de Lula. Lula empatava com Tarcísio (41,1% x 41,0%), Ratinho Jr. (39,9% x 38,8%) e Ronaldo Caiado (39,5% x 35,1%). O Datafolha, em junho de 2025, indicou que Lula aparecia à frente em disputas diretas contra Eduardo Bolsonaro (51% x 34%) e Flávio Bolsonaro (47% x 38%), mas empatava com Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. A segunda pesquisa Futura de junho de 2025 indicou que Lula perderia para seis dos oito adversários testados (Bolsonaro, Tarcísio, Michelle, Eduardo Bolsonaro, Ciro Gomes, Ratinho Jr.), com diferenças acima da margem de erro. Houve um empate numérico com Romeu Zema (37,7% x 37,6%).  


A análise desses cenários de segundo turno revela que, embora Lula seja um competidor forte, a oposição de direita, mesmo fragmentada, tem nomes que se mostram competitivos. Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro emergem consistentemente como os adversários mais fortes, frequentemente alcançando empates técnicos ou liderando contra Lula em diversos levantamentos. Isso sugere uma potencial consolidação do voto de direita em torno dessas duas figuras, especialmente considerando a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. As variações entre os institutos (por exemplo, Datafolha mostrando Lula à frente de Tarcísio, enquanto Quaest aponta empate técnico) também sublinham a complexidade da análise e a importância das metodologias. A oposição de direita, embora ainda com múltiplos nomes, parece estar convergindo para Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro como os candidatos mais viáveis para enfrentar Lula em um segundo turno. A capacidade de um desses nomes de unificar o voto anti-Lula será um fator decisivo. A eleição de 2026 pode se configurar como um embate direto entre Lula e um dos principais nomes da direita. A estratégia da oposição passará pela capacidade de construir uma chapa unificada e evitar a dispersão de votos, enquanto a campanha de Lula precisará focar em desconstruir essas candidaturas emergentes e consolidar seu próprio eleitorado.


2.4. Divergências e Consistências entre os Institutos


A comparação entre os resultados de diferentes institutos de pesquisa é fundamental para identificar padrões robustos e, ao mesmo tempo, reconhecer as divergências que podem surgir devido a variações metodológicas. É crucial notar que "os resultados das diferentes pesquisas não devem ser comparados diretamente, pois cada instituto adota uma metodologia própria, o que gera variações nos resultados". Esta é uma advertência crucial para qualquer análise.  


Um exemplo prático de variação pode ser observado nos cenários de segundo turno entre Lula e Tarcísio de Freitas. Enquanto o Datafolha, em abril de 2025, indicou uma vantagem de 9 pontos para Lula sobre Tarcísio (Lula 48% vs. Tarcísio 39%) , a Quaest, em julho de 2025, apontou um empate técnico entre os dois (Lula 41% vs. Tarcísio 37%). Essas diferenças podem ser atribuídas a períodos de coleta distintos, metodologias de amostragem ou até mesmo a eventos políticos ocorridos entre as datas das pesquisas.  


A reiteração de que "os resultados das diferentes pesquisas não devem ser comparados diretamente, pois cada instituto adota uma metodologia própria" é central para a compreensão desses dados. As discrepâncias observadas não são necessariamente contradições, mas sim "fotografias do momento" capturadas por diferentes lentes metodológicas. A AtlasIntel, por exemplo, utiliza questionários online , enquanto Quaest e Datafolha utilizam entrevistas presenciais , o que pode influenciar o perfil da amostra e as respostas. Nenhuma pesquisa isolada deve ser considerada a verdade absoluta. Uma compreensão abrangente do cenário eleitoral exige a análise conjunta de dados de múltiplos institutos respeitáveis, com uma compreensão crítica de suas metodologias. O foco deve ser na identificação de tendências gerais e na direção das mudanças, em vez de na comparação ponto a ponto de números absolutos. Para estrategistas políticos e analistas, isso significa que a tomada de decisão deve ser baseada em um portfólio diversificado de pesquisas, complementado por análises qualitativas e acompanhamento contínuo dos eventos políticos. A capacidade de interpretar as nuances metodológicas e os impactos do contexto é mais valiosa do que a simples compilação de números.  


Tabela 1: Intenções de Voto Presidenciais - Cenários de 1º Turno (Brasil, 2025)

Candidato(s), Porcentagem (%), Instituto de Pesquisa, Período de Coleta e Fonte.


Lula (PT) 32% Quaest 10-14.jul.2025

Bolsonaro (PL) 26% Quaest 10-14.jul.2025


Lula (PT) 30% Quaest 10-14.jul.2025

Michelle Bolsonaro 19% Quaest 10-14.jul.2025


Lula (PT) 32% Quaest 10-14.jul.2025

Tarcísio de Freitas 15% Quaest 10-14.jul.2025


Bolsonaro (PL) 42% Gerp 28-31.mai.2025

Lula (PT) 24% Gerp 28-31.mai.2025


Michelle Bolsonaro 28% Gerp 28-31.mai.2025

Lula (PT) 23% Gerp 28-31.mai.2025


Bolsonaro (PL) 45.1% AtlasIntel 28.abr.2025

Lula (PT) 44.2% AtlasIntel 28.abr.2025



Tabela 2: Intenções de Voto Presidenciais - Cenários de 2º Turno (Brasil, 2025)

Cenário de 2º Turno, Candidato 1 (%), Candidato 2 (%), Instituto de Pesquisa Período de Coleta, Fonte.


Lula vs. Tarcísio Lula: 41% Tarcísio: 37% Quaest 10-14.jul.2025

Lula vs. Tarcísio Lula: 48% Tarcísio: 39% Datafolha 01-03.abr.2025

Lula vs. Bolsonaro Lula: 49% Bolsonaro: 40% Datafolha 01-03.abr.2025

Lula vs. Bolsonaro Lula: 41% Bolsonaro: 41% Genial/Quaest 29.mai-01.jun.2025


Lula vs. Tarcísio Lula: 41% Tarcísio: 40% Genial/Quaest 29.mai-01.jun.2025

Lula vs. Michelle Lula: 43% Michelle: 39% Genial/Quaest 29.mai-01.jun.2025


Lula vs. Ratinho Jr. Lula: 40% Ratinho Jr.: 38% Genial/Quaest 29.mai-01.jun.2025


Lula vs. Leite Lula: 40% Leite: 36% Genial/Quaest 29.mai-01.jun.2025

Lula vs. Bolsonaro Lula: 39.9% Bolsonaro: 48.4% Futura (1ª) 02-04.jun.2025

Lula vs. Michelle Lula: 40.9% Michelle: 46.2% Futura (1ª) 02-04.jun.2025

Lula vs. Tarcísio Lula: 41.1% Tarcísio: 41.0% Futura (1ª) 02-04.jun.2025


Lula vs. Bolsonaro Lula: 37.4% Bolsonaro: 50% Futura (2ª) 12-23.jun.2025

Lula vs. Tarcísio Lula: 34.9% Tarcísio: 46.5% Futura (2ª) 12-23.jun.2025

Lula vs. Michelle Lula: 38.0% Michelle: 48.4% Futura (2ª) 12-23.jun.2025

 

3. Foco Regional: Pesquisas Eleitorais no Paraná (2025)


3.1. Cenários para o Governo do Estado: Intenções de Voto para Candidatos Chave


O estado do Paraná, um dos maiores colégios eleitorais do país, apresenta uma dinâmica eleitoral particular, com figuras políticas locais de forte projeção e, por vezes, com capacidade de influenciar o cenário nacional.


Em 11 de julho de 2025, a Paraná Pesquisas indicou que, em cenários para 2026, o atual governador Ratinho Jr. (PSD) aparece em empate técnico com Jair Bolsonaro (PL) para a presidência (33.6% x 34.4%) dentro do estado. Mais notavelmente, Ratinho Jr. vence Lula em um confronto direto no Paraná (49% x 15.5%). Para a disputa pelo governo do Paraná, Sergio Moro lidera, conforme pesquisas da Paraná Pesquisas de 8 de julho de 2025 e 26 de maio de 2025. Em 27 de fevereiro de 2025, a mesma Paraná Pesquisas indicou que, se a eleição fosse naquele momento, Moro teria 49% dos votos para governador do PR, liderando com 30% das intenções. A Abrapel lista uma pesquisa da Paraná Pesquisas de 17 a 21 de maio de 2025, focada na "Avaliação do governo Estadual no Paraná" para 2026.  


Os dados demonstram que Ratinho Jr. tem um desempenho eleitoral robusto no Paraná, superando até mesmo o Presidente Lula em cenários hipotéticos dentro do estado. Concomitantemente, Sergio Moro, uma figura com alta projeção nacional, aparece consistentemente como líder na disputa pelo governo do estado. Isso indica que o eleitorado paranaense valoriza tanto a liderança local consolidada quanto o apelo de personalidades com reconhecimento nacional, criando uma dinâmica eleitoral híbrida. O Paraná exemplifica como líderes estaduais podem construir uma base de apoio tão sólida que os torna competitivos até mesmo em cenários presidenciais dentro de seus estados. A presença de figuras nacionais como Moro disputando cargos estaduais também demonstra a complexidade e a interconexão entre as esferas política federal e regional. Para os partidos e campanhas nacionais, isso sublinha a importância de não subestimar as particularidades regionais. Estratégias eleitorais bem-sucedidas precisarão de adaptações locais, com o reconhecimento da força de líderes estaduais e a capacidade de construir alianças que capitalizem tanto o apoio local quanto o apelo nacional.  


3.2. Impacto da Política Nacional nas Dinâmicas Eleitorais Paranaenses


Embora o Paraná possua uma dinâmica eleitoral própria e um eleitorado com características específicas, as avaliações do governo federal e a performance de figuras políticas nacionais ainda exercem influência significativa no estado.


A Paraná Pesquisas, em 11 de julho de 2025, revelou que a avaliação do Governo Federal no Paraná mostrou que 59.4% dos entrevistados consideram a administração "ruim" ou "péssima", enquanto apenas 19% a avaliam como "ótima" ou "boa". A desaprovação geral do governo PT no estado foi de 68.3%. Em Curitiba, capital do Paraná, a desaprovação do governo Lula subiu para 67,4% em 14 de abril de 2025, segundo o Poder360. Em cenários hipotéticos para 2026, a Paraná Pesquisas de 28 de fevereiro de 2025 indicou que Lula perderia para Bolsonaro, Michelle e Tarcísio no Paraná.  


A desaprovação do governo Lula no Paraná é consistentemente alta, superando a média nacional em algumas pesquisas (59.4% a 68.3% de desaprovação no estado , e 67.4% em Curitiba , em contraste com, por exemplo, 50.3% nacionalmente pela AtlasIntel ). Essa elevada taxa de desaprovação cria um terreno fértil para candidatos de oposição, especialmente aqueles alinhados à direita, como Ratinho Jr. e Sergio Moro, cujos desempenhos robustos no estado são notáveis. A correlação entre a alta desaprovação federal e a força da direita no Paraná é evidente. O Paraná se destaca como um estado onde a desaprovação ao governo federal é particularmente acentuada, tornando-o um termômetro importante para a força da oposição de direita. Esta forte rejeição ao governo Lula no estado contribui significativamente para o desempenho favorável de candidatos da direita em cenários locais e, em alguns casos, até nacionais dentro do território paranaense. Para campanhas que buscam desafiar o governo federal, o Paraná pode servir como um modelo para entender a profundidade do descontentamento e refinar mensagens que ressoem com eleitores insatisfeitos. A alta desaprovação sugere que as políticas e a imagem do governo federal não estão se conectando efetivamente com uma parcela significativa do eleitorado paranaense, exigindo uma abordagem diferenciada para o estado.  


Tabela 3: Pesquisas para o Governo do Paraná (2025)


Candidato(s), Porcentagem (%), Instituto de Pesquisa, Período de Coleta Cenário, Fonte.


Sergio Moro 49% Paraná Pesquisas 27.fev.2025 Governador PR


Sergio Moro 30% Paraná Pesquisas 27.mar.2025 Governador PR

Ratinho Jr. (PR) 33.6% Paraná Pesquisas 03-06.jul.2025 Presidência (no PR)

Bolsonaro (PL) 34.4% Paraná Pesquisas 03-06.jul.2025 Presidência (no PR)

Ratinho Jr. (PR) 49% Paraná Pesquisas 03-06.jul.2025 Presidência (no PR)

Lula (PT) 15.5% Paraná Pesquisas 03-06.jul.2025 Presidência (no PR)

Ratinho Jr. (PR) 68.6% Paraná Pesquisas 03-06.jul.2025 Presidência (no PR)


Tabela 4: Avaliação do Governo Federal (Brasil e Paraná, 2025)


Avaliação%, Aprovação(Ótimo/Bom)%, Desaprovação (Ruim/Péssimo)% Regular Instituto de Pesquisa, Abrangência, Período de Coleta, Fonte.


Governo Lula 49.9% 50.3% - AtlasIntel Brasil 11-13.jul.2025

Governo Lula 43% 53% - Quaest Brasil 16.jul.2025

Governo Lula - 56.7% - Paraná Pesquisas Brasil 25.jun.2025

Governo Lula - 56% - PoderData Brasil 03.jun.2025

Governo Lula - 53.7% - AtlasIntel Brasil 30.mai.2025

Governo Lula 40% 54% - Ipespe Brasil 21.mai.2025

Governo Lula - 57.4% - Paraná Pesquisas Brasil 23.abr.2025

Governo Lula - 56% - Quaest Brasil 02.abr.2025

Governo Lula - 53.6% - AtlasIntel Brasil 01.abr.2025

Governo Lula - 58% (não confiam) - Ipsos/Ipec Brasil 22.mar.2025

Governo Lula - 53% - PoderData Brasil 19.mar.2025

Governo Lula - 41% (ruim/péssimo) - Ipsos-Ipec Brasil 13.mar.2025

Governo Lula - 53% - AtlasIntel Brasil 07.mar.2025

Governo Lula - 44% (ruim/péssimo) - CNT Brasil 25.fev.2025

Governo Lula - 55% - Paraná Pesquisas Brasil 19.fev.2025

Governo Lula - 51.4% - AtlasIntel Brasil 11.fev.2025

Governo Lula - 57% - Quaest Brasil 03.fev.2025

Governo Lula 28.5% (aprovam) 68.3% (desaprovam) - Paraná Pesquisas Paraná 03-06.jul.2025

Governo Lula - 67.4% - Poder360 Curitiba 14.abr.2025

 

4. Aspectos Metodológicos e Regulatórios


4.1. Importância do Registro de Pesquisas no TSE e Transparência


A legislação eleitoral brasileira estabelece rigorosas exigências para o registro prévio de pesquisas de opinião pública que visam a divulgação de intenção de voto. Este processo é fundamental para garantir a transparência, a credibilidade e a fiscalização dos levantamentos.


O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) confirma que as pesquisas eleitorais devem ser registradas na Justiça Eleitoral até cinco dias antes de sua divulgação. A norma exige a apresentação de informações detalhadas como a identificação do contratante, a metodologia utilizada, o período de realização, a origem dos recursos, o nome do estatístico responsável e seu registro profissional. A divulgação de pesquisas sem o devido registro pode acarretar multas significativas, variando de R$ 50 mil a R$ 100 mil. É importante notar que, embora o registro seja obrigatório para a divulgação, a divulgação dos resultados em si não é.  


O Ministério Público do Amazonas (MPAM) detalha o Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que permite a consulta pública de pesquisas registradas. Este sistema disponibiliza informações cruciais como o instituto responsável, a metodologia empregada, o período de coleta, o contratante, o valor e a origem dos recursos, o plano amostral, a margem de erro e o questionário completo. O registro deve ser feito no mínimo cinco dias antes da divulgação. Um exemplo prático da importância do registro é a desmistificação de uma pesquisa falsa atribuída à Paraná Pesquisas em julho, que foi desmentida por não possuir registro no TSE. Este incidente sublinha a vulnerabilidade do ambiente informacional e a necessidade de verificação. O site do TSE oferece um link para "Consulta às pesquisas registradas" , indicando a via oficial para acesso a esses dados. No entanto, as tentativas de acesso direto a dados de 2025 via URLs específicas do PesqEle resultaram em "informação indisponível" ou "acesso rejeitado" , o que aponta para desafios na acessibilidade imediata e detalhada dos dados mais recentes.  


O sistema legal brasileiro exige o registro de pesquisas eleitorais no TSE para garantir a transparência. Contudo, a dificuldade em acessar diretamente os detalhes das pesquisas de 2025 através do sistema PesqEle e a existência de casos de pesquisas falsas sem registro revelam uma lacuna entre a intenção regulatória e a efetividade da fiscalização e da acessibilidade pública. Essa lacuna pode ser explorada para a disseminação de desinformação, minando a confiança no processo eleitoral. Embora o arcabouço legal para a transparência das pesquisas seja robusto, a prática da fiscalização e a facilidade de acesso à informação completa e atualizada para o público ainda enfrentam desafios. Isso cria um ambiente propício para a proliferação de notícias falsas e a manipulação da percepção pública. Para analistas e jornalistas, isso reforça a necessidade imperativa de verificar a autenticidade e o registro de cada pesquisa antes de sua divulgação ou análise. Para as autoridades eleitorais, sugere a importância de aprimorar a usabilidade e a acessibilidade do sistema PesqEle, garantindo que a informação esteja prontamente disponível para combater a desinformação e fortalecer a confiança no processo democrático.  


4.2. Considerações sobre Metodologias e seu Impacto nos Resultados


A compreensão da metodologia empregada por cada instituto de pesquisa é crucial para uma interpretação acurada dos resultados. Diferenças no desenho da pesquisa podem levar a variações nos números, mesmo para cenários semelhantes. O portal Exame.com adverte explicitamente que "os resultados das diferentes pesquisas não devem ser comparados diretamente, pois cada instituto adota uma metodologia própria, o que gera variações nos resultados". Esta é uma premissa fundamental para a análise.  


A Quaest, em sua pesquisa de 17 de julho de 2025, entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em todo o Brasil, por meio de entrevistas presenciais, entre 10 e 14 de julho. A margem de erro foi de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Em contraste, a AtlasIntel, em 15 de julho de 2025, realizou 2.841 entrevistas via questionários online, de 11 a 13 de julho. A margem de erro foi de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. A diferença na metodologia de coleta (online vs. presencial) pode impactar o perfil da amostra.  


Para o Paraná, a Paraná Pesquisas, em 11 de julho de 2025, entrevistou 1.540 eleitores em 62 municípios do estado, de 3 a 6 de julho. O nível de confiança foi de 95%, com margem de erro de 2.5 pontos percentuais. O Datafolha, em 5 de abril de 2025, ouviu 3.056 pessoas em 172 municípios, entre 1º e 3 de abril, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Outros institutos também apresentam metodologias variadas: a Gerp, em junho de 2025, utilizou uma amostra de 2.000 eleitores, com margem de erro de 2.24 pontos percentuais e grau de confiança de 95.55%. A primeira pesquisa Futura, em junho de 2025, teve uma amostra de 1.001 brasileiros adultos, com margem de erro de 3.1 pontos percentuais, enquanto sua segunda pesquisa no mesmo mês aumentou a amostra para 2.000, com margem de erro de 2.2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A Paraná Pesquisas, em sua pesquisa nacional de janeiro de 2025, utilizou uma amostra de 2018 eleitores em 26 estados e no Distrito Federal, abrangendo 164 municípios, com grau de confiança de 95% e margem de erro de 2.2 pontos percentuais para os resultados gerais.  


A disponibilidade de detalhes metodológicos para diversas pesquisas (tamanho da amostra, método de coleta, datas, margem de erro, nível de confiança) , aliada à advertência explícita sobre a não comparabilidade direta , enfatiza que a metodologia não é um mero detalhe técnico. Por exemplo, a diferença entre pesquisas online (AtlasIntel) e presenciais (Quaest, Datafolha, Paraná Pesquisas) pode levar a amostras com perfis distintos, impactando os resultados. Uma margem de erro maior, por sua vez, indica menor precisão. A forma como uma pesquisa é conduzida (sua metodologia) é tão importante quanto os números que ela apresenta. Variações no tamanho da amostra, no método de coleta (online vs. presencial), na abrangência geográfica e na margem de erro são fatores que explicam as diferenças entre os resultados de diferentes institutos. Para um analista político, a compreensão aprofundada dessas nuances metodológicas é indispensável para evitar conclusões equivocadas e para fornecer análises robustas. Isso significa que as decisões estratégicas não devem ser baseadas apenas nos percentuais brutos, mas em uma avaliação crítica do desenho da pesquisa. Além disso, a transparência e a padronização na divulgação das metodologias por parte dos institutos seriam benéficas para o debate público e a credibilidade do setor.  


Tabela 5: Comparativo Metodológico das Principais Pesquisas (2025)


Instituto de Pesquisa, Período de Coleta, Tamanho da Amostra, Nº de Municípios, Margem de Erro, Nível de Confiança, Método de Coleta, Fonte.


Quaest 10-14.jul.2025 2.004 Todo o Brasil 2 p.p. 95% Presencial

AtlasIntel 11-13.jul.2025 2.841 26 Estados + DF 2 p.p. 95% Online

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Datafolha 01-03.abr.2025 3.056 172 2 p.p. - Presencial

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5. Conclusão e Implicações Estratégicas


5.1. Síntese das Principais Descobertas e Fatores Influenciadores


O cenário eleitoral de 2026, conforme delineado pelas pesquisas de 2025, é caracterizado por uma polarização persistente entre as forças políticas e uma notável sensibilidade da opinião pública a eventos políticos e econômicos, tanto domésticos quanto internacionais. O Presidente Lula enfrenta o desafio contínuo de estabilizar e expandir sua base de aprovação, com sua popularidade reagindo de forma dinâmica a questões como a performance econômica e as relações exteriores.


No campo da direita, a busca por um sucessor elegível para Jair Bolsonaro é uma prioridade estratégica. Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas emergem como os principais nomes capazes de herdar seu capital político, mostrando-se competitivos em cenários de segundo turno. Em nível regional, estados como o Paraná demonstram dinâmicas eleitorais particulares. A forte liderança de figuras locais, como o Governador Ratinho Jr., pode ter um peso significativo, por vezes superando a influência de figuras nacionais e indicando a necessidade de estratégias eleitorais regionalizadas. A integridade e a transparência das pesquisas eleitorais, garantidas pelo registro no TSE e pela divulgação de metodologias claras, são fundamentais para a saúde do debate democrático, embora desafios na acessibilidade dos dados ainda persistam.


5.2. Perspectivas e Desafios para os Atores Políticos no Período Pré-Eleitoral de 2026


Para o Governo e a Esquerda, o principal desafio será estabilizar a avaliação governamental, comunicando de forma eficaz os resultados da gestão e, possivelmente, adaptando a narrativa para ressoar em regiões onde a desaprovação é mais acentuada, como o Paraná. A capacidade de Lula de transferir votos para aliados e de manter a coesão de sua base será testada à medida que a eleição se aproxima.


Para a Oposição de Direita, a tarefa primordial é a unificação em torno de um nome elegível e competitivo que possa capitalizar a desaprovação do governo federal e a força do "Bolsonarismo". A estratégia de campanha precisará equilibrar a herança política de Bolsonaro com a construção de uma imagem própria e independente para os novos líderes, evitando divisões internas que possam enfraquecer o campo.


Para o Eleitorado e a Mídia, a necessidade de uma leitura crítica e informada das pesquisas é imperativa. Compreender as metodologias, as margens de erro e o contexto de cada levantamento é essencial para evitar a desinformação e formar uma opinião pública robusta e informada. A mídia, por sua vez, tem um papel crucial em contextualizar os dados e em educar o público sobre as nuances da pesquisa de opinião.




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