Bósnia; o milagre da repescagem
- Walber Guimarães Junior

- há 13 horas
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O processo de classificação da Bósnia para 2026 entrará para a história do país. A equipe competiu no Grupo H das eliminatórias da UEFA, junto com Áustria, Romênia, Chipre e San Marino, e precisou disputar a repescagem para garantir sua vaga.

O caminho nos play-offs foi de pura resiliência: semifinal contra o País de Gales: Jogando em Cardiff, a Bósnia saiu atrás no placar, mas o veterano Edin Džeko marcou o gol de empate nos minutos finais, levando a equipe à vitória posterior.
No jogo final contra a Itália, em 31 de março de 2026, em um jogo tenso no Estádio Bilino Polje, em Zenica, a Itália saiu na frente com Moise Kean. A Bósnia buscou o empate no tempo normal com Haris Tabaković (1-1). A vaga foi decidida nos pênaltis, onde a Bósnia venceu por 4 a 3, com o jovem Esmir Bajraktarević convertendo a cobrança decisiva. Este resultado não apenas classificou a Bósnia, mas também deixou a Itália de fora de sua terceira Copa do Mundo consecutiva.
A Bósnia e Herzegovina tem uma história curta, porém orgulhosa, em Copas do Mundo: uma única participação em 2014. Naquela ocasião, a equipe caiu na fase de grupos. Estreou com derrota para a Argentina (2-1), perdeu para a Nigéria (1-0, em um jogo com polêmicas de arbitragem, e conquistou sua primeira e única vitória em Copas contra o Irã (3-1).
O retorno em 2026, 12 anos depois, marca a consolidação de uma nova geração mesclada com os últimos suspiros de seus maiores ídolos, deixando a torcida, e o próprio país, em estado de euforia absoluta. Eliminar uma tetracampeã mundial como a Itália em casa gerou uma comoção nacional.
A torcida vê esta classificação como uma afirmação do futebol do país no cenário europeu. Além disso, há uma expectativa enorme em relação ao apoio nas arquibancadas. A Bósnia possui uma forte diáspora na América do Norte (especialmente nos EUA e Canadá), o que garante que a equipe não jogará "sozinha" em cidades como Seattle ou Vancouver.
Taticamente, a Bósnia de 2026 apresenta um futebol pragmático, focado na solidez defensiva e em transições rápidas. A equipe tem variado entre um 3-5-2 e um 4-2-3-1, dependendo do adversário. Contra seleções mais fortes, adotam uma postura de bloco baixo, fechando os espaços centrais e forçando o adversário a cruzar bolas na área, onde seus zagueiros altos têm vantagem.
Dentre os pontos Fortes, se destaca a resiliência mental: As vitórias de virada/empate no fim contra Gales e Itália mostram uma equipe que não desiste. Além disto, a equipe tem poder de fogo no ataque, com a presença de Edin Džeko, mesmo com idade avançada, sua inteligência tática e jogo aéreo são letais, somada ao faro de gol de Haris Tabaković que se soma a jogadores novos como Esmir Bajraktarević que traz velocidade, drible e imprevisibilidade pelas pontas.
Por outro lado, como pontos fracos, a equipe sofre quando precisa propor o jogo contra defesas muito fechadas. A transição defensiva pode ser lenta devido à falta de velocidade de alguns jogadores do setor de meio-campo.
Com a vitória nos play-offs, a Bósnia foi alocada no Grupo B, que terá jogos na Costa Oeste e no Canadá (Los Angeles, Santa Clara, Seattle, Vancouver e Toronto). O grupo é composto por: Canadá (País-sede): O adversário mais perigoso pelo fator casa e pela velocidade de jogadores como Alphonso Davies. Suíça: A equipe mais sólida taticamente do grupo, com vasta experiência em fases de mata-mata de grandes torneios e o Catar: Atual bicampeão asiático, mas que historicamente sofre contra equipes físicas europeias.
É um grupo equilibrado. A Suíça é a favorita teórica para o primeiro lugar, mas a Bósnia tem totais condições de brigar diretamente com o Canadá pela segunda vaga, ou garantir a classificação como um dos melhores terceiros colocados.
Com o novo formato da Copa do Mundo de 2026 (48 seleções, classificando os dois primeiros de cada grupo e os oito melhores terceiros colocados para a fase de 16 avos de final), as perspectivas para a Bósnia são muito otimistas.
Se a Bósnia conseguir arrancar um empate contra a Suíça ou o Canadá e vencer o Catar, a classificação é quase certa. O jogo físico dos bósnios deve ser um problema grave para o Catar.
A maioria dos analistas projeta que a Bósnia avançará da fase de grupos, alcançando a fase de 16 avos de final. Chegar às oitavas de final seria considerado um sucesso estrondoso. A partir do mata-mata, o estilo reativo e a capacidade de levar jogos para os pênaltis, como provado contra a Itália, tornam a Bósnia um adversário indigesto e perigoso para qualquer seleção favorita.
Em resumo, a Bósnia chega a 2026 embalada por um milagre nas eliminatórias, com uma mescla interessante de juventude e experiência, e tem tudo para fazer a melhor campanha de sua história em Copas do Mundo.

















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