A sinuca de bico que Davanço colocou a Câmara de Cianorte
- Marcio Nolasco

- há 7 horas
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A política costuma ser implacável com quem perde a capacidade de calcular consequências. Fazem semanas que venho falando que a melhor opção era Davanço pedir renuncia, ter paz e tempo para sua ampla defesa, garantir os diretos políticos e voltar fortificado em 2028... Enfim...
E, neste momento, muitos observadores da cena política de Cianorte enxergam exatamente isso acontecendo no caso envolvendo o vereador Victor Hugo Davanço.
Porém ao optar por permanecer no cargo e “pagar para ver” dentro da arena política, Davanço parece ter escolhido o caminho mais explosivo possível — não apenas para si próprio, mas para toda a estrutura política da Câmara Municipal.
Porque o problema deixou de ser apenas jurídico.
Agora é institucional.
E talvez até ético e moral.

O caminho menos arriscado existia
Nos bastidores políticos, muitos avaliam que Davanço tinha uma alternativa muito menos destrutiva para ele e seus pares da casa.
Poderia renunciar ao mandato.
Poderia sair temporariamente da linha de fogo.
Poderia concentrar sua defesa exclusivamente na Justiça, onde acusações devem ser enfrentadas tecnicamente, com provas, contraditório e amplo direito de defesa.
E mais:
Poderia preservar seus direitos políticos futuros, sem estar arriscando...
Numa eventual cassação consumada pela Câmara, os danos não seriam apenas imediatos.
Dependendo dos desdobramentos jurídicos e eleitorais, o impacto poderia atingir sua elegibilidade política pelos próximos anos.
Ao deixar a disputa exclusivamente no campo jurídico, Davanço poderia ter atravessado a tempestade longe da pressão pública diária e, eventualmente, voltar ao cenário político em 2028 tentando reconstruir sua imagem.
Mas escolheu outro caminho.
Escolheu transformar sua sobrevivência política em um teste de força dentro da Câmara Municipal.
E é exatamente aí que nasce a sinuca de bico.

A armadilha política criada dentro da Câmara
Ao forçar vereadores a escolherem entre cassar ou salvar seu mandato, Davanço empurrou toda a Casa de Leis para dentro do desgaste.
Agora, com Davanço dentro ou fora qualquer decisão produzirá destruição política.
Se houver arquivamento do processo e absolvição política, a percepção popular pode ser devastadora.
Nas ruas, o sentimento que cresce não é de absolvição moral.
É de proteção corporativa.
A frase mais repetida nos bastidores populares de Cianorte é dura:
“A Câmara não tem vereadores.”
E pior:
“A Câmara perdeu a credibilidade.”
Independentemente do mérito jurídico das acusações, a simples percepção pública de blindagem política pode produzir um dano institucional gigantesco.
Porque a população não costuma separar tecnicalidade jurídica de imagem pública.
O eleitor observa símbolos.
E o símbolo que muitos enxergam hoje é o de um sistema político protegendo a si mesmo.
O ego político pode implodir a própria Câmara
Existe um componente silencioso — mas extremamente poderoso — nessa crise:
o ego político.
A tentativa desesperada de permanecer no cargo a qualquer custo acabou criando uma situação onde a Câmara inteira corre risco de desgaste coletivo.
Isso porque o caso deixou de atingir apenas Davanço.
Agora ele ameaça contaminar todos os vereadores.
Cada voto será interpretado politicamente.
Cada posicionamento será julgado pela opinião pública.
Cada silêncio será observado.
E isso cria um cenário extremamente perigoso para parlamentares da base governista.
Porque defender a continuidade do mandato de Davanço irá gerar desgaste junto ao eleitorado.
Mas permitir avanço duro do processo também pode provocar rachaduras internas na sustentação política entre Legislativo e Executivo. Por isso caro leitor, quem foi para o paredão não foi Davanço, foram todos os vereadores...
Ou seja:
a crise cria um conflito entre sobrevivência institucional (da casa) e sobrevivência política (de Davanço).
A defesa deveria acontecer na Justiça — não no plenário
Há um erro estratégico que muitos analistas políticos enxergam na condução desse caso.
Acusações dessa gravidade deveriam ser enfrentadas prioritariamente no campo judicial.
É na Justiça que existe estrutura técnica para produção de provas, perícias, contraditório e ampla defesa.
Já o ambiente político funciona de forma diferente.
Na política, percepção pesa tanto quanto fatos.
Às vezes pesa até mais.
E quando a defesa passa a depender da fidelidade política de colegas de plenário, o risco deixa de ser apenas jurídico.
Passa a ser moral.
Porque os vereadores deixam de ser apenas representantes públicos e passam a carregar o peso de parecerem cúmplices políticos perante parte da população.
Isso gera desgaste coletivo.
E desgaste coletivo destrói instituições.

As ondas de Davanço já começaram a afogar aliados
Nos bastidores, já existe percepção clara de que alguns vereadores começam a sofrer desgaste político por associação direta ao caso.
Dois parlamentares, segundo avaliações políticas locais, já teriam sentido o impacto da proximidade pública com a defesa política de Davanço.
E a pergunta agora é inevitável:
Quantos mais estarão dispostos a entrar nessas águas turbulentas?
Porque apoiar um colega em nome da estabilidade política é uma coisa.
Arriscar a própria credibilidade pública junto do eleitorado é outra completamente diferente.
A situação se torna ainda mais delicada porque vereadores governistas agora enfrentam um dilema brutal:
Proteger a unidade política da base ou preservar a própria sobrevivência eleitoral.
E nem sempre essas duas coisas caminham juntas.

A rachadura que pode atingir toda a base governista
Talvez o ponto mais perigoso dessa crise esteja justamente aqui.
Se parte da base resolver romper para tentar preservar a imagem institucional da Câmara, o caso pode provocar fissuras profundas na sustentação política do atual grupo governista.
E isso muda completamente o tamanho da crise.
Deixa de ser apenas um processo envolvendo um vereador.
Passa a ser uma ameaça à estabilidade política entre Legislativo e Executivo. Repito, Davanço colocou todos os vereadores no paredão! e sem o voto popular para lhes defender, é uma defesa individual de cada um para sí mesmo ou não, a escolha é livre...
Porque crises institucionais têm esse comportamento:
Porque quando não são contidas rapidamente, começam a consumir aliados, estruturas e governos inteiros.
O custo político pode ser maior que o próprio processo
Talvez Davanço ainda acredite que resistir seja uma demonstração de força e provar antes que na justiça sua inocência.
Mas, na política, nem toda resistência produz vitória.
Às vezes produz desgaste irreversível.
A permanência no cargo pode até garantir tempo político imediato.
Mas o preço dessa estratégia talvez seja alto demais para toda a Câmara Municipal.
Especialmente se o resultado final for:
uma Câmara fragilizada, vereadores desgastados e descredibilizados...
uma base governista rachada, e uma opinião pública ainda mais desconfiada das instituições (legislativo e executivo).
No fim, a grande pergunta que paira sobre Cianorte talvez seja simples:
Valia a pena transformar uma defesa jurídica em uma bomba política dentro da própria Câmara encurralando seus pares?

Porque enquanto o processo avança…
a credibilidade institucional parece afundar junto. A absolvição da Davanço e o resgate da credibilidade de cada vereador esta nas mãos de cada um de nossos nobres edis agora...

















Perfeito