As respostas que o paranaense não ouviu.
Quando os olhos dos paranaenses se voltam para a sucessão estadual, a sensação é de alívio, muito diferente da disputa nacional, onde só nos resta escolher o “menos ruim”, por aqui a boa disputa entre os três principais candidatos nos deixa tranquilos; qualquer um deles tem credenciais para cuidar bem do nosso Estado.

Ainda assim, a disputa não é a mais adequada. Por imposição de suas estratégias eleitorais, Sergio Moro e Sandro Alex fugiram de todos os confrontos diretos, em debates, sempre com a presença do candidato Requião Filho. Talvez por isso, as principais questões que preocupam o eleitor paranaense seguem sem respostas objetivas e, por isso, me sinto motivado em reproduzi-las neste espaço, na expectativa que o confronto direto do provável segundo turno, os obrigue a enfrentá-las.
A seguir, vamos discorrer sobre as principais questões, esperando que o segundo mais que fujões, nos mostre candidatos que demonstrem mais respeito ao eleitor paranaense.
É justo que se inicie pela questão tributária, já que o ano de 2027 marca o início da operação real da Reforma Tributária federal. O próximo governador enfrentará a complexidade de gerir o estado enquanto o ICMS (principal fonte de receita própria) começa a ser substituído pelo novo sistema, gerando incerteza sobre a velocidade da recomposição de receitas e a necessidade de ajustar o fluxo de caixa estadual às novas regras de repartição. Será fundamental que a atenção se concentre em manter a a saúde fiscal para não comprometer a capacidade de investimento, que tem sido a marca do Paraná nos últimos anos.
Ainda que inspire discussões, se pode afirmar que o Paraná vive um momento econômico positivo, todavia precisa enfrentar o desafio de diversificar a matriz econômica, para reduzir a dependência do agro e da indústria de baixo valor agregado, preparando o Estado para o próximo salto qualitativo, além de reduzir a sensibilidade da economia ao ciclo das commodities. Como fazê-lo é um grande desafio que ainda espera por respostas dos candidatos.
Outra questão relevante, é o desafio de concluir e coordenar o maior ciclo de concessões rodoviárias da história do estado sem que obras inacabadas, pedágios e alçadas destruídas se tornem o "legado negativo" da próxima gestão e precisa demonstrar como conciliar com as críticas ao processo em andamento, sem comprometer também a importância do Estado como corredor logístico entre Centro e Sul. Além disto, a logística do nosso Estado cobra por soluções mais efetivas, e de menor custo, que nos liberte do custo e das limitações da malha rodoviária.
Na área de saúde, um grande desafio precisa ser enfrentado na próxima gestão; precisamos reerguer a rede de atendimento, que, na última década, perdeu a camada intermediária (pequenos hospitais), com excessiva concentração nos centros de referência regionais, quase todos próximo do limite. A questão é como fornecer respostas eficientes e ágeis porque os números já apontam para um estrangulamento, indicando a possibilidade de um colapso silencioso.
Nas escolas, a expansão ou revisão da gestão privada em escolas públicas (programa Parceiro da Escola) será o epicentro das tensões políticas. A prioridade deve ser consolidar os ganhos de aprendizagem e o uso de plataformas digitais, equilibrando a inovação com a resistência de setores sindicais e acadêmico, preservando a paz social e a estabilidade pedagógica em um ambiente de polarização sobre o papel do Estado na educação.
Ainda na área da educação, é necessário que o avanço dos parâmetros do IDEB tenha reflexos efetivos também no ENEM, quando o aluno, sem proteção, enfrenta provas e produz leitura muito mais efetiva sobre o real estágio da educação paranaense.
Na área de segurança, é fato que o Paraná é um corredor logístico estratégico e de fronteira. O desafio central é o combate ao crime organizado no Porto de Paranaguá e na fronteira com o Paraguai, exigindo maior integração tecnológica e de inteligência com o governo federal.
Por fim, o grande motor do PIB paranaense, o agronegócio enfrentará pressões crescentes por resiliência climática e sustentabilidade. Além dos obstáculos dos eventos climáticos extremos (secas e inundações) que impactam a safra e a geração de energia (Copel/Itaipu), é fundamental investir em tecnologia para a agricultura familiar (80% dos estabelecimentos do estado) e em infraestrutura hídrica.
Bastam estes questionamentos para comprovar que o próximo governador não terá vida fácil de dar apenas continuidade; ele terá que ser um gestor de contratos complexos e um articulador político habilidoso junto a Brasília para proteger os interesses do Paraná durante a mudança do pacto federativo. A eficiência administrativa será a única forma de sustentar o protagonismo econômico do estado.
No fim de um primeiro turno fraco, com discursos evasivos e medo dos confrontos, a expectativa é que o eleitor cobre muito mais respostas que discursos vazios, garantindo que cada um tenha informações consistentes para escolher o mais preparado par cuidar do Paraná.

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