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BRICS PAY: Mais uma guerra de Trump contra a desdolarização global

Entenda como o BRICS PAY pode baratear as exportações brasileiras e por que os EUA estão tratando o projeto como um "ato de guerra" econômica.


Imagine que você está num churrasco de condomínio. Todo mundo consome, todo mundo se diverte, mas na hora de pagar a conta, o síndico — um sujeito alto, de cartola e que fala inglês — exige que todo mundo troque seus reais por "fichas da mansão" dele. Ele cobra taxa para trocar, taxa para devolver e, se ele não for com a sua cara, ele simplesmente confisca suas fichas e te expulsa da festa. Esse síndico é o Dólar. E os vizinhos do fundão (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) acabaram de constatar que se cansaram de pagar pedágio: vem aí o BRICS PAY.


Imagem criada por IA – Nelson Guerra 


O anúncio do BRICS PAY caiu no mercado financeiro como um grupo de pagode em enterro: barulhento e impossível de ignorar. O objetivo é claro como água de coco: reduzir a dependência do dólar. Hoje, se o Brasil quer vender soja para a China, o processo é um baile de etiquetas. O chinês converte Yuan para Dólar, o banco americano carimba, cobra o dele, e o brasileiro recebe o Dólar para só então transformar em Real. É muito intermediário para um namoro que poderia ser direto. O BRICS PAY quer ser o "Tinder" das moedas: o par perfeito, sem vela e sem taxa de serviço internacional.


Como funciona a "Mágica": O Pix do Brics


Na prática, o BRICS PAY não é uma nota de dinheiro com a cara do Pelé ou do Mao Tsé-Tung. É um sistema digital, uma espécie de "superestrada" de dados. Sabe o nosso Pix, que virou patrimônio cultural da humanidade (pelo menos na nossa cabeça)? A ideia é parecida.


O sistema utiliza tecnologia blockchain — a mesma das criptomoedas, mas sem aquela volatilidade de montanha-russa — para conectar os bancos centrais. É como se os sistemas internos de cada país (o nosso Pix, o UPI indiano e o WeChat Pay chinês) começassem a falar a mesma língua. Você encosta o celular no QR Code em Pequim, o sistema entende que você tem Reais, faz a conversão direta pelo valor de mercado e o chinês recebe o dele na hora. É a globalização sem precisar pedir bênção para Nova York.


Brasil: O "Mestre de Obras" do Sistema


Nessa história toda, o Brasil não é apenas um convidado; nós somos o consultor técnico. O Banco Central do Brasil é visto lá fora como o "Neymar dos sistemas de pagamento". O sucesso do Pix deixou o mundo financeiro de queixo caído, e nossa expertise em segurança digital e liquidação imediata é o que sustenta a confiança no BRICS PAY.


Para o agronegócio brasileiro, isso é música para os ouvidos. Menos custo de transação significa mais margem no bolso do produtor. Mas, como nem tudo é feijoada sem gordura, há riscos. Se o Brasil mergulha fundo demais nesse sistema e o dólar resolve "dar o troco", nossas reservas internacionais (que são majoritariamente em dólar) podem sofrer um resfriado cambial. É o eterno dilema brasileiro: como ser amigo do capitão do time sem brigar com o dono da bola.


O Alaranjado Avermelhou: A Fúria de Donald Trump


E por falar em dono da bola, o anúncio não bateu bem na Mar-a-Lago. Donald Trump, o homem que transformou o bronzeamento artificial em marca registrada, já mandou o aviso. Para Trump, qualquer país que tentar sair da órbita do dólar está pedindo para ser "cancelado" pela economia americana.


Ele ameaçou aplicar uma tarifa de 100% sobre qualquer produto vindo de países que flertem com o fim da dolarização. É o equivalente geopolítico a um namorado ciumento que diz: "Se você sair com essas amigas, não entra mais na minha casa". Trump trata o dólar como se fosse o "Anel de Sauron": ele quer ser o único a governar a todos. O deboche dele com o BRICS é quase teatral, mas o medo por trás da bravata é real: se o dólar perde o trono, os EUA perdem a capacidade de imprimir dinheiro para pagar as próprias dívidas infinitas. É o império vendo que o "fiado" pode acabar.


É o fim do Dólar ou só um susto?


Economistas sérios (aqueles que não usam gravata borboleta) dizem que o dólar não vai morrer amanhã. Ele ainda é o "porto seguro" mundial. Porém, o BRICS PAY cria uma alternativa de fuga. Em caso de guerras ou sanções (como as que a Rússia sofreu), os países agora têm uma saída de emergência.


Se o comércio entre os países do bloco — que já representam uma fatia do PIB global maior que a do G7 — passar a ser feito em moedas locais, o dólar deixa de ser o oxigênio e vira apenas um "ar-condicionado": bom de ter, mas dá para sobreviver sem. Para o Brasil, é a chance de diversificar a carteira. É como não colocar todos os ovos na mesma cesta, especialmente se a cesta for de um dono que gosta de chutar o balde de vez em quando.


E o Futuro? O Futuro é um QR Code!

No fim das contas, a desdolarização é como aquela dieta que a gente promete na segunda-feira: parece difícil, dá uma vontade louca de desistir, mas quando você vê o resultado, não quer outra vida. O BRICS PAY é a prova de que o mundo não quer mais falar apenas inglês na hora de abrir a carteira.


Se o Trump vai conseguir barrar? Ele pode até tentar fazer barulho e gritar na rede X (ou na rede dele), mas a tecnologia e a conveniência costumam vencer os rabugentos. No Brasil, a gente já sabe: entre uma burocracia cara e um Pix rapidinho, o povo já escolheu. O dólar que se cuide, porque o "choro é livre", mas a transação agora é em Real, Yuan e o que mais vier pela frente. Prepare o celular, que o mundo ficou sem troco!


Imagem criada por IA – Nelson Guerra 


(Nelson Guerra é comunicador e consultor em Gestão Pública que estuda economia e já pensa em quebrar o cofrinho)


2 comentários


Bueno de Assis
Bueno de Assis
07 de mar.

Creio que o pano de fundo seja a manutenção do dólar como motor mundial do comércio entre as nações e visto que os USA detém o seu controle exclusivo, nisto reside a manutenção do seu poder. Mas creio que esta guerra poderá ser vencida, mas irá longe e necessitará de que outras batalhas sejam também, vencidas: lembrando que toda a internet, está também sobre o controle dos USA, sendo que a espinha dorsal que mantem a internet funcionando está totalmente, sob o controle dos USA. Assim, o tripé: dólar, tecnologia e máquina de guerra, por hora, mantêm os USA na crista da onda, embora... venha perdendo terreno gradativamente e esperamos que nossas lideranças tenha a sapiência necessária para não jogar…

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Luiz Romeiro
02 de mar.

Muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. Trump não vai engolir esse "sapo" sem antes tentar "virar o barco" do BRICS. Certamente virão retaliações que atingirão individualmente os interesses dos integrantes do BRICS para minar a força do grupo. Mas se os integrantes conseguirem ficar unidos na criação e manutenção do BRICS PAY, prevalecerão.

Quem viver, verá!

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